É de se lamentar o noticiário que vem da França nesta segunda-feira, com as informações sobre o incêndio que atingiu a Catedral de Notre-Dame. Felizmente, não há o registro de vítimas fatais no incidente, embora um bombeiro tenha sido internado em estado grave por seu trabalho no combate ao fogo. E o desastre também deixa um vazio pelo marco da cultura ocidental que acaba sendo consumido pelas chamas, mesmo que se prometa a reconstrução. Acima do emblema religioso, uma parte significativa da história da França e da Europa passa por aquele local. Fica em xeque a maneira como este passado será recontado no futuro.

De símbolo gótico durante a Idade Média a local de culto à razão após a Revolução Francesa, da coroação de Napoleão em 1804 à festa pela libertação de Paris na Segunda Guerra Mundial, Notre-Dame foi cenário em comum a diferentes momentos históricos. E, de certa maneira, o esporte também transitou neste ambiente. Maratonas, regatas e até mesmo o Tour de France passaram por ali. Já ao futebol, o monumento se transformou em um ponto de encontro aos torcedores. Para homenagear a catedral, resgatamos duas fotos em que o fanatismo a circunda.

A primeira imagem é de 1998, quando telões foram montados na praça onde Notre-Dame está localizada para transmitir os jogos da Copa do Mundo. No registro de Julio Etchart, os franceses se amontoam até em um poste para ver a classificação contra a Itália nas quartas de final. Um sinal de orgulho, enquanto o país sediava a competição. Já a segunda fotografia é mais recente, de 2018. O prédio medieval serve de pano de fundo à festa popular pela classificação à final do Mundial da Rússia. Há inclusive uma bandeira da derrotada Bélgica, entre as dezenas de Bleus que entopem as ruas e sobem no ônibus. Prenúncio da erupção que viria após a vitória na final, contra a Croácia.

Vale ressaltar, também, que diferentes entidades e personalidades ligadas ao futebol manifestaram o seu pesar nesta segunda. Nas redes sociais, clubes como Paris Saint-Germain, Paris FC e Bordeaux se posicionaram sobre o assunto, da mesma maneira como diversos esportistas – a exemplo de Paul Pogba, Kylian Mbappé, Franck Ribéry e Neymar. Um pesar compartilhado, diante da história em chamas.