Stiven Mendoza possui uma carreira peculiar. Aos 27 anos, o colombiano já atuou por nove clubes diferentes, distribuídos em cinco países – e de quatro confederações continentais distintas. Lembrado no Brasil principalmente pelos períodos em que defendeu Corinthians e Bahia, “Speedy” Mendoza agora está no Amiens. E o momento no Campeonato Francês é tão favorável que rendeu a inédita convocação do ponta à seleção colombiana. Carlos Queiroz chamou o atleta para os amistosos na próxima Data Fifa, em oportunidade que marca também a volta por cima do atacante dois meses após uma grande tragédia pessoal.

Formado pelo América de Cali, Mendoza tinha moral nas seleções de base da Colômbia. Disputou o Mundial Sub-17 de 2009, em equipe que também possuía Santiago Arias, Jeison Murillo e Gustavo Cuéllar. Os Cafeteros alcançaram as semifinais. Depois disso, Speedy assinou com o Envigado e esteve no Sul-Americano Sub-20 de 2011. Ainda em seu país, também rodou por Cúcuta e Deportivo Cali, antes de começar a trajetória de andarilho a partir de 2014.

Primeiro, Mendoza foi parar na Superliga Indiana, com a camisa do Chennaiyin, antes de ser descoberto pelo Corinthians e participar da conquista do Brasileirão de 2015 – com direito a algumas aparições no início da campanha. Emprestado de volta à Índia no final daquele ano, Mendoza se mudou aos Estados Unidos em 2016, vestindo a camisa do New York City FC. Teve um bom desempenho e terminou cedido pelos corintianos ao Bahia em 2017, onde se destacou um pouco mais no Brasileirão. Então, vendido pelos paulistas, arrumou as malas para a França em janeiro de 2018.

Recém-promovido à Ligue 1 naquele momento, o Amiens apostou em vários jogadores sul-americanos desde então – incluindo Ganso, Danilo Avelar e Nathan, para ficar apenas nos nomes brasileiros. Mendoza faz parte desse grupo e, diferentemente de seus companheiros, seguiu no clube, que se sustenta na primeira divisão. Titular da equipe, teve altos e baixos nos seus primeiros 18 meses, com 38 jogos e quatro gols pelo Campeonato Francês. O atacante tentou forçar sua saída no início do ano e tinha propostas de outros clubes na última janela, mas optou por ficar, após sofrer um assalto a mão armada na Colômbia durante o início de agosto. E seu drama aumentaria semanas depois.

No início de setembro, o irmão de Steven Mendoza foi assassinado em Cali. Yeison Mendoza também era jogador de futebol e atuava pelo Valledupar, da segunda divisão. Enquanto deixava a casa de sua mãe, o atleta foi morto a tiros, em caso ainda investigado pela polícia colombiana. Stiven, que não havia atuado na temporada por causa do assalto que sofrera, retornou à equipe 19 dias após o falecimento do irmão. O futebol serve como sua resposta.

Speedy Mendoza voa baixo desde então. O ponta esquerda marcou quatro gols em seis partidas pelo time. Na reestreia, contra o Bordeaux, precisou de dois minutos para deixar sua marca e homenagear o irmão. Balançou as redes de outras equipes importantes, como o Olympique de Marseille e o Saint-Étienne. Ajuda o Amiens a ocupar o 12° lugar na tabela da Ligue 1. “Apesar de tudo que o ele passou, suas qualidades nunca foram questionadas. Stiven tem uma mentalidade excepcional e amadureceu muito após esses eventos trágicos”, declarou Luka Elsner, técnico do Amiens.

O chamado de Carlos Queiroz, exatos dois meses após o assassinato de Yeison, soa justo. Mendoza integrará um ataque desfalcado de nomes importantes e terá a chance de mostrar serviço para outras participações com os Cafeteros, quem sabe visando as próprias Eliminatórias da Copa. Em tão pouco tempo, é uma inegável volta por cima. A Colômbia enfrentará Peru e Equador nos próximos amistosos, marcados para 15 e 19 de novembro.