O sorteio mais legal da história das Copas do Mundo aconteceu em 1998. E não tem nada a ver com o chaveamento, com a maneira como revelaram as bolinhas ou mesmo com os shows que encheram linguiça durante a noite. O ápice aconteceu horas antes do evento oficial. Em uma época na qual os jogos com a ‘Seleção do Mundo’ ainda estavam em voga, a Fifa caprichou ao realizar um amistoso de luxo no Estádio Vélodrome. Pegou um jogador de cada um dos 32 países classificados ao Mundial e montou dois times: Europa x Resto do Mundo. O que mais parece coisa do Winning Eleven 4 aconteceu de verdade, em duelo memorável.

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A Europa, reforçada pelo Irã para completar 16 jogadores, tinha a sua constelação: Zinedine Zidane, Andreas Köpke, Fernando Hierro, Paul Ince, Patrick Kluivert, Alen Boksic e outros nomes emblemáticos. Mas nada se comparava ao que encaravam na linha de frente do Resto do Mundo. Gabriel Batistuta e Ronaldo estavam prontos para destruir, muito bem acompanhados por Jacques Songo’o, Hong Myung-Bo, Nourredine Naybet, Hidetoshi Nakata e Nwankwo Kanu. Marselha tinha a honra de receber tamanha dose de talento.

Quando a bola rolou, o Resto do Mundo tratou de pulverizar seus adversários. Batistuta atuou como homem de referência, enquanto Ronaldo se encarregava mais da armação. Vivendo o seu auge físico, o Fenômeno demonstrou que também poderia ser monstruoso nesta outra função. O brasileiro vestiu a camisa 10 e participou de todos os gols no chocolate por 5 a 2, somando dois gols e três assistências. Batigol não ficou atrás, balançando as redes duas vezes, enquanto o baixinho colombiano Anthony de Ávila completou os números para o Resto do Mundo. Já pela Europa, Marius Lacatus e Zidane descontaram no Vélodrome.

Há nove meses, contamos a história daquele jogo aqui na Trivela. E uma grande brincadeira feita com os leitores na caixa de comentários imaginava como seriam estas seleções nos dias atuais. Na época, até oferecemos o nosso esboço, mas tomando como base os elencos para a Copa de 2014. Pois bem: agora, já dá para brincar com todos os classificados para o Mundial da Rússia. Assim, resolvemos sonhar como seria o hipotético amistoso de luxo – praticamente impossível nestes tempos em que a queda de braço entre a Fifa e os clubes não dá trégua.

Para facilitar a divisão, as 14 seleções europeias precisaram se juntar ao Extremo Oriente – ou seja, japoneses e sul-coreanos. As demais equipes nacionais compõem o ‘Resto do Mundo’, em espinha dorsal formada principalmente pelos latino-americanos e africanos. A regra básica? Usar a imaginação. Preferi montar os times dando prioridade a alguns dos protagonistas, embora isso não seja missão fácil, já que não dá para rechear as escalações apenas com meias ou atacantes. Por isso, alguns destaques acabaram de fora – e doeu o coração excluir Sadio Mané, Andrés Iniesta, Luis Suárez ou Harry Kane. Além disso, dei prioridade um pouco maior àqueles que brilharam nas Eliminatórias. Não seria possível ignorar o que fizeram Robert Lewandowski, Christian Eriksen ou Mohamed Salah.

Obviamente, as escalações abaixo acabam sendo subjetivas. A ideia é respeitar as divisões geográficas e pinçar um jogador por seleção – montando times minimamente coerentes do ponto de vista tático, é claro. E fica a sugestão pra você também soltar a mente na caixa de comentários. Bem que a Fifa poderia olhar este texto e se inspirar novamente naquilo que foi tão legal, mas hoje parece limitado a um passado distante.

Resto do Mundo

Brasil, Argentina, Colômbia, Uruguai, Peru, México, Panamá, Costa Rica, Senegal, Nigéria, Egito, Tunísia, Marrocos, Irã, Austrália

Keylor Navas (Costa Rica)

Luís Advincula (Peru)
Mehdi Benatia (Marrocos)
Diego Godín (Uruguai)
Andrés Guardado (México)

Wilfred Ndidi (Nigéria)
Idrissa Gueye (Senegal)

Mohamed Salah (Egito)
James Rodríguez (Colômbia)
Neymar (Brasil)

Lionel Messi (Argentina)

Reservas

Alireza Haghighi (Irã)
Román Torres (Panamá)
Aaron Mooy (Austrália)
Mohammad Al-Sahlawi (Arábia Saudita)
Youssef Msakni (Tunísia)

Técnico: Óscar Tabárez (Uruguai)

Europa + Extremo Oriente

Rússia, Alemanha, Espanha, França, Portugal, Islândia, Croácia, Suíça, Suécia, Dinamarca, Polônia, Sérvia, Inglaterra, Bélgica, Japão, Coreia do Sul

Manuel Neuer (Alemanha)

Kyle Walker (Inglaterra)
Sergio Ramos (Espanha)
Andreas Granqvist (Suécia)
Aleksandar Kolarov (Sérvia)

N’Golo Kanté (França)
Luka Modric (Croácia)
Kevin de Bruyne (Bélgica)

Christian Eriksen (Dinamarca)

Robert Lewandowski (Polônia)
Cristiano Ronaldo (Portugal)

Reservas

Igor Akinfeev (Rússia)
Maya Yoshida (Japão)
Granit Xhaka (Suíça)
Aron Gunnarsson (Islândia)
Heung-Min Son (Coreia do Sul)

Técnico: Joachim Löw (Alemanha)