Poucos campeonatos têm sido tão imprevisíveis nos últimos anos quanto a Série B. Sim, pode até haver algumas barbadas vez ou outra. Mas a disputa pelo acesso costuma ser delirante, e para isso basta ver o desenrolar da atual edição. Restando nove rodadas para o fim, simplesmente não dá para cravar um time relativamente tranquilo na briga pelo G-4. A gangorra se movimenta freneticamente. E, neste constante sobe e desce da tabela, quem vai indo às alturas é o Avaí. Cotados ao rebaixamento há um mês e meio, os catarinenses emendaram uma fase espetacular no início do segundo turno e já aparecem no terceiro lugar. Com gás para sonharem concretamente com o título, inclusive.

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O Avaí passou um turno de perrengues. A equipe não começou a campanha tão mal assim, com 10 pontos em 18 possíveis. Depois disso, veio o sofrimento de seis partidas em jejum, que colocou o Leão da Ilha à beira do abismo, só uma posição acima do Z-4. A recuperação veio cambaleante e, sem emendar grande sequência, os avaianos estavam só dois pontos acima da zona da degola ao término da 20ª rodada, a primeira do segundo turno. Foi quando começou a reação milagrosa que desfrutam atualmente, dentro do G-4 e a quatro pontos da primeira colocação.

Nas últimas nove rodadas, o Avaí não perdeu mais. Foram oito vitórias e um empate, somando mais pontos do que em todo o turno inicial. Um impulso que levou os catarinenses às cabeças. Enquanto muitos dos concorrentes seguiam por caminhos errantes, os alviazuis saltaram à terceira colocação. Na arrancada, aproveitaram para bater a maior parte de seus antigos concorrentes contra o rebaixamento. E a empolgação pelo momento levou a uma bela recepção feita pela torcida, na chegada do time à Ressacada na última sexta, antes da vitória por 2 a 0 sobre o Paysandu. Já nesta terça, novo triunfo, com os 2 a 0 para cima do Goiás em jogo tenso, que acabou com quatro expulsões – incluindo os dois técnicos e o goleiro reserva do Avaí.

Substituindo Silas no final de agosto, Claudinei Oliveira pode ser apontado como um dos principais responsáveis pela arrancada. Sete das oito vitórias na sequência aconteceram desde a sua chegada. O treinador fundamentou uma equipe mais pragmática, de grande aplicação tática, que se segura bem atrás e garante o resultado nos contragolpes. A defesa, aliás, só levou um gol nas últimas sete rodadas. Méritos do goleiro Renan (ex-Botafogo), um dos grandes destaques da campanha. Além disso, o acréscimo dos zagueiros Betão e João Filipe (este, jogando como volante) foram essenciais a partir do segundo turno.

Já do meio para frente, um nome que vem se fazendo notar é o do atacante Rômulo. Cria da base avaiana, o jovem de 21 anos marcou seis dos 16 gols da equipe no período. Ao lado do zagueiro Gabriel, de 18 anos, é a principal promessa da equipe. Já a maestria fica a encargo de Marquinhos, fundamental na criação, mesmo aos 35 anos. O retorno do veterano ao time titular, após nove meses parado por lesão, coincide justamente com o início da excelente fase. Desde então, marcou um gol e deu cinco assistências.

A tabela do Avaí nas próximas semanas é mais indigesta que a metade inicial do turno. O compromisso do sábado será visitando o líder Atlético Goianiense. Já no último mês de campanha, pega as quatro equipes que atualmente complementam as seis primeiras colocações do campeonato: Vasco e Londrina fora, Náutico e Brasil de Pelotas em casa. A dificuldade talvez impeça os catarinenses de manterem o excelente aproveitamento recente. No entanto, os confrontos diretos valem muito para quem sonha com a Série A, ainda mais diante de uma classificação tão embolada.

Fonte: ogol.com.br
Fonte: ogol.com.br

PS: O Avaí vive, escancaradamente, o melhor momento na Série B. Todavia, outras equipes merecem elogios pelo bom rendimento neste segundo turno. O Londrina, em especial, tirou a diferença dos líderes para entrar no G-4, com 20 pontos em 30 possíveis. Criciúma e Náutico também vêm de boas fases no último mês. Já a avaliação negativa fica para CRB e Ceará, que terminaram o primeiro turno na zona de acesso, mas agora figuram no meio da tabela, mesmo que mantenham as chances de subir.