Belo Horizonte tornou-se a capital do futebol brasileiro em 2013. O lado preto e branco conquistou a Copa Libertadores, e o azul, o Campeonato Brasileiro. Cruzeiro e Atlético Mineiro estão com boas equipes, treinadores estáveis e situações financeiras minimamente razoáveis (embora o Galo esteja devendo alguns salários no momento). Às vésperas das eleições presidenciais, os conselheiros se perguntam: por que mudar? E a resposta nunca vem.

TEMA DA SEMANA: O seu clube também terá eleições para presidente, e você sabe o que esperar?

Gilvan de Pinho Tavares deve ser reeleito por aclamação no pleito da próxima quinta-feira, a não ser que uma chapa de oposição apareça de última hora, sem nenhum apoio, apenas para perder de lavada. Alexandre Kalil conseguiria coisa parecida, mas, depois de dois mandatos, não pode mais concorrer. Nada que afete a capacidade de fazer o seu sucessor, Daniel Nepomuceno, vice do Atlético desde 2008. As eleições serão em dezembro, e ainda há algum tempo para outras chapas se articularem, mas, por enquanto, não surgem vozes para reclamar da administração do atleticano. Nem do cruzeirense. E não devem surgir, pelo menos nos próximos meses.

Atlético Mineiro

Kalil tentou aproveitar a popularidade com os torcedores para levar um cargo público. Chegou a confirmar uma candidatura para deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro, depois de cogitarem o Senado e até mesmo o governo do estado, mas desistiu em agosto, às vésperas de começar a campanha. Entre os motivos, a queda do avião de Eduardo Campos, os rumos tomados pelo partido depois disso, e a situação na qual o clube se encontrava, que exigia toda sua atenção.

Ninguém sabe o que Kalil fará depois do fim do ano, porque, depois de dois mandatos consecutivos, não pode participar do pleito para presidente do Atlético Mineiro em dezembro. Apesar de alguns membros da diretoria terem sugerido que ele mudasse o estatuto para concorrer a mais uma reeleição, o próprio presidente recusou. “Eu vou embora em dezembro. Comigo não tem democracia, mas não tem golpe”, afirmou.

Você não leu errado. Ele admite que comanda o clube com mão de ferro e não tem nem pudor de usar a palavra “ditadura”. Mas, contrariando os rumos habituais da história, a sua tirania não fomentou um grupo de insurgentes oprimidos. Praticamente não há oposição no Atlético Mineiro, e Kalil deve fazer o seu sucessor.

O homem escolhido para isso é Daniel Nepomuceno, vice-presidente desde 2008, quando Kalil foi eleito pela primeira vez. Divide as suas atenções com a Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte e também é vice-presidente do diretório municipal do PSB. O seu braço direito ainda não foi escolhido.

Obviamente, uma chapa de oposição ainda pode aparecer, mas as chances de pelo menos assustar o grupo de Kalil são mínimas. Ele foi o último presidente do conselho na gestão anterior de Ziza Valadares, era o sucessor natural e nunca perdeu força. Ganhou o primeiro pleito com 271 votos, contra 130 do principal adversário, e o segundo com 235 (o rival mais próximo teve 79 desta vez).

Depois de uma derrapada pós-título da Libertadores e da saída de Ronaldinho Gaúcho, o Atlético Mineiro está brigando pelas primeiras posições no Campeonato Brasileiro e, como diz o ditado, em time que está ganhando não se mexe.

Cruzeiro
Gilvan de Pinho Tavares, presidente do Cruzeiro (Foto: Vipcomm)
Gilvan de Pinho Tavares, presidente do Cruzeiro (Foto: Vipcomm)

Gilvan de Pinho Tavares perdeu uma eleição em 2014. E até de forma meio feia. Recebeu apenas 38.400 votos para deputado estadual (0,37%) e foi o quinto mais votado do Partido Verde, cuja bancada na Assembleia Legislativa de Minas Geiras terá apenas quatro pessoas no próximo círculo eleitoral. Talvez tenha sido uma indicação do amadurecimento político do eleitor, que está aprendendo a separar o futebol da vida real, ou porque ele simplesmente não apresentou propostas concretas. Ou talvez os torcedores não queiram distrai-lo do ótimo trabalho que faz à frente do Cruzeiro.

Gilvan foi o primeiro homem em 17 anos a virar presidente do Cruzeiro sem ter “Perrella” no nome. Ganhou o pleito de 2011, com o apoio dos irmãos Alvimar e Zezé, do radialista Alberto Rodrigues, por 391 votos a 48. Assumiu um clube que havia escapado do rebaixamento na última rodada, enfrentou uma crise de atrasos de salários, mas superou tudo isso. Apostou em Marcelo Oliveira, montou um bom elenco e caminha com certa tranquilidade para ser bicampeão brasileiro, depois de já ganhar o título do ano passado. Por tudo isso, ele não tem como perder a eleição da próxima quinta-feira. Será reeleito por aclamação até 2017.

Não há chapa de oposição porque os grupos políticos adversários estão muito satisfeitos com a administração do clube (e também porque haveria uma possibilidade muito grande de perder de lavada). Opositores do grupo dos Perrella, como Antônio Claret Nametala e Fernando Torquetti, não vão se arriscar. Outro nome poderia ser o de Márcio Rodrigues, que apanhou de Alvimar (326 votos de diferença) em 2008, mas aderiu à situação.

Ele é o segundo vice-presidente do clube na atual gestão, mas será o primeiro na próxima. Ocupa o espaço de José Maria Filho, que vai deixar o cargo. José Francisco Lemos Filho, vice-administrativo, será o segundo vice-presidente geral. “A oposição do Cruzeiro é diferente dos outros clubes, nos quais, às vezes, cria-se até fatos políticos. Nós conselheiros do Cruzeiro queremos o bem do clube”, afirmou o presidente do conselho fiscal Anísio Ciscotto.

Evidentemente, é muito mais fácil adotar o discurso de união quando o time venceu 40 dos últimos 64 jogos de Campeonato Brasileiro e está com o bicampeonato brasileiro praticamente assegurado.

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