Emerson Sheik não fazia uma grande partida pelo Corinthians. Perdia a bola no meio-campo, não dava sequência às jogadas, criava pouco. Mas, em um duelo em que os brasileiros não foram ameaçados na defesa, uma boa jogada seria o suficiente para conseguir a vitória. E Sheik, apesar da idade, de estar próximo do fim da carreira, tem qualidade para fazer esta única jogada, como fez no gol que abriu o placar do 2 a 0 sobre o Deportivo Lara, da Venezuela.

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A ausência de qualidade técnica no ataque do Corinthians abriu espaço para que Sheik fosse mais utilizado, nesses seis meses em que foi contratado, pelo clube que ajudou a transformar em campeão da América e do Mundo, como uma homenagem. Dentro do que ainda pode fazer, está correspondendo. Marcou o único gol do 1 a 0 sobre o Mirassol e, na noite desta quarta-feira, mostrou o poder decisão que tanto encantou a torcida corintiana.

O Corinthians mostrou, novamente, todas as dificuldades para criar, exacerbadas pela postura do Deportivo Lara que, por ter consciência da sua inferioridade técnica, ou por estratégia para aproveitar os defeitos do adversário, colocou todos os seus jogadores atrás da linha da bola e esperou para contra-atacar. Teve 37% de posse de bola e finalizou cinco vezes, exigindo uma única defesa de Cássio. Atrás, tudo sob controle para o Corinthians.

Na frente, história foi outra. Rodriguinho se movimentava, Romero se esforçava como sempre, e quem mais conseguia bagunçar a defesa do Lara era Clayson, responsável pelas duas ações ofensivas mais agudas do primeiro tempo. Aos 14 minutos, chegou pela esquerda, pedalou para cima de Aponte e cruzou. Rodriguinho quase conseguiu completar. Aos 20, ele tabelou com Maycon e bateu rasteiro da entrada da área. Salazar fez uma boa defesa.

O gol que abriu os mares para o Corinthians surgiu aos 19 minutos do segundo tempo. E Sheik fez tudo certinho. Dominou o lançamento de Fágner, abriu rápido com Romero e se posicionou para receber o cruzamento. Sozinho, cabeceou para baixo e contou com o quique da bola para fazer 1 a 0. Romero, cara a cara com Salazar, perdeu uma boa oportunidade. E Rodriguinho, com um fortuito cruzamento rasteiro da esquerda, contou com o desvio de Pernía para encobrir Salazar e fazer 2 a 0, em um belo gol contra.

Nos pontos ofensivos e defensivos, nenhuma novidade para o Corinthians. Dificilmente o ataque melhorará apenas com ajustes táticos. Novas peças serão necessárias. Enquanto elas não chegam, Carille consegue manter a equipe competitiva. Em duas rodadas da Libertadores, fez a lição de casa: empate fora e vitória em casa contra o time mais fraco da chave. Um bom começo.

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