Crescer não é para qualquer um. Fisicamente, os seres humanos que atingem a idade adulta ficam maiores e mais fortes, mas não necessariamente mais espertos ou inteligentes. Muita gente não aprende nem na escola, e nem na vida, e passa um bom tempo cometendo os mesmos erros dos tempos da chupetinha (expressão da moda, eu tinha de dar um jeito de encaixar por aqui). Não é o caso do Borussia Dortmund, que tirou as fraldas, cresceu de vez. Já pode emoldurar e colocar na parede o diploma de gente grande. Ao lado, claro, o vídeo da partida contra o Real Madrid nesta quarta-feira.

Foi uma vitória heroica. Espetacular. Emblemática. Fantástica. Foi a vitória de um time que correu muito, lutou muito e se entregou dentro de campo como quase sempre faz. Neutralizou uma das melhores equipe do mundo como fez cinco vezes com o Bayern Munique na última temporada e mereceu o resultado, assim como mereceu derrotar o Manchester City na Inglaterra, na segunda rodada. Mas ali, por força do acaso e incompetência do próprio ataque, não definiu o jogo. E pagou caro. Com dois pontos, mais precisamente.

Desta vez, porém, o ataque foi mais preciso. Robert Lewandowski, na única chance real que teve, botou a bola nas redes após receber passe de Sebastian Kehl, que fez grande partida no primeiro tempo. Marcel Schmelzer, em belo chute de pé esquerdo, fez o gol da vitória. Logo ele, que era dúvida para a partida, fez um grande jogo e deu conta de Ángel Di María na marcação. Logo ele, que foi publicamente criticado por Joachin Löw pelas suas recentes atuações na seleção alemã.

A vitória passou também pelos pés de Mario Götze, que venceu o duelo contra Michael Essien e fez a jogada do gol de Schmelzer. Mais do que isso, Götze era sempre um ponto de equilíbrio, um ser pensante no meio de tantos corredores. Sempre tinha um passe diferente, enxergava o que ninguém via e dava sequência às jogadas criadas. Foi o melhor jogador em campo, apesar de não ter feito nenhum gol, e mostrou que ainda tem muito a evoluir como jogador. Se Özil dormir, como tem feito em alguns jogos, perde o lugar de titular no Nationalelf.

Na defesa, a grande atuação foi de Mats Hummels, que fez um segundo tempo brilhante após errar algumas saídas de bola no primeiro. Invencível no jogo aéreo, o zagueiro compôs uma excelente dupla com Neven Subotic e não deixou ninguém se criar ali na grande área aurinegra. Facilitou muito o trabalho de Roman Weidenfeller, que não precisou fazer uma grande defesa sequer na partida e não tinha nada para fazer no golaço de Cristiano Ronaldo. Apenas assistir e aplaudir. Lukasz Piszczek, que falhou no lance do gol, foi impecável em todo o restante do jogo, tanto na defesa quanto no ataque. Mostrou que é um dos melhores laterais direitos do mundo.

Além do crescimento, essa vitória pode representar a classificação para a segunda fase, pois o Dortmund lidera o grupo com sete pontos e, se não perder para o Manchester City na Alemanha tem tudo para seguir adiante no torneio. E como tirar as fraldas é um caminho sem volta, não há mais como colocar a culpa de uma eventual eliminação na inexperiência. Se perder, vai perder na bola, no jogo.

Bayern e Schalke também vencem

Além da façanha do Borussia Dortmund, Bayern Munique e Schalke 04 também venceram na Liga dos Campeões e se recuperaram dos vexames na segunda rodada. Os bávaros fizeram um joguinho modorrento contra o Lille, mas o placar final de 1 a 0 dá os três pontos ao time. Pontos, aliás, importantíssimos. O Schalke, por sua vez, quebrou a banca do Arsenal em Londres com dois gols holandeses. Klaas-Jan Huntelaar e Ibrahim Afellay selaram a vitória por 2 a 0 que coloca o time na liderança do Grupo B com sete pontos.