É simbólico que Dudu, o coração do palmeirense em campo, marque um gol tão importante

Capitão deixou o Palmeiras ainda mais próximo da taça com o gol da vitória sobre o Botafogo

A ansiedade rasga o peito. A expectativa é de inflamar a garganta por tanto gritar, de fazer doer os joelhos por tanto pular. A loucura será compreensível, diante da espera de 22 anos. E, neste domingo, o Palmeiras pôde experimentar uma prévia do êxtase que tem tudo para o arrebatar seus torcedores até o fim do Campeonato Brasileiro. O time venceu o Botafogo por 1 a 0 no Allianz Parque e se aproximou ainda mais da conquista nacional. A vantagem atual é de seis pontos. Não é suficiente para a confirmação, segundo a matemática, e pode diminuir conforme o resultado do Flamengo. Melhor manter a cautela, depois de tantos anos de penúria. Melhor guardar para o momento certo, quando ninguém mais poderá contestar.

O clima era diferente no Allianz Parque, ficava visível mesmo de longe. E, não fosse a proibição no entorno do estádio, poderia ser ainda mais impressionante. Nada que abalasse a fé do palestrino, seja no olho do furacão, nos metros de isolamento impostos ou a centenas de quilômetros de distância. O time dependeria de uma combinação de resultados para assegurar a conquista. Mas fazer a parte contra o Botafogo já seria o suficiente para corresponder à corrente de pensamentos que se formou a partir do pontapé inicial.

Neste momento, os palmeirenses se incorporaram em uma figura em campo: Dudu. E é até simbólico que, justo ele, diante da lesão de Fernando Prass, tenha se incumbido da braçadeira de capitão. A chegada do meia gerou controvérsias, dúvidas se valia tanta indisposição por seu futebol. Hoje, porém, estes entraves parecem ficar cada vez mais para trás. O camisa 7 assumiu o papel de líder em diferentes aspectos. É uma referência técnica, é uma voz forte, é um espírito de luta. Especialmente, é o coração com o qual muitos torcedores se identificam em campo.

Dudu anda jogando muita bola neste Brasileirão, mas vem crescendo ainda mais na reta final do campeonato. Já tinha brilhado contra o Atlético Mineiro, com a assistência para o gol de Gabriel Jesus. Desta vez, coube a ele decidir. Iniciou a jogada na qual Gabriel Jesus acreditou. Mesmo baixinho, concluiu para as redes de cabeça. Um tento com simbolismo imenso, de um jogador que não precisa ser o maior (em sentido figurado, aqui) para ser o protagonista. Mas vem sendo. E foi muito neste domingo, comandando o ataque palmeirense em um jogo tão importante.

Em um Palmeiras com elenco de qualidade uniforme, Dudu merece o devido destaque. Não por ser tão acima da média entre seus companheiros, mas por chamar a responsabilidade como pouquíssimos. Por fazer aquilo que a torcida espera ao longo de 22 anos. O gol deste domingo certamente terá um lugar especial no imaginário do Allianz Parque. Lembranças que podem se tornar ainda mais vivas no próximo domingo, quando os alviverdes recebem a Chapecoense. E a ansiedade para este dia só aumenta.