O atacante Dudu é um dos melhores jogadores do Brasil desde 2015, com consistência e sendo importante todos os títulos conquistados pelo Palmeiras nesse período. Foi uma Copa do Brasil e dois Campeonatos Brasileiros que o alviverde venceu, sendo que mesmo nos anos que o time não ganhou taça, ele foi destaque, como em 2019. Apesar de ser constante destaque no seu time e no futebol brasileiro, não recebeu chance na seleção brasileira. E o jogador abriu o jogo sobre o assunto, em entrevista nesta sexta.

Ao ser perguntado pelo comentarista Mauro Beting, do Esporte Interativo, sobre a falta de chances na Seleção, Dudu confessou que ficou triste. “Ah, eu não sei, isso acho que o treinador que tinha que explicar. Porque desde 2015 para cá eu venho sendo um dos destaques do Brasil e sempre que chega um jogador, se destaca um, dois, três meses e eles têm a chance na Seleção, e a gente aqui do Palmeiras não tem”, disse o camisa 7 do Palmeiras.

“Às vezes falam que é porque eu não faço muitos gols, mas ano passado eu fui o artilheiro da equipe, terminei como o que mais dá passes para gols, desde 2015 para cá eu estou sempre nas seleções dos campeonatos. Então a gente deixa essa resposta para os treinadores. Sei que eles têm os jogadores deles também, a prioridade dele está às vezes nos jogadores da Europa, mas eu acho que quando ele convoca alguns jogadores do Brasil e não me convoca a gente fica triste”, afirmou o jogador do Palmeiras.

Embora não tenha sido líder de assistências em 2019, ficando atrá se Giorgian De Arrascaeta, que teve 14, contra 11 de Dudu, o jogador do Palmeiras é destaque nesse quesito desde que chegou ao clube. Em 2018, foi o líder disparado em assistências, com 14, o dobro do segundo colocado, Yimmy Chará, do Atlético Mineiro.

Em 2017 fez cinco assistências, contra 12 do líder, Gustavo Scarpa. Em 2016, foi líder em assistências junto com Gustavo Scarpa, com 10. Em 2015, seu primeiro ano no Palmeiras, fez sete assistências no Brasileiro, com Jadson, do Corinthians, em primeiro com 12. O jogador é realmente um dos que mais dá assistências no período.

“Mas eu não tenho essa gana, algo como ‘não vou para a Seleção, é um desastre’. Não, para mim, o importante é aqui no Palmeiras, o importante é estar bem aqui no Palmeiras, estar ajudando o Palmeiras, que aqui é o meu dia a dia, aqui é a minha vida. A Seleção é um prêmio para o jogador, se vier, legal, se não vier, tenho minha cabeça tranquila, fiz o meu melhor aqui no Palmeiras para ser um dia convocado”, concluiu o atacante.

Talvez Dudu sequer se firmasse no elenco, dado que a sua posição tem um grande número de jogadores. Isso, porém, só poderia ser constatado se ele fosse convocado e jogasse. Dudu teve duas convocações. Uma foi no amistoso em homenagem às vítimas do acidente da Chapecoense, no em janeiro de 2017. Foi um amistoso entre Brasil e Colômbia, no Engenhão, apenas com jogadores que atuavam nas ligas locais.

Dudu fez o gol da vitória por 1 a 0, em um jogo que é difícil de avaliar qualquer coisa, dada a circunstância e o time que era basicamente um catado. Depois, em março daquele ano, ele foi chamado para substituir o lesionado Douglas Costa nos jogos contra Uruguai e Paraguai, pelas Eliminatórias. Não entrou em campo em nenhum dos dois jogos.

A posição de Dudu de fato tem muitos jogadores, como o mais recente que ganhou seu espaço, Everton Cebolinha, do Grêmio, merecidamente no grupo. Fez uma Copa América sensacional, que o colocou à frente de outros jogadores badalados, como Douglas Costa, por exemplo, que ficou muito tempo fora por lesões. Quando Neymar se machucou, antes do início da Copa América, Tite foi na bola de segurança e chamou Willian, que até foi bem nos jogos que esteve presente.

É verdade que surgiram mais jogadores para atuar pelos lados de campo no ataque, como Rodrygo e Vinícius Júnior do Real Madrid, e que já há outros jogadores que atuam pelos lados de campo que vivem bons momentos, como David Neres, do Ajax, e Richarlison, do Everton. Mas, mesmo assim, Dudu, não teve chances, mesmo nos seus momentos de ápice – e ele raramente tem tido fases ruins desde 2015.

Dudu nunca teve uma chance de verdade, algo que outros jogadores no Brasil já tiveram. Se pensarmos que jogadores como Muralha, ex-Flamengo e atual Coritiba, já foi convocado, enquanto outros, como Vanderlei, ex-Santos e atualmente no Grêmio, nunca foi, realmente não é algo muito fácil de entender. É claro que os técnicos sabem de muito mais do que os torcedores e jornalistas, com detalhes do dia a dia, comportamento e tudo mais. Só que mesmo isso só seria possível avaliar convocando.

Há alguns jogadores que nem sequer são destaques mais e ganharam chance em algum momento, tal qual Muralha, como Rafael Carioca, ex-Atlético Mineiro e que começou no Grêmio, atualmente no Tigres, do México. O técnico também chegou a convocar Rodriguinho, ex-Corinthians, atualmente de saída do Cruzeiro.

Segundo o UOL apurou, em matéria de Arthur Sandes e Danilo Lavieri, a comissão técnica da seleção brasileira não considera que Dudu cumpra taticamente em campo aquilo que muitas das opções de ataque fazem em seus clubes. Uma justificativa similar à que se usava para não convocar Luan, Rei da América em 2017, quando o seu Grêmio conquistou a Libertadores e ele foi o principal jogador do time.

Claro que é importante entender se os jogadores podem cumprir as funções pensadas pelo técnico, até porque isso é crucial para que o time tenha bom funcionamento. O problema é que isso parece ser muito limitador e Tite não parece disposto nem mesmo a tentar algo, nem que seja para colocar em campo e comprovar o que pensa. Acaba dando razão a quem diz que ele sempre chama os jogadores que ele conhece.

Tite faz poucos testes da Seleção e isso atrapalha o time no longo prazo. É importante ter opções e o técnico não parece ter medo de convocar quem ele considera adequado, como foi com Renato Augusto e Paulinho, quando ambos estavam na China. Foi uma aposta pessoal do técnico, que rendeu bem nas Eliminatórias e ele acabou levando à Copa – onde nenhum dos dois rendeu o esperado, um por não estar 100% fisicamente, o outro porque foi mal tecnicamente.

O técnico também não se preocupou com críticas quando chamou jogadores como Ismaily e Taison, do Shakhtar Donetsk, sabendo que seria questionado. Taison, aliás, foi convocado algumas vezes pelo treinador durante o período de Eliminatórias, embora quase sempre para ficar no banco. Taison, inclusive, foi para a Copa do Mundo, talvez a maior surpresa do treinador entre os 23 convocados. Claro, sequer entrou em campo durante a Copa do Mundo na Rússia.

Por tudo isso, é difícil justificar a ausência de Dudu das convocações por tanto tempo. O jogador segue jogando bem, como foi em 2019, e nem mesmo após a Copa América, que se esperava um pouco mais de testes, o palmeirense foi cogitado. A entrevista de Dudu tem como pano de fundo uma reclamação de clubismo, o que não parece ser o caso. Ainda assim, Tite se expõe a esse tipo de acusação quando parece sempre disposto a dar chance a alguns jogadores, como foi com Taison, mas não com Dudu – mesmo que o ex-Colorado seja bom jogador.

Tite já poderia ter convocado e colocado para jogar em um dos muitos inúteis amistosos que o time faz. Não o fez. Agora, na próxima data Fifa, o Brasil começa a disputa das Eliminatórias e certamente o treinador não fará testes. Provavelmente sequer convocará alguém novo para a Seleção. E, assim, se aproxima mais uma Copa América que, tudo indica, terá os mesmos jogadores de sempre.