Para quem quer ver o copo meio cheio, o Borussia Dortmund conquistou uma grande vitória pela Bundesliga neste sábado. Derrotou o Borussia Mönchengladbach fora de casa por 3 a 2, em jogo com duas viradas e no qual anotou o gol decisivo aos 42 do segundo tempo. No entanto, para quem já perdeu a paciência com a inconstância dos aurinegros, os dois gols sofridos incomodam. Não exatamente pelo número, e sim pela forma. Como tem ocorrido com frequência nas exibições da equipe de Thomas Tuchel, os erros preponderaram e deixaram o resultado em risco. Por sorte, o ataque conseguiu ser mais efetivo e também não perdoou as falhas do outro lado. Ainda assim, em um momento no qual o principal objetivo na Bundesliga é modesto (assegurar a vaga direta na fase de grupos da próxima Liga dos Campeões), o clube precisa observar além, pensando no fortalecimento para a próxima temporada.

Não dá para ignorar as dificuldades que o Borussia Dortmund vem enfrentando nas últimas semanas, sobretudo após o ataque à bomba sofrido pelo elenco. Independentemente disso, os problemas defensivos vêm de bem antes. O ataque intenso, quando não funciona também, não consegue ser compensado pela segurança atrás. Os tropeços são frequentes. E, diante do Monaco na Champions, por mais que os monegascos tenham os seus méritos, não dá para negar as bobeiras que os alemães deram. O trabalho do ótimo ataque alvirrubro foi facilitado pelas decisões questionáveis de Thomas Tuchel e pelos vacilos de seus jogadores.

Neste sábado, o Dortmund até pareceu disposto a escrever uma história diferente. Aproveitando um pênalti mal marcado pelo árbitro, em falta cometida fora da área pelo futuro aurinegro Mahmoud Dahoud, Marco Reus abriu o placar com 10 minutos de jogo. Mas entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, os erros foram fatais. Um passe ruim de Mikel Merino deu a chance para Lars Stindl empatar. Já na volta do intervalo, Marcel Schmelzer mandou contra as próprias redes, desviando cruzamento de maneira desastrada. Pressionando, o Dortmund contou com um presente de Jannik Vestergaard para empatar, com Pierre-Emerick Aubameyang. Já no finalzinho, Guerreiro desviou a falta cobrada por Gonzalo Castro para virar o herói. Pelas circunstâncias, ainda assim merecido.

Fato é que as peças à disposição da defesa do Borussia Dortmund não são as melhores. O time sente a falta de Mats Hummels, ao mesmo tempo que não houve reposição à altura, e mesmo alguns nomes antigos não rendem da melhor maneira. Se a linha de frente tem margem à evolução, a preocupação da diretoria para se reforçar atrás deveria ser evidente. Ömer Toprak foi o primeiro contratado para o setor à próxima temporada, embora não seja um nome que pareça tão à frente das opções atuais. O investimento é mais do que necessário.

Enquanto isso, as dificuldades nos grandes jogos colocam Thomas Tuchel na berlinda. Que seu trato com jovens jogadores seja muito bom e ele saiba dar intensidade ao ataque, os erros táticos e a vulnerabilidade do time incomodam. Falta equilíbrio. E ainda há quem torça o nariz às escolhas nas substituições, bem como às oscilações ao longo da temporada. Obviamente, o elenco é jovem e podem ganhar tarimba nos próximos anos. Mas nem todos os problemas se devem à inexperiência dos jogadores. Queimar o técnico nunca é o melhor caminho. De qualquer maneira, o questionamento se faz pertinente, até para a melhora do rendimento da própria equipe.