Em tempos sombrios nos quais a ciência passa por um descrédito indevido, muitas vezes rebatida por mero “achismo”, é importante reforçar o valor de quem se dedica aos estudos e à pesquisa. Neste mês de maio, a Universidade de São Paulo ganhou um reforço de peso: o atacante Richarlison, que se tornou o novo garoto-propaganda do programa USP Vida, em busca de doações às pesquisas relacionadas à COVID-19. O atacante do Everton faz sucesso também nas redes sociais e inúmeras vezes abraçou causas nobres. Agora, empresta sua imagem para incentivar o apoio ao conhecimento científico em um momento tão decisivo.

Desde o início do mês, Richarlison passou a usar suas redes sociais para apresentar o USP Vida e convocar outras personalidades a participarem das doações. A ideia do projeto é angariar fundos entre pessoas físicas e jurídicas, ampliando as iniciativas já encabeçadas pela universidade. Além dos grupos de pesquisa, que intensificaram o trabalho em várias frentes durante a pandemia, a USP também conta com sua própria estrutura hospitalar.

“Sempre tivemos a imagem dos nossos heróis muito ligada ao esporte, nossos craques, à música, à TV, mas hoje estamos conhecendo milhões de outros craques que estão na linha de frente, arriscando suas próprias vidas para salvar as de tantas outras pessoas e, principalmente, pesquisando soluções para conseguirmos vencer essa que é a partida a ser vencida hoje: a vida contra a COVID-19. Acho que é hora de valorizarmos e incentivarmos nossos pesquisadores e cientistas e todos que estão lutando nessa batalha. Por isso, tivemos a ideia da campanha e de contribuir com essas pessoas”, afirmou Richarlison, ao Jornal da USP.

O atacante enfatizou a importância de facilitar o acesso da ciência à maioria da população. Sua intenção é estimular a divulgação científica e fazer mais gente se interessar pelo que ocorre dentro da universidade: “Vou fazer o possível para que quem estiver ao meu redor enxergue a importância deste trabalho para o nosso dia a dia, especialmente em um momento de dificuldade”. É uma conexão importante e que diversas universidades pelo Brasil precisam buscar mais. Enquanto o acesso ao ensino superior público no país atinge apenas uma parcela ínfima da população (e, majoritariamente, a mais abastada), os projetos de extensão se tornam ainda mais pertinentes e necessários.

“A USP tem participado intensamente no enfrentamento da pandemia da COVID-19, tanto nos aspectos assistenciais, por meio dos hospitais e da rede de diagnósticos, na difusão de conhecimento e, principalmente, na pesquisa. Temos mais de 200 grupos de pesquisadores trabalhando em várias áreas do conhecimento. Mas podemos fazer mais. Por isso, criamos o projeto USP Vida. Nosso objetivo é ampliar o número de colaboradores na divulgação dessa importante iniciativa e na conscientização do papel da ciência e das universidades na procura por soluções para a sociedade”, destacou também o reitor Vahan Agopyan.

Em abril, Richarlison doou 500 cestas básicas para famílias carentes em Nova Venécia, sua cidade no Espírito Santo. O atacante costuma participar de ações solidárias na região, assim como integra programas sociais encabeçados pelo Everton. A atenção à ciência e às doações para o USP Vida só reforçam o posicionamento do jogador, indo além de sua representatividade dentro de campo. Seria bacana se mais gente fizesse o mesmo.