Emmanuel Adebayor foi um dos atacantes icônicos da Premier League durante mais ou menos uma década, período em que era difícil imaginar que, nesta terça-feira, ele se tornaria jogador do Olimpia. Negócio que parece aleatório até mesmo neste momento em que o mercado sul-americano se abre a nomes como Keisuke Honda. De qualquer maneira, anunciado pelo tricampeão sul-americano nesta terça-feira, o togolês de 35 anos disputará a Libertadores, com chance de enfrentar o Santos na fase de grupos.

O Olimpia não tem poupado esforços para reforçar a sua equipe. Adebayor chega dias depois do anúncio da contratação de Derlis González e o baú de tesouro tem sido esvaziado inclusive em outros esportes. O ponta fijiano Napolioni Nalaga, de 33 anos, foi trazido para o time de rúgbi.

Adebayor foi associado a uma campanha para fazer subir o número de associados. Na sexta-feira, o presidente Marco Trovato havia prometido que o togolês seria apresentado como reforço caso 20 mil novos sócios se registrassem ao longo do fim de semana. O clube contava com 15 mil naquele momento.

“Há a possibilidade de trazer um jogador muito importante, mas, para isso, precisamos de todos os olimpistas”, disse Trovato. Na segunda-feira, o clube ampliou a campanha por mais 24 horas e, segundo o D10, foi apenas uma ação de marketing mesmo porque o negócio já estava fechado com Adebayor.

O objetivo principal parecia ser trazer uma grande estrela para atrair atenção. Segundo o empresário Daniel Machado, que ajudou a intermediar a contratação do togolês, em um momento em que a negociação com Adebayor deu uma travada, Lukas Podolski surgiu como uma opção. “Estivemos próximos de chegar a um acordo, mas recebi proposta da Turquia e não deu para competir”, disse o agente ao Futgol 970 AM. Podolski acabou acertando com o Antalyaspor.

E uma das peças mais importantes para a concretização do negócio foi Roque Santa Cruz, companheiro de Adebayor no Manchester City e atualmente defende o Olimpia. “Teve um papel importante. Foi o que deu o último empurrão para fechar Adebayor”, disse Trovato. “Uma coisa é o que o clube negocia com o jogador ou com o representante dele, outra é quando o jogador fala com um de seus pares, e mais ainda quando o teve como companheiro”.

O Olimpia aposta alto. Segundo seu tesoureiro, Miguel Brunotte, o orçamento anual do clube passou de US$ 12 milhões para US$ 13,5 milhões. Já domina o futebol paraguaio, com os últimos quatro títulos, contando Aperturas e Clausuras, e agora conta com os gols de Adebayor para ficar ainda mais forte.

Tem que ver quantos ele marcará. Desde que saiu do Tottenham, teve uma passagem rápida pelo Crystal Palace, seu terceiro clube londrino, e foi consistente em seu começo no Istambul Basaksehir. Fez 15 gols em 30 rodadas do Campeonato Turco de 2017/18. Caiu de rendimento na campanha seguinte e acabou negociado com o Kayserispor, pelo qual atuou oito vezes no segundo semestre do ano passado, com dois gols. Anunciou sua saída em dezembro.

Em seu auge, foi um atacante que combinava bem a força física com a velocidade e tinha faro de gol, embora não fosse o mais técnico dos jogadores. Se estiver com o corpo em dia, pode ajudar o Olimpia, que estreia na Libertadores contra o Delfín, em 4 de março, e enfrenta o Santos, no dia 17 do mesmo mês.