O Botafogo brigou. Venceu o Corinthians, lutou até a última gota de suor em várias partidas, mas não foi o suficiente. Mergulhado em dívidas, problemas e polêmicas, o clube foi novamente rebaixado à segunda divisão, como aconteceu em 2002. Não foi um ato isolado tanto quanto o fim de uma história de má gestão, dívidas, problemas que o clube não poderia controlar e confusões extra-campo que poderiam ser evitadas.

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O rebaixamento não foi apenas por isso, mas listamos os cinco principais erros do Fogão, que terá 2015 para se reerguer e voltar à elite:

Dispensa dos principais jogadores

De repente, no meio de outubro, quatro dos principais jogadores do elenco do Botafogo foram dispensados sem mais nem menos. O presidente Maurício Assumpção demitiu Emerson, Júlio César, Bolívar e o lateral direito Edilson por motivos técnicos, por não gostar das reclamações sobre salários atrasados, por serem uma liderança negativa ou, na verdade, porque ele quis. Eram alguns dos melhores atletas que Vágner Mancini tinha à disposição. Sheik, por exemplo, havia feito seis gols e decidido várias partidas. As dispensas fizeram Vágner Mancini oferecer o cargo, afastaram líderes do grupo e ainda escancararam ainda mais os problemas financeiros do clube.

Salários

Que os salários do Botafogo estavam atrasados, todo mundo sabia. Foi assim o ano inteiro. Em outubro, eram três sem pagar a carteira de trabalho. Sete de direitos de imagem, segundo Emerson. Na entrevista coletiva na qual os quatro jogadores tentaram explicar suas dispensas, ficou clara a extensão do problema quando Edilson disse que teve que pagar os remédios do próprio bolso quando se machucou. Sheik já havia contado que dava dinheiro para funcionários do clube que não conseguiam pagar a conta de água. Com dívidas na casa dos R$ 700 milhões, receitas bloqueadas e sem o Engenhão, a luz no fim do túnel não passava de um brilhareco. E apagou.

E a torcida?

Para piorar os seus problemas financeiros, o Botafogo parou de mandar partidas no Maracanã para fugir de uma penhora de contas imposta pelo ex-técnico do clube Joel Santana. Foram apenas nove jogos no Maior do Mundo, com média de 10.691 pagantes. Os outros nove foram divididos entre cinco estádios. Nos quatro jogos em que atuou nas arenas da Copa (Manaus e Brasília), teve uma ótima média de 29.600. Nos outros, espalhados por São Januário, Raulino de Oliveira e Moacyrzão, apenas 3.654 e as suas piores rendas do campeonato. Sem contar que quem mora em cinco casas não tem nenhuma para chamar de lar.

Dá para confiar?
Jobson voltou ao Botafogo
Jobson voltou ao Botafogo

Passando o olho pelo elenco do Botafogo, dois nomes chamam a atenção por causa da qualidade técnica e fama: Carlos Alberto e Jobson. O problema é que essa técnica vem acompanhada dos mais variados problemas. Haja bom coração para continuar confiando que ambos vão conseguir jogar com regularidade e decidindo jogos. Não têm salários baratos e sempre há aquela expectativa de alguma coisa acontecer que geralmente termina em decepção. Além de arranjarem alguns problemas extra-campo.

Bastidores agitados

Jobson, por exemplo, exigiu bater um pênalti contra o Figueirense, mesmo sem ser o cobrador oficial, perdeu e se saiu com a pérola: “O presidente fez um monte de merda aqui e vão me crucificar porque perdi um pênalti”. Jefferson voltou de uma viagem longa com a seleção brasileira, recusou-se a jogar no dia seguinte pelo Botafogo e ouviu do executivo de futebol Wilson Gottardo que isso era “covardia, falha de caráter e indisciplina”. Contra o Bahia, Sheik saiu de campo bradando que “a CBF era uma vergonha”. Sem contar as eleições presidenciais, as negociações de dívidas públicas, a Lei de Responsabilidade Fiscal e as dispensas dos jogadores. Como se concentrar em jogar futebol?