Entre jogos de futebol, o Football Manager é tido como um dos mais realistas, pelo nível de detalhe e por às vezes conseguir até prever uma transferência ou a próxima grande promessa. Mas não é meramente um simulador de administração de clube, mas um RPG que permite ao jogador criar sua própria história com as decisões que toma, como reforçou o último trailer divulgado pela Sports Interactive e pelas palavras do diretor do jogo, Miles Jacobson, em entrevista ao Gamesradar.

A reportagem do site, aliás, descobriu que Jacobson é um grande fã de Pokemon, um dos mais famosos jogos de RPG. Tem um Pikachu em seu escritório e joga Pokemon Go pelo menos 15 minutos por dia. “Então são 15 minutos que não estou jogando FM. FM é um RPG, mas você joga contra si mesmo. Somos um RPG que não tem uma história definida, mas permite que cada usuário crie sua própria porque cada jogo é diferente. Assim que você aperta o botão de continuar, seu jogo é diferente”, afirmou.

“Muitas pessoas não percebem que sempre foi um RPG. Elas acham que é um simulador de treinador. Mas há muitos livros e muitos blogs em que as pessoas publicam suas histórias de Football Manager e o que está acontecendo com suas carreiras porque cada história é única. Eu não quero definir como as pessoas têm que jogar o jogo, mas, se você pensar em qualquer jogador do jogo, você está interagindo com ele regularmente. Cada decisão que você faz afeta a carreira deles também”, completou.

Criando essas histórias, os jogadores acabam ficando apegados à suas narrativas, aos clubes que elevaram ao primeiro patamar do futebol ou aos novos jogadores (newgens) que descobriram nas categorias de base do Scunthorpe. “O Football Manager é um universo. O fato de que pessoas que vivem naquele universo e aparecem com histórias, que é o motivo de colocarem nomes de jogadores falsos nas costas da camisa ou começar a seguir clubes com os quais tem uma boa relação no jogo, me deixa orgulhoso, mas não me surpreende por causa da quantidade de tempo que as pessoas passam jogando aquela história”, disse.

As duas realidades se juntam, diz Jacobson, e isso nunca é mais claro do que quando o viciado no jogo acaba encontrando um trabalho na vida real – o que acontece do amadorismo da Sérvia a André Villas-Boas. “Isso acontece há anos. As pessoas apenas não falavam disso. Somos parte do mundo do futebol. Não fico mais surpreso com essas histórias. Eu amo a repercussão que geram e amo o fato de que os chefes da Sega no Japão veem essas histórias e sempre as me mandam por e-mail ‘isso é bom, não é?’, e eu ‘sim, é ótimo!’, mas é uma coisa bem cotidiana para a gente”, disse.

O jogo está cada vez mais complexo, o que pode prejudicar a possibilidade de atrair novos usuários. A versão 2020, no entanto, dará uma importância maior à comissão técnica e à diretoria de futebol, permitindo que o treinador delegue as tarefas com as quais não deseja lidar e, ao mesmo tempo, facilitando a vida de iniciantes.

“Se você começar com um dos grandes clubes que têm um diretor de futebol, e tem alguns desses outros auxiliares, não precisa fazer nada no começo. Pode definir o que quer fazer e o que quer delegar. Eu sei que é assustador quando as pessoas ligam o jogo pela primeira vez porque há muita coisa para fazer – se você quiser fazê-las. Se não quiser, delegue a um auxiliar”, explicou.

O Football Manager é majoritariamente jogado em dispositivos móveis, como laptops, e não está disponível para consoles, como Xbox ou PlayStation. Segundo Jacobson, isso é resultado de uma pesquisa que realizaram com os usuários, mas pode mudar no futuro.

“A pesquisa que fizemos alguns anos atrás mostrou que as pessoas tendem a jogar FM de maneiras diferentes. Muitas pessoas jogam em seu laptops enquanto estão fazendo outras coisas. Com o console tomando conta de toda a sala de estar por um período de tempo tão grande é problemático. Não estou dizendo que nunca mais estaremos no Xbox ou no Playstation, mas, se você olhar para as plataformas em que estamos, todas elas tem algum elemento de portabilidade”, encerrou.