Qual o melhor centroavante do século 21? Podemos citar Andriy Shevchenko ou Thierry Henry. Preferir Ruud van Nistelrooy ou Samuel Eto’o. Apreciar os feitos de Raúl González e de Miroslav Klose, maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Impossível esquecer Ronaldo Fenômeno. Todos esses jogadores têm algo em comum: nasceram na metade final dos anos setenta e compartilham geração com Didier Drogba, que completa 40 anos, neste domingo.

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Onde Drogba estaria entre eles? Talvez tecnicamente nenhum se compare a Ronaldo, Henry ou Shevchenko, que estouraram antes, mas Drogba era um grande exemplo da combinação entre força física e técnica, um dos grandes artifícios do futebol moderno. Ainda tinha um poder de decisão ímpar. Independente da preferência, o marfinense certamente está na discussão.

Drogba foi contratado do Olympique Marseille, em 2004, no começo do projeto Abramovich. Precisou de um tempo de adaptação, sendo titular em apenas metade das partidas dos dois primeiros títulos sob o comando de José Mourinho. Disputava posição com Hernán Crespo, outro grande atacante daquela época. Em 2009/10, com Carlo Ancelotti, a história diferente. O Chelsea foi campeão, com o marfinense em campo em 32 das 38 rodadas, 31 desde o começo, e Drogba foi o artilheiro da competição com 29 gols.

A lenda de Drogba em Stamford Bridge foi construída principalmente nas copas inglesas. Ele tinha um faro de gol impressionante nas partidas decisivas. Marcou em sete dessas finais, ou, em outras palavras, todas que disputou na primeira passagem: três Copas da Liga Inglesa, quatro Copas da Inglaterra. O Chelsea perdeu apenas uma delas (Carling Cup de 2008, para o Tottenham). Em 2014/15, retornou ao clube para uma última temporada e entrou no minuto final da decisão da Copa da Liga Inglesa contra o Spurs. Claro que não marcou.

Outra final que Drogba jogou, por muito mais tempo, e não fez gol foi a da Champions League, em 2008, contra o Manchester United. Mas o marfinense alcançaria a redenção em grande estilo, quatro anos depois. Subiu muito, muito alto para cabecear o escanteio de Juan Mata, aos 43 minutos do segundo tempo, e empatar a final europeia contra o Bayern de Munique, na Allianz Arena, de todos os lugares. E ainda foi o responsável pelo último pênalti, o que sagrou o título mais importante da história do Chelsea.

A capacidade que tinha para decidir finais para o Chelsea, infelizmente, não se repetiu com a seleção marfinense. Líder da sua geração e maior artilheiro da história do time nacional, Drogba ajudou a Costa do Marfim a disputar três Copas do Mundo. Contribuiu também com duas finais de Taça Nações Africanas, mas perdeu as duas, sem marcar nenhum gol e, embora certamente tenha ficado feliz pelos companheiros, teve que assistir ao título de 2015 do lado de fora.

Didier Drogba teve passagens pelo Galatasaray e pela China, depois do Chelsea, e esteve os últimos anos no futebol dos Estados Unidos. Defendeu o Montreal Impact, da Major League Soccer, e comprou o Phoenix Rising, da United Soccer League, atualmente a segunda em importância. Ano passado, anunciou que sua última temporada como jogador de futebol profissional seria em 2018, encerrando uma carreira das mais premiadas.