Um dos melhores negócios da Roma na temporada foi assegurar a permanência de Edin Dzeko. Durante a janela de transferências de inverno, o Chelsea partiu com tudo para contratar o centroavante. O próprio clube balançou, diante da oferta financeira que veio de Londres. E o que preponderou mesmo foi a vontade do veterano em permanecer na Itália. Bateu o pé e, no fim das contas, os giallorossi privilegiaram o elenco, em vez dos cofres. Uma aposta que rende todos os lucros possíveis nesta terça-feira de Liga dos Campeões. Dzeko assumiu as responsabilidades e se tornou um dos grandes protagonistas da façanha contra o Barcelona, colocando os romanistas em uma semifinal continental pela primeira vez em mais de três décadas.

A Roma representa uma redenção na carreira de Dzeko. O atacante letal do Wolfsburg campeão alemão também viveu seus bons momentos no Manchester City. Contudo, perdeu espaço em sua quinta temporada na Inglaterra, pronto a arrumar as malas. Em 2015/16, os giallorossi ofereceram um novo caminho ao bósnio, em uma liga de menor exigência, no que parecia ser um passo atrás. E o centroavante, de fato, demorou a engrenar no Estádio Olímpico. Seu primeiro ano ficou marcado pelos períodos de seca e pelas oportunidades perdidas, apesar do espírito de luta. Seguiu em frente. Para se transformar, então, em uma clara liderança aos romanistas.

A segunda temporada de Dzeko na Roma, em 2016/17, foi completamente espetacular. Ao lado de Mohamed Salah, liderou o sistema ofensivo dos giallorossi e, que perdesse ainda uma chance ou outra, marcou gols como nunca na carreira. Foram 29 apenas na Serie A, com 12 assistências, além de balançar as redes oito vezes na Liga Europa. Naquele momento, se escancarava a importância do bósnio no novo clube. Algo que permanece na atual temporada, apesar da venda de Salah. A média no Campeonato Italiano caiu um bocado, mas os 14 gols em 30 aparições são positivos, especialmente pela maneira como o veterano deu impulso no início da campanha e resolveu jogos grandes. E o apogeu se materializou na Liga dos Campeões.

O histórico de Dzeko na Champions é relativamente modesto. Com o Wolfsburg, apesar de seus gols, não passou da fase de grupos. Mais esquentou banco do que atuou nas empreitadas do Manchester City, acumulando míseros três gols em 24 partidas. E com a Roma, havia até mesmo a eliminação nas preliminares de 2016/17, diante do Porto. A chance de se reerguer vinha agora. Pois o matador arrebentou. Na fase de grupos, fez estrago principalmente contra o Chelsea, o que certamente despertou o interesse dos Blues. Recusou a mudança e seguiu em frente na competição. Nas oitavas de final, a classificação em cima do Shakhtar Donetsk saiu de seus pés. Por fim, o Barcelona sofreu contra o camisa 9.

Se tudo parecia acabado ao fim da noite no Camp Nou, Dzeko manteve um fio de esperança com seu gol no segundo tempo. Um gol que se provou vital, diante do que aconteceu nesta terça-feira. E o papel do camisa 9 no milagre do Estádio Olímpico foi fundamental. Desde os primeiros minutos, o centroavante era uma ameaça constante à fragilizada defesa blaugrana. Em uma arma recorrente na temporada, as bolas longas, ele abriu o placar aos seis minutos. Deixou a marcação para trás na briga, dominou a bola e fuzilou Marc-André ter Stegen. Já no segundo tempo, em outro lance capital, o veterano sofreu o pênalti que possibilitou o segundo gol, com De Rossi.

A grande atuação de Dzeko, ainda assim, se mede além dos lances principais. O centroavante não deixou de lutar por um minuto sequer. Apertava a saída de bola do Barcelona, brigava por espaços, se entregava a cada lance. Contagiava seus companheiros. Embora Patrik Schick não estivesse tão sintonizado, o bósnio compensava por tudo o que oferecia. Permaneceu em campo durante os 90 minutos, para ver cada gota de suor valer a pena quando Kostas Manolas desviou de cabeça às redes. Aos 32 anos, o camisa 9 experimenta seu maior sucesso em competições continentais. E podendo ambicionar ainda mais.

Ao longo de sua carreira, Dzeko possui grandes atuações em surpresas memoráveis. Por exemplo, destruiu o Bayern de Munique juntamente com Grafite naqueles 5 a 1 da Bundesliga 2008/09. Também fez Old Trafford desabar com dois gols nos 6 a 1 do Manchester City no dérbi de 2011/12, meses antes de abrir alas ao milagre de Agüero contra o Queens Park Rangers. Deu a assistência que botou a Bósnia pela primeira vez em uma Copa do Mundo. Mais recentemente, ainda desancou o Napoli no San Paolo. Entre tantos jogos inesquecíveis, individualmente o desta terça-feira talvez seja o mais notável. E tudo se tornou possível pela própria vontade de Dzeko ficar em Roma, de fazer história. Uma das noites mais eternas na Cidade Eterna.


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