O presente não oferecerá mais novas imagens. Restam os emblemas do passado, os tantos momentos grandiosos que ficam gravados na memória. O último deles veio nesta quarta, dentro do Borussia Park especialmente preparado para o adeus. Bastian Schweinsteiger disputou a última de suas 125 partidas com a seleção alemã. No rosto em que verteu sangue durante o ápice, a final da Copa do Mundo de 2014, desta vez escorreram as lágrimas. E foi impossível não se emocionar com o veterano escancarando a sua paixão pelo Nationalelf, deixando o seu coração expresso no rosto. Vai-se um gigante da equipe tetracampeã do mundo. Por fim, com o sorriso no rosto pela vitória por 2 a 0 sobre a Finlândia, em amistoso que serviu de mero pretexto para as homenagens ao capitão.

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As cenas mais significativas em Mönchengladbach aconteceram antes mesmo de a bola rolar. Schweinsteiger recebeu uma placa e flores por seus serviços prestados à seleção. Apenas uma maneira de materializar os sentimentos, que logo tomaram a atmosfera do estádio. Não houve frieza ou maturidade que contivesse o choro do meio-campista de 32 anos, reproduzido em outras tantas faces pela multidão. A dedicação à flor da pele, que resume muito bem a sua trajetória com a camisa da Alemanha. Do garoto que explodiu na Copa de 2006 ao guerreiro que conquistou o Mundial em 2014, o veterano atravessou uma longa caminhada. Coroada com esforço e talento, de quem foi um dos donos do time por uma década. A história é o lugar devido a sua camisa 7.

“Significa muito que vocês estejam aqui hoje. Foi uma honra jogar por vocês”, declarou, no centro do campo. E a emoção incontida só enfatiza a representatividade que a seleção teve para Schweinsteiger. Que tenha conquistado tudo com o Bayern de Munique, sua carreira atingiu um novo patamar graças ao Nationalelf. Mais do que um dos craques no time de tanta força coletiva, o meia foi um dos líderes que justamente proporcionou esta coesão. É a entrega  que teve o seu ponto alto na Copa de 2014, não só pelo título, mas também pela maneira como o roteiro se desenrolou. O camisa 7 chegou ao Brasil com problemas físicos, mas se recuperou a tempo e se agigantou ao longo da competição. Até, enfim, cumprir o desejo de toda uma geração com a taça nas mãos, após a estupenda partida que fez no Maracanã.

O limite parece claro para Schweinsteiger. O físico cobra a sua exigência mais do que nunca, e o rendimento na Euro 2016 mostrou que o capitão estava aquém de seu melhor. Sábia decisão de parar com a imagem sem grandes máculas, de quem ofereceu tanto à seleção. Hora de se dedicar à carreira nos clubes. E o tributo em Mönchengladbach possui um valor enorme, para relembrar tudo o que o meio-campista já alcançou, em tempos nos quais vem sendo tratado tão mal em Manchester.

Quando a bola rolou, a Alemanha sempre esteve no controle da partida. Os gols, porém, ficaram para o segundo tempo. Max Meyer aproveitou a ocasião para se apresentar como ótima alternativa para o futuro, abrindo o placar. Depois, Mesut Özil também deixou a sua marca. Mas ninguém superou, mais uma vez, Schweinsteiger. O camisa 7 teve uma atuação com os seus lampejos. O principal momento, de qualquer forma, ficou para a sua despedida em campo. A substituição por Julian Weigl fica como um sinal para o que se desenha. Aplaudido de pé, o meia saiu com um sorriso no rosto, e por 10 minutos a Alemanha permaneceu sem capitão, com a braçadeira que nenhum outro teve coragem de tirar do veterano, até que Thomas Müller entrasse em campo. Sinal de sua importância.

Ao apito final, mais festa. Schweinsteiger pôde voltar ao gramado para admirar com mais calma as dezenas de cartazes que se erguiam nas arquibancadas com seu nome. Depois, celebrado pelos companheiros, foi lançado para o alto. O viva a quem conquistou tanto. O agradecimento a quem entregou tanto. “Danke, Basti”. Um obrigado que serve não só aos alemães, mas também a todos que tiveram a honra de ver aquele que, a partir de agora, se contém à eternidade de sua história com a seleção.

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