A estratégia agressiva do Esporte Interativo funcionou. Oferecendo muito mais dinheiro e uma abertura para diálogo que os clubes dificilmente encontravam com a Globo, a emissora do grupo Turner fechou contrato de direitos de transmissão de TV fechada com 14 clubes – no aguardo do Figueirense tornar-se o 15º – a partir do Campeonato Brasileiro de 2019. Mas não foi suficiente para convencer todo mundo, e o SporTV garantiu outro punhado de times. Cria-se, assim, uma pequena dúvida para o futuro.

LEIA MAIS: Esporte Interativo conquistou os direitos de transmissão dos clubes sendo o “anti-Globo”

As leis brasileiras permitem que uma emissora de televisão passe um jogo apenas se detiver os direitos das duas equipes que participam dele. Não existe o chamado direito de arena, que em outros países resolve essa questão vinculando o direito de transmissão ao mandante. Logo, o que acontece se chegar o Campeonato Brasileiro de 2019 com alguns times fechados com o Esporte Interativo e outros com o SporTV?

Dos 14 times confirmados pelo EI, apenas cinco estão atualmente na primeira divisão: Atlético Paranaense, Coritiba, Santos, Internacional e Ponte Preta. O Figueirense está próximo de um acerto. Alegando quebra de princípio de equidade, o Santa Cruz quer romper o seu contrato com a emissora para acertar com o SporTV, que até já anunciou o acordo com o tricolor pernambucano.

O canal da Globosat já assegurou outros 12 times da elite (América Mineiro, Atlético Mineiro, Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, São Paulo, Sport e Vitória). O Palmeiras, o único ainda sem contrato, pediu que a Globo separasse as propostas de TV aberta e fechada antes de tomar sua decisão.

O Esporte Interativo ainda tem Bahia, Ceará, Joinville, Sampaio Corrêa, Paysandu, Criciúma e Paraná, que disputam a Série B, e o Fortaleza, que joga a Série C. Buscou montar um portfólio amplo de times com potencial de chegar à primeira divisão e torce para que, na roleta dos próximos três Campeonatos Brasileiros, o de 2019 e os seguintes tenham o máximo de clubes contratados por ele.

“Temos muita confiança que teremos no mínimo sete ou oito times na Série A”, afirma o presidente do canal e vice-presidente da Turner para a América Latina, Edgar Diniz. A expectativa é transmitir 76 jogos do Brasileirão por temporada, dois por rodada. O acordo vale apenas para a Série A. Caso os clubes do Esporte Interativo estejam na Segundona, o canal não pode passar as partidas, porque entraria em conflito com o acordo coletivo de direitos de transmissão da Série B.

O presidente do Santos, Modesto Roma, também estima que pelo menos sete ou oito equipes do portfólio do Esporte Interativo estarão na primeira divisão em 2018. Nei Pandolfo, diretor de futebol do Bahia, também acredita que os dados serão favoráveis para o canal da Turner. “A tendência é ter dez equipes na primeira divisão. Mas podem chegar mais de dez. O risco é para todos os lados”, afirma à Trivela. “O mais correto, no final, é que as empresas de transmissão se juntem, os clubes se juntem cada vez mais, para oferecer um material melhor”.

Pandolfo refere-se a um eventual acordo entre SporTV e Esporte Interativo em que os canais trocariam direitos de transmissão para ambos poderem passar os jogos de mais equipes. Uma possibilidade que, por enquanto, ainda não está sendo considerada por Edgar Diniz. “Fizemos o projeto pensando em ter um produto sustentável, independente de qualquer coisa”, afirma.

É realmente impossível prever quais times estarão na Série A em 2019, e um acordo de cessão de direitos não é totalmente impensável. Uma solução seria bem-vinda, porque, como mostramos nessa reportagem sobre o torneio de 1997, um Brasileirão dividido pode causar algumas confusões.