Dunga tentou, dentro dos seus escassos recursos. Na ausência de Casemiro, e de outro volante experiente – com o corte de Luiz Gustavo, havia apenas Walace disponível -, colocou Lucas Lima ao lado de Elias. Um time mais leve e com passe mais qualificado fez um primeiro tempo melhor do que vinha fazendo até aqui, o que não era grande coisa. Suficiente para ser a melhor primeira etapa da equipe na Copa América do Centenário. Mas ficou no zero a zero. Correu o risco. Um contra-ataque bem encaixado, uma cobrança de falta ou um lance fortuito era o que separava a seleção brasileira de um vexame sem precedentes. Jogada de Polo pela direita. Gol de Ruidíaz. Brasil eliminado.

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Apesar da ligeira melhora dos 45 minutos iniciais, os fatos são incontestáveis. O Brasil disputou 180 minutos de futebol contra Equador e Peru, duas seleções que estão longe de serem excepcionais, e não marcou nenhum gol. Não fosse o Haiti o quarto time do grupo, era capaz de a situação ser mais desastrosa. Foi a pior campanha da Seleção na Copa América, junto com 1987, quando também caiu na fase de grupos.

Naquela ocasião, o Brasil caiu em um grupo, com três times, que classificava apenas um. Goleou a Venezuela e foi goleado pelo Chile. Agora, com requintes de crueldade, foi o terceiro colocado em uma chave que passavam duas seleções. E como já foi dito, tinha como principais adversários o Equador e o Peru. Só conseguiu ganhar do Haiti. O vexame atual foi pior que aquele. Um vexame sem precedentes na história da Seleção na Copa América.

Isso se soma à campanha claudicante nas Eliminatórias Sul-Americanas, que deixa o Brasil na sexta posição. Neste momento, fora da Copa do Mundo de 2018. A Copa América do ano passado trouxe outra eliminação, para o Paraguai nas quartas de final, com um futebol pobre.

O Brasil não está perdendo apenas das grandes seleções do continente (Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia), mas também de equipes mais fracas, com pouco talento à disposição, que não deveriam causar tanto problema para uma geração brasileira que, se não é a melhor da história, está longe de ser ruim.

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Dunga pediu continuidade na sua entrevista coletiva pós-jogo. Reclamou da arbitragem, que não anulou o gol de Ruidíaz, que de fato foi com a mão. Colocou a culpa da eliminação no imponderável, mas não explicou como seu time chegou aos 30 minutos do segundo tempo da terceira rodada suscetível a ser eliminado se o vento batesse um pouco para cá ou um pouco para lá. Também não mencionou que, na primeira rodada, o árbitro transformou uma derrota em empate ao anular o frango que Alisson levou. Desta vez, o apito transformou o empate em derrota.

Foi gritante a apatia do treinador diante da melhora do Peru no segundo tempo. Gareca trocou uma peça, o volante Balbín por Yotún, que atua como lateral esquerdo ou meia esquerda. Apertou a marcação e sem demoras tornou-se o melhor time no Gillette Stadium. Dunga não teve reação. Nem arrumando as peças que já estavam em campo, nem nas substituições. Trocou Gabriel por Hulk, seis por meia dúzia, e foi eliminado da Copa América ainda com duas substituições por fazer.

Lembrou as quartas de final da Copa do Mundo de 2010, quando ele também observou a seleção brasileira sendo eliminada, pela Holanda, e não fez todas as substituições que tinha ao seu dispor. É verdade que não havia grandes opções seis anos atrás, graças à sua convocação ruim, mas desta vez contava com Jonas, Lucas Moura e Ganso, todos em boa fase, para tentar mudar o destino do time.

Mas não fez nada em uma atitude (ou falta de) que simboliza melhor do que tudo o grande problema de ter Dunga no comando do Brasil: a ausência quase total de ideias. Deixa claro que não sabe o que está fazendo. Que não sabe resolver os problemas. Que qualquer time relativamente organizado que consiga ter uma boa ideia torna o Brasil um time pouco eficiente.

Não lhe faltam peças, não lhe faltaram jogadores para atuar como quisesse. Não conseguiu ter um estilo de jogo, nem mesmo aquele pragmatismo que teve na sua primeira passagem, de 2006 a 2010, quando o futebol era pobre e só havia plano A, mas ao menos existia um plano. O futebol era ruim, mas ele se segurou com resultados que conseguiu, a duras penas. Agora, nem isso.

O futebol continua ruim, não há ideia de jogo. Não há evolução. Os resultados em amistosos mascararam e até deram a falsa impressão que o time poderia ser competitivo. Nos jogos para valer, nunca foi. Não foi eliminado por um lance fortuito, por um erro de arbitragem. Foi eliminado por ter jogado pouco futebol. Não conseguir ser melhor nem que Equador, nem que Peru, que têm, ambos, times muito piores que o Brasil.

Repetindo a mensagem dessa capa da revista Trivela, no final de 2009, Dunga não pode mais ser técnico da seleção brasileira. Precisa sair agora.

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