Dominantes, experientes e campeãs. A campanha dos Estados Unidos na Copa do Mundo termina mais uma vez em título, como foi em 1991, 1999 e 2015. As americanas foram superiores durante toda a Copa, mostraram um futebol de alto nível e conseguiram, em campo, exercer uma força que se sabia que elas tinham. Na final diante da Holanda, as americanas tiveram dificuldade, especialmente no primeiro tempo, mas foram melhores o tempo todo e venceram por 2 a 0 em Lyon. Chega, assim, ao quarto título mundial, tetracampeã do mundo.

Uma seleção gigante, consagrada por um time gigante. Ninguém joga como as americanas e os americanos poderão usar com propriedade a alcunha de “World Champions”. Um time que teve não só um destaque individual, mas a consagração de um time que coletivamente é muito forte. Alex Morgan, a artilheira com seis gols, é sem dúvida destaque, assim como Megan Rapinoe, outra que marcou seis gols com o que marcou na final. Mas que teve ainda Julie Ertz, muito bem no meio-campo, Rose Lavelle, brilhante na Copa, além de Alyssa Naeher, fundamental também para o caminho que foi percorrido.

Americanas que atuaram em três finais de Copas

Birgit Prinz era a única jogadora a jogar três finais de Copa até esta edição, em 2019. Megan Rapinoe, Tobin Heath, Alex Morgan, Alexandre Krieger e Carli Lloyd se juntaram a ela. Em 2011, as americanas perderam para o Japão, enquanto em 2015 venceram o mesmo adversário.

Dúvidas sanadas

Havia alguma dúvida sobre a participação de Lieke Martens na partida, já que a holandesa sentiu uma lesão no pé. Ela se recuperou e entrou em campo pela ponta esquerda, titular da equipe europeia.

Pelo lado americano, Megan Rapinoe voltou ao time titular no lugar de Christen Press, que jogou a semifinal contra a Inglaterra, e inclusive marcou o primeiro gol. Não só retornou ao time titular como recebeu a braçadeira de capitã.

Sem gols nos primeiros 20 minutos

Em todos os seis jogos dos Estados Unidos nesta Copa do Mundo, as americanas marcaram um gol antes dos 13 minutos. Não na final. As holandesas tiveram uma postura cautelosa, com uma defesa que se colocou bem mais atrás do que estamos acostumados a ver. Nada de espaço para as americanas trocarem passes com tranquilidade. Nem espaço para cruzar para a área.

Mudança de posicionamento

As holandesas trouxeram um posicionamento ligeiramente diferente do que vinha acontecendo em outros jogos. Miedema, camisa 9, não foi a centroavante: na verdade, ficou atrás de Lineth Beerensteyn, que não foi ponta direita desta vez. Quem ficou pela direita foi a camisa 10, Danielle van de Donk.

Forte bomba!

Aos 27 minutos, a primeira grande chance de gol da partida. Depois de uma cobrança de escanteio, a bola sobrou para Julie Ertz no meio da área, ela chutou de primeira e a goleira Sari van Veenendaal fez uma grande defesa.

Pressão americana

Na reta final do primeiro tempo, as americanas voltaram a colocar pressão na defesa holandesa com jogadas pelos lados do campo. Rapinoe, pela esquerda, dava muito trabalho para a marcação. Em dois cruzamentos, ela fez com que a torcida americana gritasse o famoso “UUUUH”.

No primeiro, Mewis desviou e a goleira Van Veenendaal conseguiu desviar de leve. Depois, Rapinoe, novamente, é perigosa, cruza e acha Morgan no meio da área, que chuta com perigo e a goleira Van Veenendaal novamente tem que defender, desviando de leve, enquanto caía, e a bola ainda tocou a trave antes da goleira abraçar a bola.

Logo depois, mais pressão. Morgan recebeu com espaço, em uma raríssima oportunidade que a marcação não estava colada na camisa 13. Ela dominou e, de fora da área, soltou uma bomba com a sua perna preferida, a canhota: chute no canto, e defesa, mais uma vez, de Van Veenendaal.

Holanda começa a aparecer no ataque

Depois de se defender em quase todo o primeiro tempo, a Holanda conseguiu emplacar alguns contra-ataques, teve falta a seu favor e chegou a finalizar. Para quem mal tinha conseguido atacar, foi um final de primeiro tempo interessante, com uma boa jogada de Miedema recebendo pela ponta esquerda, dentro da área, e cruzando para a área. Um bate-rebate danado acabou gerando escanteio, com mais bola na área. Não foi nenhuma chance clara, mas já trouxe ao menos um pouco de calor para a defesa americana.

Depois de consulta no VAR, pênalti

Em uma bola lançada para dentro da área, Stefanie Van der Gragt disputou a bola com Alex Morgan, não pegou na bola, mas tocou na atacante. A árbitra Stephanie Frappart não marcou inicialmente, mas foi chamada a revisar o lance pelo VAR. Após olhar a jogada no vídeo, a árbitra apontou a marca da cal: pênalti.

Houve reclamação de Miedema, especialmente, mas não tinha mais o que fazer. Megan Rapinoe, capitã dos Estados Unidos, um dos destaques do time, cobrou com firmeza e marcou: 1 a 0 para as americanas em Lyon. Ela saiu para a sua comemoração tradicional, até a linha lateral e abrindo os braços, como se agradecendo ao público.

Megan Rapinoe comemora seu gol na final da Copa (Getty Images)

Holanda muda postura

Imediatamente após o gol, a Holanda mudou a postura – e os Estados Unidos também. As americanas se postaram de forma um pouco mais cautelosa, sem a pressão intensa que faziam até então, marcando a saída de bola. A Holanda também adiantou mais a sua marcação.

E rapidamente conseguiu assustar em um lance que a camisa 9 Miedema recebeu pelo meio, dominou bonito no peito na intermediária e partiu para cima da marcação na jogada individual: driblou três jogadoras consecutivas, mas exagerou ao tentar um quarto gol e não finalizou. Perdeu a chance.

Lavelle, um golaço

Se de um lado as holandesas perderam a chance de marcar, do outro lado não houve piedade. Lavelle recebeu em um contra-ataque e a defesa holandesa abriu um tapete vermelho para ela. Ela veio com a bola dominada, a marcação de Stefanie Van der Gragt correu para trás, em vez de ir para frente, e Lavelle cortou para a direita e chutou: 2 a 0, aos 24 minutos.

Chances desperdiçadas

Com a Holanda mudando a postura e o posicionamento, as americanas aproveitaram o espaço e começaram a desperdiçar chances. Em um belo contra-ataque, com muito, muito espaço, Rapinoe abriu na direita para Tobin Heath, que em vez de chutar na perna direita como veio, ela driblou, puxou para a perna esquerda, mas aí o seu chute foi bloqueado pela goleira. Depois, Dunn recebeu de Rapinoe, com muito espaço, driblou e chutou, mas em cima da goleira Van Veenendaal.

Com o passar dos minutos, as americanas foram aproveitando os muitos espaços e as holandesas perderam a força. O placar poderia aumentar e as americanas perderam um caminhão de gols. Poderiam ter feito mais gols, mas o jogo parecia decidido.

Ficha técnica

Estados Unidos 2×0 Holanda

Local: Parc Olympique Lyonnais, em Lyon
Árbitro: Stephanie Frappart (França)
Gols: Megan Rapinoe, 16’/2T, Rose Lavelle aos 24’/2T (Estados Unidos)
Cartões amarelos:
Abby Dahlkemper (Estados Unidos), Sherida Spitse, Stefanie Van der Gragt (Holanda)

Estados Unidos: Alyssa Naeher; Kelley O’Hara (Alexandra Krieger), Abby Dahlkemper, Becky Sauerbrunn e Crystal Dunn; Julie Ertz, Rose Lavelle e Samantha Mewis; Tobin Heath (Carli Lloyd), Alex Morgan e Megan Rapinoe (Christen Press). Técnica: Jill Ellis

Holanda: Sari van Veenendaal; Desiree Van Lunteren, Anouk Dekker (Shanice Van de Sanden), Stefanie Van der Gragt e Dominique Bloodworth; Jackie Groenen e Sherida Spitse; Danielle van de Donk, Vivianne Miedema e Lieke Martens (Jill Roord); Lineth Beerensteyns. Técnica: Sarina Wiegman