É justo criticar quem “vira a casaca” no futebol feminino?

Na estreia da coluna de futebol feminino na Trivela, uma reflexão sobre o mercado de transferências do futebol feminino

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Trivela é uma palavra feminina. O espaço que o site cedeu a mim e a outras colunistas para falarmos do futebol das mulheres ao longo da inolvidável Copa do Mundo de 2019, na França, é uma das provas que nosso lugar também é aqui. A partir de agora, estaremos fixos semanalmente neste espaço, trazendo muitas histórias, entrevistas e debates sobre a modalidade.

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Para este texto inaugural, o assunto não poderia ser outro senão o mercado do futebol feminino do fim de 2019 e início de 2020. Afinal, pela primeira vez, entramos nos grandes portais noticiosos de esporte do país e nos deparamos com os reforços do Palmeiras para a temporada, por exemplo, em destaque na página inicial. Lemos, também, matérias com apuração sobre jogadoras que vão mudar de time. Demorou, mas esse momento, enfim, chegou.

Quando foi que você viu as redes sociais em polvorosa com a possibilidade de uma atleta da Seleção voltar ao Brasil se concretizando? Teve isso com a Andressinha. Até nos trending topics a volante foi parar. E não estamos falando de nicho. Pessoas que acompanham assiduamente o futebol feminino e outras que não, mas são torcedoras e gostam de futebol, comentavam sobre a bela contratação do Corinthians.

Isso tudo tem sido maravilhoso. A sensação é de que muito mais gente tem se interessado e consumido a modalidade. Mas é nesta mistura na euforia sobre notícias de mercado entre os que estão sempre ligados no que acontece no futebol das mulheres e os que estão chegando agora que mora um problema, a meu ver.

Quando surgiu a primeira matéria sobre a ida de dois destaques do São Paulo na temporada passada, a meio-campista Ary Borges e a atacante Ottilia, ao Palmeiras, uma chuva de críticas às jogadoras caiu sobre as redes sociais de ambas. Virar a casaca? Pular o muro? Como ousam? Como se pudessem ousar e se dar ao luxo em um universo ainda de poucas oportunidades e menos ainda escolhas.

Em um primeiro instante, confesso que considerei ser saudável ao futebol feminino ver torcedores são-paulinos vociferando irritados com as saídas, principalmente a de Ary, que demonstrava uma afinidade maior com o clube e a torcida. Imediatamente, pensei no mesmo caso acontecendo dentro do futebol dos homens. Causaria a mesma revolta, e foi nessa equiparação que vi com bons olhos a situação.

Só que não dá para deixar de considerar a realidade contratual do futebol feminino no Brasil nessa hora. Aqui, raramente as jogadoras assinam vínculos com validade superior a um ano e nem sempre eles são renovados, o que torna difícil que elas sejam referências para os torcedores e se sintam identificadas com os clubes que representam. Então, até que ponto são justas essas críticas?

O Santos é uma das exceções quando se pensa na formação de ídolos dentro dos clubes. Por ser um dos exemplos em continuidade e seriedade no projeto, embora as Sereias da Vila tenham deixado de existir durante a gestão de Laor, jogadoras como Ketlen, Maurine, e, mais recentemente, Sole Jaimes, são vistas com idolatria por santistas. Isso, porém, não é comum de se ver. No mercado do futebol feminino, jogadoras transitam com maior frequência do que no masculino. Não por opção delas.

Enquanto se busca e pede por profissionalização na modalidade dentro do país, não é justo criticar as atletas por essas idas e vindas que acabam incluindo equipes rivais. Não existe traição quando se tem emprego a resguardar. Também não é proporcional demonizar Cristiane por ter deixado o São Paulo para retornar ao Santos e falar em tom pejorativo que ela “abandonou o projeto”.

Cristiane nunca teve papas na língua para apontar o que estava errado nos clubes que passou e, sobretudo, na seleção brasileira. No Morumbi, não foi diferente. A atacante fez críticas à estrutura oferecida às atletas, aquém do que um clube do porte do São Paulo pode dar. Quando foi anunciado que ela não mais jogaria com a camisa tricolor, foi julgada por torcedores por ter se manifestado sobre as condições do clube e não ter rendido o esperado em campo em um ano em que o fantasma das lesões a assombrou.

Não é que jogadoras devam ser eximidas de cobranças. O futebol feminino precisa de torcida, e isso naturalmente acompanha pegar no pé e se chatear quando uma atleta do seu time vai para um rival. É injusto, no entanto, chamá-la de “vendida” e demais ofensas à honra sem pensar que uma proposta desse outro clube não vai ser para encher seu bolso, mas para garantir que ela continue jogando bola por mais tempo.

Giro pelo mundo

No dérbi londrino, um Chelsea avassalador em 10 minutos

Jogadoras do Chelsea comemoram (reprodução)

Casa cheia no Meadow Park para acompanhar Arsenal e Chelsea. Atual campeão e então líder da FA Women’s Super League contra seu algoz. Uma caça fácil para as Blues, que balançaram as redes três vezes em incríveis 10 minutos, aproveitando apagão das Gunners. Com 20 minutos de bola rolando, o Chelsea já encaminhava a vitória.

O primeiro gol saiu dos pés de England. Um chutaço. Três minutos depois, a australiana Sam Kerr mostrou seu cartão de visitas ao fazer seu primeiro com a camisa azul. Ingle ficou responsável pelo terceiro. Já no segundo tempo, com passados 20 minutos, a norueguesa Guro Reiten selou a goleada. Mead fez o gol de honra do Arsenal. Placar final: 4 a 1 e gasolina na corrida pela taça, com o Manchester City, agora em primeiro, e Arsenal, com 33 pontos, e o Chelsea, em terceiro, com 32.

Ainda na Inglaterra, na estreia da “aussie” Hayley Raso pelo Everton, quem brilhou foi uma velha conhecida das Toffees: Chloe Kelly, voltando de lesão com um hat-trick diante do Reading. Um dos gols, inclusive, foi olímpico. A atacante inglesa foi o nome da partida, que terminou em 3 a 1 para o time de Liverpool. O Everton não vencia há quatro rodadas.

Ah! Você sabia que pode assistir aos jogos da FA Women’s Super League ao vivo, de graça, no The FA Player? É super fácil. Só se cadastrar no site e ser feliz. A qualidade da imagem é ótima e tem até narração (em inglês, claro).

Juventus dispara, Milan remonta e Inter reencontra o caminho da glória

Jogadoras da Juventus comemoram (Reprodução)

A Juventus segue irrefreável e imperativa na Itália em mais uma temporada. A dez rodadas do fim da Serie A Femminile de 2019/20, a Vecchia Signora figura na ponta da tabela com seis pontos de vantagem para a segunda colocada, a Fiorentina. Na rodada deste fim de semana, a Juve bateu o Empoli, fora de casa, em um jogo apertado. O placar final foi de 2 a 1, com gols da artilheiríssima Girelli e de Cernoia, e de Acuti, que descontou para as azzurre.

Já o Milan, que indicou que estaria forte na briga pelo título no início do campeonato, freou o ritmo com o passar das rodadas. Nesta segunda-feira, contudo, as rossonere protagonizaram uma bela de uma remontada sobre a Roma, em um confronto direto. As milanistas saíram de um 2 a 0 de desvantagem para um 3 a 2, conquistando três pontos que as deixaram na cola das romanistas (24 pontos contra 23 das vencedoras). Um detalhe: o Milan tem um jogo a menos.

E a Internazionale voltou a sentir o gosto da vitória depois de quatro partidas em que tomou nove gols e marcou apenas um. Depois da seca, veio o aguaceiro na defesa do Hellas Verona: 3 a 0. Tarenzi, Merlo e Marinelli construíram o resultado no campo das adversárias. Cheirinho de reação? Tudo pode acontecer neste segundo turno da Serie A Femminile.

Atlas larga na frente e deposita confiança em Ibarra

O time feminino do Atlas (Reprodução)

O Clausura da Liga MX Feminil recém-começou e o Atlas já chegou pedindo passagem. Após vencer o Cruz Azul por 1 a 0 próximo à Cidade do México, neste fim de semana, o time de Guadalajara assumiu a parte de cima da tabela. São, agora, três vitórias em três jogos do torneio.

Embora o gol da vitória tenha sido de Alison Gonzalez – e foi um golaço -, a confiança para tentar tirar o primeiro campeonato de sua história está depositada no faro de gols de Claudia Ibarra, atacante da seleção mexicana e que já soma três tentos no Clausura desta temporada.

América, Puebla, Monterrey, Monarcas Morelia, Pachuca, Club Atlético de San Luís, UANL, Toluca, Guadalajara, Santos Laguna, Necaxa e León ascendem ao gramado nesta segunda-feira para completar a terceira rodada da competição.