Tanto na seleção da Rússia quanto no CSKA Moscou, durante grande parte das últimas duas décadas, dois nomes eram certos: os irmãos Berezutski. Na lateral direita, Vasili; na lateral esquerda, Aleksei. E ambos ainda poderiam atuar na zaga. Nessas posições fizeram longa trajetória. Na seleção, ela já havia acabado em 2016, após 13 anos. E no clube moscovita, ela acabou hoje: em nota no site oficial do CSKA, Aleksei e Vasili Berezutski anunciaram o fim da carreira – ou melhor, das carreiras.

Ao contrário do que pudesse parecer, nenhum dos dois começou no clube do exército russo. Mas começaram previsivelmente juntos: no Torpedo Moscou, em 1999. Lá ficaram por dois anos. Com diferença de alguns meses, chegaram ao CSKA Moscou – Vasili, em 2001, Aleksei, em 2002. Lá viraram ícones, presentes em grandes momentos da história do clube, como o título da Copa Uefa, em 2004/05. E ambos reconheceram isso, na nota oficial: “Na época em que assinamos nossos primeiros contratos com o CSKA, era impossível sonhar que o nosso caminho nas cores vermelho e azul seria tão longo e bem-sucedido”.

Os bons momentos vieram também na seleção da Rússia, com a campanha de semifinalista na Euro 2008. A partir de então, o caminho foi um pouco separado. Na Euro 2012, só Aleksei esteve presente: Vasili sofreu lesão muscular na coxa, e foi cortado na convocação final.  Na Copa de 2014, o inverso: Vasili convocado, Aleksei fora. E no fim da trajetória na seleção, na Euro 2016, ambos fecharam juntos aquele caminho.

No CSKA Moscou, o trajeto foi encerrado com a inauguração da Arena VEB, o novo estádio do clube. Ambos deixaram claro que o marco representava um fim de ciclo para eles: “Estamos especialmente satisfeitos por termos conseguido jogar no novo estádio, que esperávamos desde a nossa chegada ao clube. É difícil descrever os sentimentos que sentimos quando saímos para o campo da nossa arena, difícil descrever como a atmosfera criada pelos fãs nos inspirou e cresceu”.

E neste sábado, após 16 anos de Aleksei, 17 anos de Vasili, a era Berezutski se acabou deixando Igor Akinfeev como o único remanescente de tempos mais vencedores. E se acabou deixando ambos com várias partidas somadas: “Nossa carreira se desenvolveu de uma maneira que não ousamos sonhar. Um incrível número de troféus com o CSKA, 1033 partidas pelo clube e 159 jogos pela seleção nacional para dois, muitos prêmios individuais e de equipe, apoio fenomenal de fãs – tudo isso permanecerá conosco para sempre. (…) O CSKA tornou-se parte integrante da nossa vida, e vamos apoiar o vermelho e o azul, agora como torcedores”. Nem havia dúvida disso.