O Atlético Nacional continua imperando na Colômbia. Depois de um ano em que conquistaram “apenas” a Copa da Colômbia nas competições domésticas, mas também voltaram a faturar a Libertadores e chegaram à final da Copa Sul-Americana, os Verdolagas recuperaram a maior glória nacional. Asseguraram neste domingo o Apertura do Campeonato Colombiano, seu 16° título da liga, isolando-se um pouco mais como maior vencedor da competição – liderança conquistada nesta década, aliás. E a taça veio de maneira inquestionável, apesar de uma ponta de desconfiança. Imparável durante toda a competição, o time de Reinaldo Rueda perdeu o jogo de ida da decisão por 2 a 0 para o Deportivo Cali. Preocupação? Não quando se conta com a força do Estádio Atanásio Girardot: diante de 44 mil torcedores, os paisas enfiaram 5 a 1 nos visitantes e fizeram uma merecida festa.

Em um primeiro semestre decepcionante para o Atlético Nacional, no qual foi eliminado na Libertadores sem sequer conseguir a classificação à Copa Sul-Americana, o time concentrou suas forças no Apertura. Por lá, não teve quem desafiasse o reinado dos Verdolagas. A equipe liderou a fase de classificação de ponta a ponta, abrindo sete pontos de vantagem. Com 33 gols marcados e apenas nove sofridos, a única derrota em 20 rodadas aconteceu justamente no último compromisso, para o rival Independiente Medellín, em emocionante clássico que terminou com vitória por 4 a 3 dos perseguidores. Nada que abalasse a confiança aos mata-matas.

Primeiro, o Nacional atropelou o Jaguares. Foram duas vitórias para despachar a equipe de Montería. Nas semifinais, clássico diante do Millonarios. O empate sem gols prevaleceu na visita a Bogotá, enquanto o triunfo por 1 a 0 em Medellín veio com um tento de Dayro Moreno aos 46 do segundo tempo, evitando os pênaltis. Na decisão, o Deportivo Cali era o desafio. Os paisas não perdiam uma final da liga desde 2004, quando amargaram tanto no Apertura quanto no Finalización. Parecia que a hora tinha chegado com o triunfo dos azucareros no meio da semana por 2 a 0, sem muitas dificuldades. Parecia, até o momento em que o Atanásio Girardot cresceu junto com o time de Reinaldo Rueda e o levou novamente ao topo.

A atmosfera no estádio, mais uma vez, era fantástica. O elenco chegou a sua casa em uma enorme recepção dos torcedores, proporcionando um mar verde e branco nos arredores do Girardot. Apenas uma prévia que viria antes do apito inicial, em uma legítima festa sul-americana, com chuva de papel picado, serpentinas, fumaça, mosaico e fogos. Mostrava ao Deportivo Cali que, além do bom time dos anfitriões, também teriam que aturar a pressão das arquibancadas. Não suportaram.

A empolgação logo resultou em gols para o Atlético Nacional. Macnelly Torres abriu o placar aos oito minutos, batendo no canto após grande jogada de Andrés Ibargüen, enquanto Mateus Uribe ampliou aos 17, em chute rasante que o goleiro aceitou. Já o suficiente para forçar os pênaltis. O Deportivo Cali responderia aos 20, descontando com Jefferson Duque, que insistiu muito após sequência de bolas salvas pelos anfitriões. Só um susto. Afinal, o terceiro viria em grande estilo antes do intervalo, em uma bomba de canhota de Ibargüen – feroz, indefensável, no ângulo. Já na segunda etapa, os Verdolagas garantiram a conquista. Aos 30 minutos, Dayro Moreno converteu um pênalti que ele mesmo cavou. E serviu Rodin Quiñónes três minutos depois, livre dentro da área, para arrematar. Para fechar a goleada.

O título do Atlético Nacional tem grande significado, especialmente pela maneira como ratifica a reconstrução do time, depois de perder vários dos responsáveis pelo sucesso na última temporada. Neste sentido, alguns jogadores se afirmaram como protagonistas. Trazido do Tijuana, o veterano Dayro Moreno se transformou na nova referência ofensiva, autor de 14 gols no campeonato. Esteve bem acompanhado por Andrés Ibargüen e Arley Rodríguez. No meio, Macnelly Torres seguiu como estrela da companhia, ao lado de outros rodados, como Elkin Blanco, Aldo Leao Ramírez e Diego Arias. No setor, notável também foi a ascensão de Mateus Uribe. Já a defesa oscilou, mas permanece como um dos esteios do jogo de Reinaldo Rueda, que também enfrentou suas dificuldades nos últimos meses, passando por uma cirurgia no quadril e permanecendo semanas afastado.

Uma pena que o encaixe do Atlético Nacional na Libertadores tenha demorado a acontecer, o que custou o segundo semestre do clube nos torneios continentais. O que deve trazer os Verdolagas ainda com mais força para 2018, tentando ratificar ainda a hegemonia no Finalización. E não é de se duvidar que a supremacia continue. Desde 2011, são seis títulos da liga em 13 edições da competição, o dobro de qualquer outro concorrente. Força que fez os paisas dispararem na lista histórica, superando América de Cali e Millonarios no período, anteriormente os maiores campeões nacionais. Afirmação como o maior clube do país.