Faz três dias que alguns torcedores da Rússia e da Inglaterra levaram a palavra “confronto” ao pé da letra e transpuseram o duelo entre as seleções para as arquibancadas e arredores do estádio Vélodrome, em Marselha. Quer dizer, talvez não seja nem justo que o verbo “torcer” seja associado às atitudes primitivas que os russos e ingleses tiveram. Atitudes que, aliás, não foram provocadas pelo calor do momento, já que os hooligans vão aos jogos destinados a transformar a rivalidade natural do esporte em motivo para agir de forma ultraviolenta.

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Nesse meio tempo em que os incidentes ocorreram, emergiu-se a ameaça por parte da Uefa, em função deles, de banir tanto a participação da Rússia, quanto da Inglaterra da Eurocopa deste ano. O período também serviu para as autoridades responsáveis pelo futebol dos dois países se posicionarem quanto aos episódios de selvageria. Só que nem todas se colocaram da forma que todo mundo espera que alguém reaja diante desse tipo de acontecimento: com repúdio. Igor Lebedev, dirigente da federação russa e vice-presidente do Parlamento do país, em vez de condenar os atos truculentos de alguns de seus compatriotas na França, disse que eles só estavam defendendo a honra da pátria, e, por isso, as atitudes eram aceitáveis.

Hoje, a Comissão Disciplinar da Uefa considerou o caso e a repercussão dele, e decidiu, de fato, aplicar uma punição à Rússia pelo ocorrido, desclassificando-a em suspenso até o fim da Euro. Ou seja, qualquer outra ocorrência como a de sábado que eventualmente aconteça em partidas da Rússia fará com que a seleção seja banida desta edição do torneio. Além disso, a federação russa terá que pagar uma multa de € 150 mil à entidade europeia. Tudo conforme está previsto no artigo 20 do regulamento disciplinar.

No entanto, é válido dizer que isso se aplica só às possíveis confusões dentro dos estádios. Fiscalizar o que acontece de ruim fora deles, como tem ocorrido, inclusive, com “torcedores” de outras seleções, não é algo que compita à Uefa, uma vez que esta só tem jurisprudência para agir dentro do ambiente em cujo evento que é responsável acontece. Então, cabe à França fortalecer a segurança em volta estádios e evitar que o hooliganismo espalhe mais ainda o caos pelo país. Mas parece que os franceses ficaram tão preocupados com as ameaças de terrorismo, que esqueceram que não é de hoje que esse tipo de torcedor inconsequente dá as caras na competição.

É bom que os hooligans russos parem, por conta própria, com a selvageria dentro e fora dos estádios, antes que pessoas que nada tem a ver com esse movimento acabem pagando com suas vidas. E aí não vai ser com multa que vão pagar pelo ocorrido. Vai ser com o país o qual, como disse o membro da federação russa, “eles defendem a honra” sendo eliminado do torneio por responsabilidade deles mesmos.