A Copa do Mundo de 2022 está definida para o Catar, mas de tempos em tempos surge um novo problema para dar motivos para que o evento não aconteça por lá. Desta vez, um membro do Comitê Executivo da Fifa não acredita que a Copa de 2022 será mesmo no Catar, como foi definido em dezembro de 2010. Theo Zwanziger, ex-presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), diz que os membros da Fifa e os médicos não irão querer se responsabilizar pelos problemas ocasionados pelo calor no país, que passa dos 50°C em junho e julho, época da realização da Copa.

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“Eu pessoalmente acho que no fim, a Copa do Mundo de 2022 não será no Catar”, disse o dirigente ao jornal alemão Sport Bild. “Os médicos dizem que não podem aceitar a responsabilidade com a Copa do Mundo sendo disputada nessas condições”, disse o ex-presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB). A organização da Copa do Mundo no Catar já mostrou planejamento para refrigeração dos estádios, tornando-os climatizados e com temperatura amena, como já acontece em outros lugares do mundo, como o estádio do Dallas Cowboys, time da NFL, no Texas. Só que isso, para Zwanziger, é pouco.

“Eles podem ser capazes de climatizar os estádios, mas uma Copa do Mundo não acontece somente lá”, continuou o alemão. “Os torcedores do mundo todo irão e viajarão nesse calor e o primeiro caso de risco de morte irá gerar uma investigação por uma promotoria do estado”, disse. “Isso não é algo que os membros do Comitê Executivo querem ser responsáveis”.

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Joseph Blatter, o presidente da Fifa, já se manifestou em maio deste ano dizendo que a Copa do Mundo dificilmente poderá ser jogada no verão catariano e quer mudar a data de realização do evento. Blatter foi além: afirmou que foi um erro ter escolhido o Catar como sede da Copa de 2022. “É claro, foi um erro. Você sabe, nos deparamos com um monte de erros na vida”, contemporizou o dirigente, na época. “O relatório técnico do Catar indicou claramente que é muito quente no verão, mas o Comitê Executivo com uma grande maioria decidiu que o torneio seria no Catar”, disse ainda Blatter, à época.

A solução, então, seria jogar no inverno do país, no final ou no início do ano. O presidente da Associação Asiática de Futebol (AFC), xeique Salman Bin Ebrahim Al Khalifa, comandou uma reunião para discutir a questão neste mês de setembro com as opções de disputar a Copa em janeiro/fevereiro ou novembro/dezembro de 2022 como alternativas ao tradicional período de disputa, junho/julho. A ideia não agradou os clubes europeus.

A briga por interesses em relação à Copa do Mundo de 2022 é gigantesca. A mudança no calendário mexe com ligas e clubes, especialmente os europeus. Há ainda o interesse dentro da própria Fifa que a Copa não vá para o Catar, depois de tantas denúncias de corrupção que poderiam vir à tona com toda a imprensa mundial concentrada no país. Há ainda a preocupação médica, uma vez que, de fato, a Copa do Mundo no verão do Catar é uma loucura sem sentido. Mas há também a força financeira e, neste momento, política do Catar. A AFC, a federação asiática, está com o Catar e é um elemento político importante para a reeleição de Blatter, que terá concorrência na próxima eleição presidencial da Fifa.

O próprio Blatter parece ser o mais favorável a uma Copa do Mundo nos Estados Unidos em 2022, como revelou a revista France Football.  Vale lembrar ainda que até o FBI se envolveu na investigação de corrupção que envolve a Copa de 2022. A investigação presidida por Michael García, ex-promotor americano, que atualmente preside o Comitê de Ética da Fifa, deve trazer mais problemas para os organizadores da Copa do Mundo de 2022. Mas, habilidoso como é, Blatter sabe que esse movimento terá que ser adiado para depois da eleição. E como foi feito até hoje, isso não deve ser um problema. O que parece, como já parecia desde 2013, é que há uma articulação dentro da própria Fifa para que a Copa não vá para o Catar. Ninguém quer ser pai de um filho que pode ter morte de alguém por calor, ou mesmo uma briga homérica com clubes e ligas importantes do mundo. A essa altura, até Platini deve torcer para que a Copa não vá para o Catar – ainda que, oficialmente, ele seja um dos grandes defensores do torneio por lá. É esperar para ver.

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