Faz menos de um ano que o Iraque voltou a abrigar partidas internacionais em seu território. Por conta dos conflitos internos, a Fifa proibiu em 2013 que a seleção local disputasse os seus jogos em casa. Foram quatro anos de embargo, até que a suspensão acabasse parcialmente em junho de 2017, com o cenário de violência mais brando em certas regiões do país. Desde então, são inúmeras provas da paixão do povo iraquiano pelo esporte. Cada partida da equipe nacional se transforma em um evento especial, abrigadas em Basra, sudeste do território. E o recém-construído estádio local, com capacidade para 65 mil torcedores, se transformou em um dos símbolos da paixão à modalidade na Ásia. Nesta quarta, mais uma vez, as arquibancadas se abarrotaram para celebrar a seleção e a nação.

O Iraque recebeu a Arábia Saudita, em amistoso um tanto quanto deslocado das Datas Fifa. Por isso mesmo, ambas as seleções não contaram com os atletas que atuam na Europa. Mas nem isso atrapalhou a festa que se viu no estádio. As tribunas estava completamente lotadas, com milhares de bandeiras tremulando. Então, a execução do hino nacional iraquiano proporcionou um momento de arrepiar. A multidão cantava em uníssono, em conjunto com os jogadores. Uma mostra da vitória do esporte sobre o medo e da união da população para retomar suas vidas, apesar da dor que acompanha muitos.

Em campo, não dava para esperar um resultado diferente. Pouco importa se a Arábia Saudita estará na Copa do Mundo de 2018. O time Pizzi acabou atropelado pelo Iraque, na noite que marcou também a despedida do ponta Mahdi Karim, dono de 110 aparições pela seleção. Goleada por 4 a 1, que representa bem a motivação em relação ao contexto. Quem sabe, para que os Leões da Mesopotâmia tenha melhor sorte nas próximas Eliminatórias e também na Copa da Ásia de 2019, na qual estão garantidos.