Paulo Dybala tomou um posicionamento importante ao chamar atenção para a falta de ação da Federação Italiana no combate ao racismo no futebol local. A declaração foi feita em entrevista à CNN, na segunda-feira (8), em que falava sobre as manifestações crescentes de jogadores ao redor do mundo depois da morte de George Floyd pela polícia nos Estados Unidos.

Em entrevista por videoconferência, Dybala afirmou que, já que “a sociedade, neste caso a Federação Italiana, não faz nada”, cabe aos jogadores tomar as rédeas da situação.

“Muitos jogadores estão decidindo deixar o campo ou não jogar mais, e me parece uma decisão perfeita, porque isso não deveria acontecer”, lembrou o argentino, em referência a casos recentes como o de Moussa Marega, do Porto, em partida contra o Vitória de Setúbal.

“Se a sociedade, neste caso, a Federação Italiana, não decide fazer nada, acho que os jogadores devem agir. Ou, como também acontece, os árbitros deveriam parar os jogos”, completou.

Dybala recordou também que já testemunhou alguns de seus companheiros de Juventus sendo vítimas de racismo em estádios na Itália. Em um caso que ganhou diversas manchetes na temporada passada, Moise Kean foi um dos alvos dos torcedores racistas.

“Não foi fácil para ele (Kean). Vivi várias situações de racismo contra outros companheiros da Juventus, em outros estádios. Muitos estádios italianos têm certo racismo contra alguns jogadores. Isso também aconteceu com o Mario Balotelli, com o Dani Alves na Espanha, com o Pjanic em uma partida contra o Brescia.”

Dybala afirma que a falta de ação por parte das autoridades para combater o racismo encoraja pessoas que compartilham do mesmo pensamento discriminatório: “Acredito que as punições na Itália deveriam ser mais duras nesse sentido. Se não, teremos que ser nós, os jogadores, a tomar a iniciativa para que isso não siga acontecendo. Estamos falando de um dos maiores campeonatos do mundo, que milhões de pessoas estão vendo. E se elas veem que existe racismo e não se toma medidas, essas pessoas seguem crescendo”.

O jogador da Juventus diz que é difícil se colocar no lugar de alguém que sofre racismo, porque só essas pessoas sentem na pele a discriminação, mas diz que está claro, para todo mundo ver, quando isso acontece em campo. “Não só por sua cor de pele, mas por ser de um país que as pessoas discriminam ou veem como ruim”, ressalta.

“Vi jogadores asiáticos que estiveram nas categorias de base comigo (sofrerem racismo), e é triste. Por sorte, minha família me educou de maneira diferente, e posso respeitar todos como são, por sua maneira de pensar, e não pelo que estão vestindo, de onde vêm ou por sua cor de pele. Acho que todos deveriam crescer assim, mas, obviamente, não é o caso.”

Dybala afirma que, embora alguns jogadores da Juventus tenham conversado individualmente sobre o problema do racismo recentemente, nenhuma ação por parte do elenco foi decidida por ora. Mas ele acredita que, com a plataforma que têm à disposição, deveriam, sim, assumir um posicionamento contundente.

“Evidentemente, somos figuras globais, importantes, todo mundo nos vê, e, claro, seria muito bom tomar uma iniciativa todos juntos. Não falo só da Juventus, mas de todo o futebol mundial, como fez a Bundesliga, ou outros esportes, como jogadores da NBA, que tomaram uma iniciativa forte.”

Se o elenco da Juventus decidir dar um passo como grupo neste sentido, o mais provável é que vejamos algo durante uma das partidas da Velha Senhora. A Juve volta aos gramados em 22 de junho, em partida contra o Bologna, na rodada de reinício da Serie A.