El Hadji Diouf não corre o risco de parecer modesto demais. Tem plena consciência do que fez pelo futebol do seu país, naquele mês de 2002, quinze anos atrás, quando Senegal surpreendeu o mundo chegando às quartas de final da Copa. O duas vezes eleito melhor jogador africano do ano afirmou, em entrevista à BBC, que o seu feito foi igual ao de Maradona com a seleção argentina, campeã do mundo de 1986 liderada por El Pibe.

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“Colocamos Senegal no mapa”, afirmou. “Antes da Copa do Mundo, ninguém conhecia Senegal, mas, depois dela, todos queriam saber onde Senegal ficava. O que Maradona fez pelo seu país foi o que eu fiz por Senegal. Fui um dos maiores do Mundial de 2002”. A vitória mais simbólica foi obviamente sobre a França, não apenas porque a equipe de Zidane era a atual campeã, mas também porque Senegal foi colonizado por franceses.

“A maioria dos negócios são tocados por franceses aqui e vencê-los foi muito grande para nós”, explicou Diouf. “Antes do jogo, eles costumavam dizer que o ‘time reserva jogaria contra o time principal’, porque a maioria dos jogadores atuava na liga francesa. Eu estava no Lens, Salif Diao (Sedan), Khalilou Fadiga (Auxerre), a maioria dos jogadores atuava na liga francesa, mas costumávamos dizer: ‘tome cuidado antes de matar o leão'”.

Depois da Copa do Mundo, Diouf ganhou uma transferência milionária para o Liverpool, mas não deu muito certo. Entre outros problemas, entrou em rota de colisão com Steven Gerrard, com trocas de farpas pela imprensa que duram até hoje. “Não tenho problema com ele”, disse. “Ele tem uma forte personalidade, eu tenho uma forte personalidade. ‘Stevie G’ era um grande jogador. As pessoas gostavam dele em Liverpool, mas ele nunca fez nada pelo seu país. Eu sou o senhor El Hadji Diouf, senhor Senegal, mas ele é o senhor Liverpool, e Senegal é maior que Liverpool, e ele precisa saber disso”.

Aposentado, Diouf, 36 anos, retornou para Senegal, onde é embaixador do governo, conselheiro de esportes do presidente e dono de um jornal esportivo. Pensa em entrar para a política. “Eu fico interessado porque precisamos mudar as coisas. Pessoas como eu podem fazer as coisas mudarem. Temos um país para construir, um continente para construir, por que não se envolver em política?”, disse. “Minha vida é o esporte, mas o governo não pode fazer tudo sozinho, precisam de ajuda de pessoas como eu”.

Diouf explicou sua postura agressiva dentro de campo, cuspindo nos adversários e brigando com o árbitro. “Talvez eles me dissessem alguma coisa que eu não queria ouvir. Eu fazia isso, eu paguei, agora já foi”, afirmou, sobre as cuspidas. “Eu sou um leão. Sou um mau perdedor e não é errado ser um mau perdedor. Eu tenho personalidade e quero que as pessoas me respeitem. Sou um alvo fácil. É fácil falar sobre El Hadji Diouf e eu as deixo falar, mas eu sei, em meu coração, que sou uma boa pessoa. Minha família sabe, minha população sabe, meu continente sabe que sou uma boa pessoa, e isso é o mais importante. O resto não é meu problema”.