Está nos mandamentos de qualquer treinador que se preze a seguinte máxima: ajustar seu estilo e forma de jogo aos jogadores que se tem à disposição. Ou pelo menos deveria estar… A falta deste preceito básico pode ser colocada como fator primordial da queda de dois campeões sul-americanos no primeiro semestre, mas que tem sofrido demais na segunda metade do ano: Nacional, do Uruguai, e Emelec, do Equador.

As duas equipes trocaram de técnico na virada do semestre. No Nacional saiu Juan Ramon Carrasco, que apesar de campeão do Clausura e da temporada uruguaia não contava com a simpatia dos dirigentes – entre outros motivos pela péssima campanha na Libertadores – e entrou Marcelo Gallardo, que há menos de três meses ainda era jogador do próprio Nacional. No Emelec, saiu Omar Asad, campeão do Primera Etapa do Equador, e que foi para o Rosario Central, da mais prestigiada Liga Argentina. Para seu lugar veio justamente Juan Ramón Carrasco.

Após os títulos nos primeiros seis meses de 2011 a situação dos dois clubes é bastante complicada neste momento. O Nacional ocupa apenas a nona posição no Apertura 2011, enquanto o Emelec é o quinto colocado no Segunda Etapa. Mais do que a pontuação e colocação dos clubes na tabela, é alarmante a discrepância da forma dos dois times, algo expresso de forma clara nos números. No título do Clausura 2011 o Nacional teve 11 vitórias, apenas 1 empate e 3 derrotas, com 32 gols marcados e 13 sofridos. Na atual campanha já são 4 empates, apenas uma vitória, três derrotas, 8 gols sofridos em cinco jogos e apenas nove marcados. Ou seja, a equipe que vencia bem com atuações consistentes na defesa e no ataque se tornou insegura e ineficiente tanto na frente, quanto lá atrás.

Já o Emelec de 12 vitórias, 8 empates, duas derrotas, 31 gols marcados e apenas 15 sofridos deu lugar a um time titubeante. Em nove jogos foram quatro vitórias, dois empates e três derrotas, com 14 gols marcados e 6 sofridos. Não são números ruins, mas o desequilíbrio defensivo tem pesado na campanha. Apesar de serem igualmente decepcionantes, e passarem diretamente por seus comandantes, as razões para os fracassos de Bolsilludos e Electricos têm razões diferentes.

No caso do Emelec ela está bastante clara. Juan Ramón Carrasco se notabilizou em toda a sua carreira pela exigência de um futebol ofensivo em seus times. Mais do que fazer gols, ele ordena que seus jogadores atuem com a bola nos pés, valorizem a posse e troquem passes rápidos, o chamado “tiqui-tiqui”, adotado na seleção da Espanha e levado à quase perfeição pelo Barcelona. Acontece que o Emelec não era um time
para isso. Basta dizer que a conquista do Primera Etapa foi feita com um time armado no 3-6-1 que procurava, antes de qualquer coisa, se defender. Ganhava na base dos escanteios, bobeadas dos adversários e contra-ataques, mas tinha um jogo essencialmente reativo.

Talvez empolgado pelo sucesso no Nacional – embora a equipe tenha feito poucas grandes atuações no tal estilo Carrasco -, o treinador uruguaio chegou ao Emelec e mudou tudo. A equipe agora joga com a bola no pé, no 4-3-3 e procurando o gol. O problema é que, por mais que o intuito de Carrasco seja louvável, ele não tem jogadores para isso. Uma demonstração é o fato de o Emelec ter repetido apenas duas vezes a formação em nove partidas disputadas. Em outras palavras, apesar de ter trazido três reforços Brian Lugo, Nicolás Vigneri y José María Franco, o técnico ainda não descobriu quem são os limões para sua limonada ofensiva.

Já Gallardo tentou o oposto. Ao ver o Nacional campeão da temporada passada, justamente com Carrasco, com um bem sucedido 4-3-3, decidiu manter o estilo e a maneira de jogar. O problema é que Gallardo perdeu duas das três peças que faziam esse time funcionar. Na defesa Sebástian Coates, considerado por muitos jornalistas uruguaios o melhor jogador do campeonato, deixou o clube rumo ao Liverpool, enquanto no ataque,
Morro García – que apesar da má fase atual foi artilheiro isolado do campeonato uruguaio, com 23 gols – foi para o Atlético Paranaense.

Não fosse o bastante, a equipe ainda perdeu no setor defensivo o zagueiro e capitão Alejandro Lembo e no setor ofensivo o próprio Gallardo. Restou apenas a referência no meio, o volante Facundo Píriz. O problema é que mesmo com todas essas perdas, e a chegada de jogadores que claramente não estão no mesmo nível dos demais – o experiente Álvaro Recoba para o lugar do promissor Morro García, por exemplo -, Gallardo não alterou o
4-3-3 e nem o jeito de o Nacional jogar. Resultado: passadas cinco rodadas, a equipe se tornou temerosa na defesa e inefetiva no ataque.

Claro que a falta de reforços não é culpa de Gallardo, mas o fato de achar que sem os limões pode-se fazer a mesma limonada está custando caro à equipe que luta pelo seu 44º título de temporada. É hora de menos teimosia e mais pé no chão para os dois técnicos. Do contrário, em breve ambos poderão estar à procura não mais de soluções, mas sim de um novo emprego.

Mais uruguaias

– Após cinco rodadas, um clube está mais do que satisfeito com seu desempenho no Apertura 2011. O River Plate venceu quatro e empatou uma e lidera o campeonato, com 13 pontos. Na sequência aparecem Peñarol, Danubio, Cerro e Fénix.

Mais equatorianas

– Após o empate em 0 a 0 com o Emelec, o Deportivo Quito perdeu os 100% de aproveitamento, mas não a liderança. A equipe tem agora 25 pontos em 9 jogos. A segunda colocada é a LDU, com 16 pontos, seguida pelo Nacional, também com 16, e pelo Barcelona, com 15.

Colombianas

– Na Liga Postobón II, o Independiente Medellín fez 4 a 1 no Real Cartagena e lidera o campeonato: 10 pontos em quatro jogos. Nacional de Medellín, Atlético Junior, Santa Fe e Itagüi vêm na sequência, com oito pontos, mas cinco jogos.

Peruanas

– No Descentralizado 2011 segue a boa fase do Alianza Lima. A equipe bateu o Cobresol por 5 a 0 fora de casa e manteve os quatro pontos de vantagem ante o Juan Aurich: 45 a 41.

Paraguaias

– No Clausura 2011, enquanto os rivais Olimpia e Cerro se digladiam nas declarações e rivalizam nos tropeços, Libertad e Nacional aproveitam. O Libertad, mesmo com um jogo a menos, lidera o campeonato, após vitória por 3 a 0 ante o General Caballero. A equipe tem 14 pontos em seis jogos. Em segundo aparece o Nacional, que fez 3 a 2 no Rubio Ñu e somou também 14 pontos, mas em sete jogos. O Olimpia perdeu por 3 a 1 para o Luqueño e é o terceiro, enquanto o Cerro, que foi derrotado pelo Guaraní por 1 a 0, é o quarto.

Chilenas

– No Clausura chileno, o campeão do Apertura segue dando as cartas. A Universidad de Chile venceu mais uma – 3 a 0 no Unión San Felipe – e chegou a 21 pontos em sete jogos. O segundo lugar é do Colo Colo, que venceu a Universidad Española por 3 a 2, e tem agora 16 pontos. A Universidad Católica aparece em quarto lugar, com 14 pontos e atrás do Audax Italiano, que é o terceiro.

Venezuelanas

– No Apertura 2011 briga ferrenha pela ponta. O CD Lara fez 4 a 0 no Zamora e manteve a liderança, com 13 pontos em cinco jogos. Em segundo lugar está o Caracas, com 12, seguido por AC Mineros, com 11, e Yaracuyanos, com 10.

Bolivianas

– Na Bolívia o Real Potosí lidera o grupo A, com 7 pontos em três jogos. Na sequência aparecem Guabirá, com seis pontos, e Universitario Sucre, com 5. O Bolívar é apenas o quarto. Já no grupo B, o Aurora lidera com três jogos e três vitória, seguido por The Strongest, com sete pontos, e pelo Nacional Potosí, com seis.

– E como pressão pouca é bobagem, dois técnicos caíram no Bolivianão. Eloy Vargas foi mandado embora do La Paz, enquanto Luis Esteban Galarza foi dispensado do Real Mamoré. As duas equipes fizeram três jogos e perderam os três.