O meio-campo foi um problema do Everton na última temporada, e, em março, Carlo Ancelotti identificou uma questão em particular: “É uma área em que precisamos de mais energia, eu acho. Isso não significa que não estou feliz com os jogadores que tenho, mas, se estamos pensando em melhorar, esse é um aspecto em que podemos fazê-lo”.  O que mais denota que o italiano não estava feliz c0m os jogadores que tinha para a posição é que ele achou necessário importar um meio-campo inteiro nesta janela de transferências, e a última peça, Abdoulaye Doucouré, é justamente a que mais injetará essa energia ao setor.

O meia francês de 27 anos era um desejo antigo do Everton. Antecessor de Ancelotti, Marco Silva tentou contratá-lo na temporada passada, como havia feito com Richarlison, mas o Watford, ex-clube do português, fez jogo duro. Com o rebaixamento, não dava mais para segurar, e o negócio foi fechado em aproximadamente £ 20 milhões. Uma pechincha por um dos melhores meio-campistas da Premier League, fora do grupo de elite.

Apenas o olhômetro já seria suficiente para saber que Doucouré se encaixa perfeitamente no que Ancelotti estava buscando. É aquele meia que corre o tempo inteiro, de uma área à outra, competente na defesa e com boa chegada ao ataque. Fez quatro gols na última campanha, o que pode parecer pouco em números absolutos, mas é relevante em um time que anotou apenas 36. Foi o terceiro artilheiro do time, ao lado de Deulofeu, e atrás de Ismaila Sarr (5) e Deeney (10).

No final de maio, antes da retomada da Premier League, a Sky Sports publicou as estatísticas de distância percorrida da temporada até aquele momento, e Doucouré aparecia em terceiro lugar, com um acumulado de 309,57 kms, atrás de Declan Rice (317 kms) e Ward-Prowse (334 kms).

“Posso trazer minha energia. Sou um jogador poderoso, posso correr muito, o jogo inteiro”, afirmou, ao site do Everton. “Também posso fazer gols. Farei o meu melhor para marcar e ajudar o time. Faz tempo que queria vir para cá. Eu tive interesse de outros clubes, mas, desde o começo, o Everton mostrou interesse em mim e meu agente me disse para focar no Everton. Era o único clube para o qual eu queria ir. O Everton tem uma grande história no futebol inglês e é um bom clube para eu dar um passo à frente na minha carreira”.

Assim como o Everton espera que Doucouré o ajude a dar um passo à frente na Premier League. O meio-campo foi o setor mais problemático na última temporada. A saída de Idrissa Gueye deixou um vácuo, inclusive e principalmente de energia, que Gbamin nem teve a chance de suprir porque passou quase o campeonato inteiro machucado. Ancelotti não conseguiu fixar uma dupla de meias, com o garoto Tom Davies ganhando mais minutos ao lado de André Gomes, Delph e Schneiderlin.

Agora, difícil que essa dupla não seja Doucouré e Allan – outro que também tem bastante vitalidade – atrás de James Rodríguez, um trio de meio-campo que deve muito pouco para os melhores da Inglaterra. Em uma comparação com os dos integrantes do top 6, é, em teoria, mais interessante que os de Arsenal e Tottenham, por exemplo.

Ainda há outras posições que poderiam ser reforçadas se o Everton quiser dar o salto que há tanto tempo espera dar, mas, sabe como dizem, não é? O meio-campo é o coração de qualquer time.

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