Paulo Bruno Exequiel Dybala
#21, atacante, 23 anos

Uma das principais revelações no futebol argentino recente, Dybala chegou à Juventus com dois pesos. Na sua posição, substituir Carlos Tevez, que era o principal jogador do time que foi à final da Champions League em 2015. Como se não bastasse essa responsabilidade, ele ainda ganhou a camisa 21, que era de Andrea Pirlo e que também já foi vestida por Zinedine Zidane de 1996 a 2001 – e curiosamente o técnico adversário na final da Champions League. Na sua segunda temporada na Juventus, Dybala é o protagonista que se espera dele no time. E embora seja especulado em muitos clubes, a Juventus faz questão de dizer que ele é um jogador de longo prazo para o clube.

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Aos 23 anos, Dybala chhega à sua segunda temporada no clube sendo o ponto de magia da Juventus. Não se engane: ele traz entre suas características um jogador de muita raça e com força física que supera a impressão deixada pelos seu 1,77 metro. Não é dos mais altos, mas é um jogador forte e que se recusa a desistir das jogadas. É, por isso, um herdeiro bastante convincente do Apache Tevez na Juve.

O aspecto mental é muito forte em Dybala por dois motivos. Além da raça, é um jogador inteligente em campo. Tem em si uma obstinação por melhorar também. Canhoto, habilidoso e com um bom chute de fora da área, o jogador é quem mais se aproxima de Gonzalo Higuaín no ataque da Juventus. Tanto que atuou em duas posições ao longo da temporada: atrás do atacante (24 vezes) ou como a referência ofensiva (11 vezes). Em seis jogos entrou vindo do banco de reservas.

Só que ele aprimora sua técnica tentando escrever com o pé direito. Sim, é isso mesmo: ele tenta escrever com o  pé direto. É a forma que ele tenta aprimorar a sensibilidade do seu pé para ter mais controle com a bola. Passe, chute, posicionamento. Dybala é uma arma poderosa e imprevisível. Uma das razões que torna a Juventus muito difícil de ser marcada.

Talento precoce, Dybala atua profissionalmente desde 2011, quando foi revelado pelo Instituto, de Córdoba. Se tornou uma jogador-chave do time atuando na segunda divisão. Ficou apenas uma temporada, porque em 2012 o Palermo o levou para a Itália. Na sua primeira temporada, era opção no banco até se tornar um titular na temporada seguinte. Mas foi em 2014/15 que ele explodiu de vez. Formou uma parceria explosiva com Franco Vázquez e chamou a atenção dos clubes endinheirados da Europa. Foi a Juventus que o levou a Turim por € 40 milhões.

No time de Turim se tornou um marcador de gols constante, além do que já fazia no Palermo, mas vai muito além disso. Com bons jogadores para atuarem como centroavantes, ele é um jogador chave para que Massimiliano Allegri tenha conseguido mudar o esquema tático do time. Tevez atuava lado a lado com outro atacante no 3-5-2. Dybala é mais criativo, se movimenta mais. Esta é a qualidade que o torna tão perigoso. Allegri sabia que podia contar com um jogador com capacidade de jogar pelas pontas, pelo meio e até entrando na área como centroavante. É quem tem total liberdade no campo de ataque para dar seu toque de mágica.

Habilidoso, o mais difícil para marcar Dybala é o fato de ele ser um goleador tanto quanto um armador. É um atacante que ajuda a organizar o time no ataque, criando oportunidades e também finalizando com precisão, seja de dentro, seja de fora da área. É um segundo atacante com capacidade de ser decisivo, como os grandes jogos da Juventus têm mostrado nesta temporada. Pode tanto fazer parcerias com Daniel Alves pela direita quanto com Mandzukic pela esquerda ou Higuaín na frente. Une o talento que possui com a obstinação de ser melhor. Uma característica em comum com o principal jogador do adversário na final da Champions League, Cristiano Ronaldo.

É até estranho que Dybala tenha conseguido tão pouco espaço na seleção argentina, apesar do seu desempenho estelar. Jogadores como Ezequiel Lavezzi continuavam à frente dele. Com a mudança no comando, sai Edgardo Bauza e entra Jorge Sampaoli, é muito provável que o seu papel se torne mais importante na albiceleste. Ele, aliás, é frequentemente colocado como herdeiro de Messi. Compartilha com craque do Barcelona a semelhança de ter sido expulso no seu primeiro jogo de Eliminatórias. Também é canhoto e não é alto, mas a comparação não pode ir muito além. Ele sempre rechaça a comparação. E usa um exemplo curioso para explicar: o filme Gladiador.

“Eu assisti ao filme talvez 30 vezes”, afirmou Dybala. “Ele me ensinou que, na vida, há momentos que você tem que se levantar e lutar. Também me ensinou que não é inteligente se colocar em batalhas desnecessárias. É por isso que, quando as pessoas me comparam com Messi, eu digo que não há comparação. Ele já fez o que eu ainda estou tentando fazer, como ganhar a Champions League”.

Não dá para dizer que ele não tem razão. É dele que se espera muito para decidir o jogo com o Real Madrid. Depois de derrubar o time de Messi, pode fazer o mesmo com o de Cristiano Ronaldo. Uma excelente chance de se colocar entre os melhores do mundo. Não que isso suba à sua cabeça. O argentino parece ter os pés bem plantados no chão. E, cada vez mais, é o mundo que está aos seus pés.