Desde a criação da Gambrinus Liga em 1993/94, o Sparta Praga abocanhou 11 das 18 edições do campeonato nacional da República Tcheca. Das sete edições em que não saiu vencedor, foi vice em cinco oportunidades. As duas piores colocações foram nas campanhas de 1995/96 e 2005/06 quando terminou respectivamente em quarto e quinto na tabela. E na atual temporada tudo indica que o maior campeão do país caminhará para o décimo segundo título da Gambrinus Liga (o Sparta é ainda detentor de 24 canecos da antiga Liga da Tchecoslováquia).

O início do time na Liga é o melhor da história do Sparta e da própria Gambrinus Liga. Ao final de 11 rodadas, os comandados do técnico Martin Hasek ganharam 10 partidas e perderam apenas uma. O Sparta venceu as primeiras nove partidas do campeonato, fato inédito até então. Antes da atual temporada, o melhor aproveitamento do clube tinha sido em 2004/05, quando nos 11 jogos iniciais conquistou nove vitórias e dois empates. A gordura adquirida nesse começo de campeonato já é considerável. O Jablonec, segundo na tabela, tem 22 pontos, oito a menos do que o Sparta. Em terceiro aparecem o Viktoria Plzen e o Slovan Liberec com 21 pontos.

Boa parte do bom desempenho se deve ao fato do Sparta não dividir suas atenções com competições europeias, já que caiu precocemente nos play-offs da Liga Europa frente ao Vaslui da Romênia. É verdade que a decepção pela queda foi grande, mas a menor quantidade de jogos têm ajudado, principalmente se comparado com o número de partidas do Viktoria Plzen, atual campeão e principal rival na luta pelo título, e que disputa a fase de grupos da Liga dos Campeões.

Outro ponto merecedor de destaque é a defesa que levou apenas sete gols nos 11 jogos disputados. Em sete partidas a retaguarda saiu de campo sem ser vazada. E se for desconsiderado o placar da única derrota do time até então (3 a 0 em casa para o Slovan Liberec, num resultado extremamente atípico, quando com menos de dez minutos de jogo o Sparta já perdia por 2 a 0), o desempenho defensivo fica ainda mais impressionante.

O ataque também tem feito o seu papel sendo o segundo melhor do certame, com 24 gols marcados. O atacante camaronês Kweuke é o artilheiro da equipe até o momento com cinco gols. Logo atrás está o meio campista eslovaco Grajciar com quatro tentos assinalados.

Os confrontos contra os principais concorrentes ao título também evidenciam a força do time, que embora tenha caído em casa para o Slovan Liberec, bateu o Jablonec e o Plzen (fora de casa). Depois de passar em branco na temporada passada, o Sparta volta com tudo para recuperar o primeiro lugar na tabela. Se mantiver o ritmo a questão será em qual rodada comemorará a conquista.

Lafatadependência

 

Se o Sparta é disparado o principal time da Gambrinus Liga, o posto de grande jogador por enquanto cabe a Lafata, atacante do Jablonec. Lafata possui 14 gols marcados em 11 jogos e é disparado o artilheiro máximo do campeonato. Os vice-artilheiros têm apenas cinco gols marcados, ou seja, com mais um gol Lafata teria o triplo dos principais concorrentes.

O grande desempenho ofensivo de Lafata tem refletido na postura do seu clube. O Jablonec possui 32 gols marcados em 11 jogos, média de quase três por jogo. Na temporada passada, Lafata já havia sido o artilheiro da Gambrinus Liga com 19 gols marcados em 29 partidas. Se mantiver o passo o avante de 30 anos deve ultrapassar com folga a marca da campanha passada. Para azar da seleção da República Tcheca, Lafata não consegue ter o mesmo desempenho com a camisa nacional, onde já disputou 13 partidas e assinalou apenas dois gols. Mesmo com o bom momento não é o atacante preferido do técnico Michal Bilek.

Maldito azar

E a Bósnia comprovou que se depender da sorte terá sempre um árduo caminho pela frente. No sorteio para a repescagem da Euro 2012, os bósnios duelarão mais uma vez contra a seleção de Portugal, algoz na repescagem para a última Copa do Mundo, quando saiu derrotada no placar agregado de 2 a 0 (dois reveses por 1 a 0). Como mencionado na coluna anterior, a Bósnia não deverá entrar como favorita contra os portugueses, mas no mínimo dará muito trabalho a Cristiano Ronaldo e companhia. Inclusive como time, talvez a Bósnia esteja mais ajustada, o que não significa que seja superior tecnicamente a Portugal.

E o sorteio também reservou um adversário indigesto para a Croácia: a Turquia de Gus Hiddink. Este deverá ser outro duelo de muito equilíbrio e que também terá um sabor de revanche para os croatas, já que na última Euro os turcos os eliminaram nas quartas de final nas cobranças de pênaltis após fazer o gol de empate no último minuto da prorrogação. Provavelmente este será o confronto mais equilibrado da repescagem, sendo difícil apontar um favorito.

Se as bolinhas não ajudaram Bósnia e Croácia, Montenegro e República Tcheca não têm muito do que reclamar, já que as duas seleções se enfrentaram com boas possibilidades de classificação para cada uma delas. A República Tcheca trará consigo a maior experiência em competições, enquanto Montenegro busca a inédita vaga, já que se tornou independente apenas em 2006. Essa é a segunda eliminatória disputada pelo país. A tendência é de que seja um duelo de poucos gols, já que a defesa da República Tcheca sofreu apenas oito gols em oito partidas ao passo que a de Montenegro foi vazada só sete vezes no mesmo número de jogos. Os ataques também foram econômicos com 12 e 7 gols marcados respectivamente.

Palpites da coluna: Bósnia apronta a surpresa da repescagem sobre Portugal, Croácia cai frente a Turquia e Montenegro disputa pela primeira vez a Euro.


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