Paulo Dybala tem aproveitado o confinamento para participar de papos online e conceder entrevistas. A última da vez foi à AFA Play, canal de conteúdo on demand da Federação Argentina. Na conversa, o atacante revelou que teve uma surpresa positiva ao conhecer Cristiano Ronaldo intimamente, como companheiro de Juventus. E revelou uma divertida anedota com o craque português.

“Durante uma viagem, eu me sentei para falar com ele e lhe disse: ‘Sabe, sou sincero, na Argentina, a gente te odeia um pouco. Por sua maneira de ser, de caminhar, mas você realmente me surpreendeu, porque vi em você outra pessoa’. E ele, sorrindo, respondeu: ‘Eu sei que é assim, mas estou acostumado a receber essas críticas. Mas sou como eu sou’”, relembrou Dybala.

O atacante recordou que, antes da chegada do português à equipe bianconera, eles haviam enfrentado Cristiano Ronaldo, quando este ainda estava no Real Madrid, e a experiência não havia sugerido que o camisa 7 fosse ser tão simpático.

“Nenhum de nós o conhecia pessoalmente. Antes de sua chegada, havia tido várias discussões com a gente na eliminação da Champions League pelo Real, com a expulsão do Buffon. O que encontramos foi um rapaz amigável com todos, sempre disponível. Isso não acontece frequentemente com jogadores deste nível.”

Dybala completou os elogios ao hoje companheiro afirmando que o português é um cara “excelente, sociável dentro e fora do vestiário”, que o “surpreendeu positivamente a nível pessoal”.

Na conversa, o jogador da Juventus falou também de sua relação com outra grande figura do futebol mundial, Lionel Messi. Buscou esclarecer rumores de longa data de que não teria a melhor das relações com o craque do Barcelona.

“Nunca tentei criticar um companheiro, eu sempre quis melhorar alguma situação que estivesse acontecendo. Inclusive, falei disso com o Leo (Messi), porque somos muito parecidos taticamente. Inclusive, com o Scaloni, trabalhamos para que não nos atrapalhássemos dentro do campo.”

Dybala não escondeu sua frustração com o pouco tempo que teve em campo nas últimas competições pela seleção, a Copa de 2018 e a Copa América de 2019, mas demonstrou maturidade ao apontar o status da Argentina e o quão difícil pode ser conseguir um lugar no time titular.

“É claro que gostaria de poder ter feito mais pela seleção, ter melhores resultados, tanto como grupo quanto individualmente. Na Copa do Mundo, não tive muitos minutos, e nem na Copa América. Mas sempre respeitei as decisões dos treinadores, porque a Argentina tem muito prestígio”, completou.

Dybala foi o terceiro jogador da Juventus a ter oficialmente contraído o novo coronavírus. Hoje ele já está recuperado dos sintomas, mas reforçou que a situação foi difícil por alguns dias e refletiu que a batalha é, sobretudo, psicológica.

“No começo, não pensei no que poderia ser, mas havia acontecido com dois outros companheiros (Rugani e Matuidi), e, por último, comigo. Tivemos uma dor de cabeça, mas nos aconselharam não tomar nada. O clube então nos deu vitaminas e, ao longo do tempo, nos sentimos melhor. É algo psicológico. No começo, você fica com medo, mas agora está tudo bem, não tivemos sintomas nesses últimos dias. Antes, eu ficava cansado mais rápido. Queria treinar, mas depois de cinco minutos já estava sem ar. Ali, entendemos que algo estava errado, e então os testes revelaram que estávamos com o vírus.”