Depois de uma ameaça de locaute na liga, a Associação dos Jogadores da MLS (MLSPA) votou na terça-feira à noite e quarta-feira pela manhã o plano para votar a jogar da MLS. A entidade sindical anunciou que a proposta foi aprovada e um novo acordo coletivo de trabalho foi ratificado por jogadores e pelos donos dos clubes. Isso significa que a MLS pode voltar depois da paralisação pela pandemia da COVID-19 no dia 12 de março. Será feito um torneio de verão na região de Orlando.

Quase 48 horas depois das negociações terem travado e uma ameaça de greve patronal emergir, levando jogadores a protestarem na última segunda-feira ao não comparecerem aos treinamentos, um acordo foi alcançado. Isso aconteceu porque a MLS modificou a sua proposta, tirando um dos pontos mais polêmicos: a possibilidade da liga acionar a cláusula de força maior para sair do acordo, caso as receitas com bilheterias caíssem 25% ou mais.

Os jogadores já tinham incluído uma cláusula de força maior pela pandemia, caso haja uma segunda onda, que a liga ou os próprios jogadores podem acionar com um aviso prévio de 30 dias. Segundo fontes ouvidas pelo The Athletic, a cláusula proposta pela MLS é praticamente idêntica àquela aprovada pelos jogadores no último domingo, o que soa como uma tentativa de fazer o acordo passar e permitindo à liga retornar às atividades e jogos.

Outro tópico que causava discórdia entre jogadores e liga era o chamado Incremental Media Revenue (IMR), ou “Aumento de Receita de Mídia”, em tradução livre. A cláusula previa que qualquer aumento de receita por direitos de TV que excedesse em US$ 100 milhões em relação ao contrato de 2022 iria para o orçamento para salários e dinheiro de alocação geral (que pode ser usado também para salários). A discordância entre as partes era sobre a porcentagem que iria para os jogadores.

A proposta dos jogadores era que 25% do total do aumento acima de US$ 100 milhões iria para o orçamento de salários e também para dinheiro de alocação de cada um dos clubes, igualmente, a partir de 2023, quando o novo acordo entra em vigor. A liga, através dos clubes, propôs uma porcentagem menor no primeiro ano, 2023, de 10%, e só subir para 25% no ano seguinte, 2024, segundo informou a ESPN americana. Os jogadores fizeram uma contraproposta de 17% para 2023. O acordo aprovado teria sido de uma contraproposta da liga de 12,5%, segundo o The Athletic.

Depois do imbróglio que ameaçou a liga a entrar em locaute, uma greve patronal, houve uma nova rodada de negociações. Na terça-feira pela manhã, a comissão da MLSPA fez uma reunião por videochamada para discutir as mudanças propostas pela MLS. Em seguida, foi feita uma reunião com os jogadores, seguida por reuniões individuais dos times e, por fim, uma votação.

As negociações entre liga e jogadores tem se arrastado por meses. Os donos de clubes querem mitigar as perdas econômicas ocorridas durante a paralisação por causa da pandemia. Enquanto isso, os jogadores querem sua própria proteção para retornarem de forma segura aos gramados.

Entre as questões que já estavam resolvidas na proposta anterior estava a redução salarial. Os clubes queriam uma redução de 8,75%, mas os jogadores aceitaram uma redução de 7,5%, o que foi acordado. Outros tópicos já tinham sido aceitos pela Associação dos Jogadores, como adiamento de aumentos de salário por um ano e também limitar os bônus individuais e por equipe, além de estender o acordo até 2025.

Com tudo acertado, o futebol deve retornar no torneio de verão em Orlando, no complexo esportivo ESPN Wide World of Sports, da Disney, na região de Orlando. Os times irã para a Flórida no dia 24 de junho e treinarão por duas semanas, se preparando para os jogos. Serão três jogos na fase de grupos, que irão contar para a fase regular da MLS, além de jogos eliminatórios em seguida. O formato ainda tem detalhes a serem definidos. Será distribuído uma premiação de US$ 1 milhão e irá ajudar ações filantrópicas nas regiões de cada clube.

Os jogadores terão a prerrogativa de não jogarem se apresentarem condições específicas, como questões médicas ou familiares, como por exemplo estar com a esposa grávida. Jogadores que se ausentarem sem justificativa poderão sofrer penas estritas. Os jogadores e toda a comissão técnica e funcionários dos clubes ficarão isolados durante o torneio nos hotéis. Havia a expectativa de usar a o resort de Coronado Springs, mas a NBA deve ficar com o complexo. Outras redes de hotéis estavam sendo verificados para a hospedagem de todos os clubes.

A ideia da MLS é retomar a temporada regular depois do torneio de verão em Orlando, com a esperança que a situação da pandemia da COVID-19 esteja mais controlada e mais amena.