Havia uma certa ansiedade sobre o que resolveria Bert van Marwijk em relação ao posto de atacante isolado da seleção holandesa que entraria em campo para enfrentar San Marino, na estreia pelo grupo E das Eliminatórias da Euro 2012. Já que Van Persie não poderia ocupar o posto, por lesão, ficava o questionamento: Van Marwijk seria conservador e apostaria em Huntelaar, substituto natural de Robin, ou apostaria na experiência que Van Nistelrooy traz de volta?

Pois o técnico escolheu o agora atacante do Schalke 04 – opção mais do que compreensível. Se bem que, contra os semiamadores sanmarineses, não havia muito o que temer. Tanto é que o time fez um primeiro tempo apenas correto, mas já conseguiu 2 a 0 no placar, com Kuyt e… Huntelaar. É, o mesmo que decepcionou em Real Madrid e Milan. E, se já estava bom para o nativo de Drempt, ficaria ainda melhor no segundo tempo, quando ele marcaria mais dois gols.

Porém, Van Nistelrooy teria sua oportunidade, entrando no lugar de Kuyt, aos 23 minutos do segundo tempo. E, no minuto final da partida em Serravalle, o camisa 22 do Hamburg fechou a goleada, marcando o que foi seu 34º gol envergando a laranja. Um gol que o isola como quarto maior artilheiro da história da seleção – a um gol de Faas Wilkes, o terceiro. E que o deixa próximo de um recorde: em partidas por Eliminatórias, o atacante já balançou as redes 21 vezes, ficando a um gol de se igualar a Cruyff como maior goleador. Ou seja, a sombra voltava a perturbar o titular escolhido por Van Marwijk.

Só que ninguém contava que Huntelaar voltaria a aparecer com destaque contra a Finlândia. Primeiro de cabeça, depois convertendo pênalti, “Hunter” fazia os gols que, depois se saberiam, seriam os da vitória por 2 a 1. Já eram cinco tentos, o que fazia do jogador o artilheiro das Eliminatórias para a Euro. E aí, ficava a dúvida: como tirá-lo do time? E quando Van Persie voltar, quem será o titular da camisa 9?

Trata-se, sem dúvida, de um daqueles problemas que todo técnico adora ter: os três atacantes têm capacidade técnica razoável para estarem na Oranje. Entretanto, pela fragilidade defensiva, fica difícil imaginar que Van Marwijk volte a escalar o time no velho e bom 4-3-3. Continuaria restando apenas uma vaga. E, por mais que Van Nistelrooy tenha um histórico satisfatório à frente da Holanda, não há segredo: os favoritos a ela são Van Persie, como titular, e Huntelaar, como reserva. Ambos têm menos idade (embora o jogador do Arsenal tenha propensões a contusão), e são os escolhidos costumeiros de Van Marwijk – que, geralmente, é pouco dado a surpresas. Isso tornaria a sequência do trabalho bastante tranquila.

E, caso Huntelaar recupere a boa forma no Schalke 04 – algo até plausível de se imaginar -, este cenário ficará ainda mais definido. O que diminuirá a dúvida. Caberá a Van Nistelrooy, além de gols, ter uma sequência maior de jogos. Pelo menos, o experiente avante parece ter recebido um incentivo extra com a convocação. Em entrevista ao jornal Hamburger Abendblatt, suas palavras foram: “A Euro 2012 é um bom objetivo, mas eu só olho as coisas a curto prazo. Se eu estiver em forma, eu vou. Já falei com o técnico.” Van Marwijk, por sua vez, mostrou que não tem reservas, ao elogiar o comandado novo: “Foi muito bom para ele, que é um apaixonado por jogar. Ter 34 anos, após tantas contusões, e voltar… é bonito de ver.”

Tirando o questionamento no ataque, a Holanda mostrou poucas coisas como novidade. Na lateral esquerda, fica claro que Pieters e Anita disputarão o espaço deixado por Van Bronckhorst – com vantagem para o jogador do PSV, com maior porte físico e melhor capacidade defensiva. Van der Vaart, por sua vez, foi outra boa surpresa, ao entrar bem contra San Marino, dando movimentação no meio-campo, e substituir o contundido Kuyt dignamente contra a Finlândia, sem colidir com Sneijder.

É verdade que a Holanda ainda mostra certa lentidão em campo, notada principalmente contra San Marino. Ela poderia ter causado problemas: logo após sofrer o gol de Mikael Forssell para os finlandeses, em Roterdã, uma pane na defesa quase provocou o empate, só evitado por intervenção valiosa de Van der Wiel. No entanto, pelo começo vitorioso, fica a certeza de que, continuando a atuar de modo concentrado, a Holanda não deverá ter problemas para estar em Polônia e Ucrânia, daqui a dois anos.

Ser honroso não é o bastante

Para uma equipe cheia de jogadores novos – e, ainda por cima, com Georges Leekens ainda começando o trabalho -, a Bélgica até que se saiu bem contra a Alemanha. Na base do esforço, os Diabos Vermelhos foram se segurando no Rei Balduíno. Até que uma falha de Van Buyten, no domínio de bola, permitiu aos alemães iniciarem, á beira da área, a jogada que resultou no 1 a 0 final, marcado por Klose.

Ainda que tivesse cometido uma falha compreensível, Van Buyten foi criticado pela imprensa belga. E respondeu, antes do jogo com a Turquia: “Os jornalistas estão aí para fazer o seu trabalho, e dar suas opiniões de maneira objetiva. Mas não é justo quando a opinião não se torna mais objetiva. Li coisas ruins nos últimos dias.”

Mas o experiente zagueiro foi mantido no time titular que enfrentou a Turquia. E foi um símbolo de como a Bélgica, pelo menos, luta: “Big Dan” marcou dois gols, chegando a abrir o placar para os belgas. Porém, a expulsão de Kompany atrapalhou o time, que se esforçou, mas não resistiu e caiu novamente, por 3 a 2.

Leekens apenas pôde lamentar o resultado: “No momento em que tínhamos o jogo perfeitamente sob controle, cometemos um pequeno erro e sofremos a derrota.” Entre reclamações a um certo rigor do árbitro Damir Skomina na expulsão de Kompany, ficou a certeza: a Bélgica, agora, demonstra mais raça. Mas não é o suficiente para vencer os dois rivais mais fortes do grupo A.