O Liverpool atravessou duas rodadas penosas no início da Premier League, mas vem de uma semana iluminada. Primeiro, pela classificação imponente sobre o Hoffenheim nos playoffs da Liga dos Campeões, confirmando a classificação à fase de grupos. Já neste domingo, naquele que teoricamente seria o seu jogo mais difícil no início do Campeonato Inglês, os Reds demoliram o Arsenal. Os Gunners jogaram muito mal, mas há também muitos méritos dos Reds na tarde fantástica vivida em Anfield. O time de Jürgen Klopp dominou o meio-campo e foi fatal em vários contra-ataques. O trio composto por Roberto Firmino, Mohamed Salah e Sadio Mané simplesmente jogou por música. E, não fosse Petr Cech, o placar poderia ter sido muito maior.

Klopp manteve a base de sua escalação utilizada neste início de temporada. As novidades eram pontuais: Simon Mignolet deixou o gol para a entrada de Loris Karius, em uma explicação do treinador sobre desgaste que não colou muito, enquanto Joe Gomez apareceu na lateral direita. Já pelo Arsenal, Arsène Wenger começou botando Alexandre Lacazette no banco de reservas. Danny Welbeck seria o homem de referência, municiado por Mesut Özil e Alexis Sánchez – este, fazendo sua estreia na temporada, após os problemas físicos recentes.

Desde os primeiros minutos, o Liverpool deixou bem claro quem seria o dono da tarde. Mantendo sua costumeira postura ofensiva, os Reds pressionavam no campo de ataque e mal permitiam que o Arsenal sair jogando. As chances começaram a aparecer e Petr Cech realizou seu primeiro milagre aos nove minutos, caindo nos pés de Salah para evitar o gol. Mas o craque de luvas teria pouco a fazer pouco depois, quando a boa trama coletiva abriu a goleada dos anfitriões. Joe Gomez roubou a bola, tabelou com Emre Can e cruzou para Firmino. O camisa 9 deu uma cabeçada de manual, queixo no peito, e não deu qualquer possibilidade de defesa.

O plano de jogo do Liverpool era muito claro. Os Reds trabalhavam duro para recuperar a posse de bola, tramavam bem os passes e buscavam os ataques em velocidade. Emre Can e Georginio Wijnaldum ditavam as ordens no meio-campo. Enquanto isso, o Arsenal era extremamente improdutivo. Jogava com letargia, desinteressado, errando demais na construção das jogadas. Mesut Özil era um símbolo da exibição apagada dos comandados por Arsène Wenger. Se a torcida em Anfield levava algum susto, era apenas pela falta de habilidade do goleiro Karius para jogar com os pés. De resto, tudo nos conformes.

A goleada do Liverpool parecia pronta para acontecer por osmose, entre um ataque voraz e uma defesa permissiva. Ela só não tomou forma antes porque Cech insistia em manter a honra em sua meta, enquanto Salah teve um gol anulado por impedimento. No entanto, o tcheco ficou vendido aos 39, no primeiro contra-ataque fulminante dos Reds no domingo. Os anfitriões arrancaram de maneira alucinante desde o campo de defesa. Firmino deu a assistência para Mané, fintando a marcação e batendo cruzado, sem qualquer chance de defesa. Pintura. Justamente no momento em que os Gunners tentavam se impor no ataque, se expuseram.

Não dava para continuar como estava. Por isso mesmo, Wenger tentou dar mais presença física ao time na volta do intervalo, com Francis Coquelin no lugar de Aaron Ramsey. Os londrinos se posicionavam mais à frente. E continuavam inócuos, totalmente à mercê da aceleração máxima do Liverpool. Em mais uma roubada de bola, Cech se agigantou para evitar o gol de Salah. Até que o egípcio enfim marcasse aos 10. Era uma cobrança de escanteio para o Arsenal que virou em gol dos Reds, com Hector Bellerín errando na intermediária. Pecado imenso diante de Salah, inspiradíssimo, deixando a sua marca.

Somente depois disso é que Wenger mudou o seu ataque, mandando a campo Giroud e Lacazette, nas vagas de Alexis Sánchez e Oxlade-Chamberlain. Pois até a zaga do Liverpool, com sua tradicional dificuldade em transmitir segurança, mantinha a solidez. A equipe de Jürgen Klopp se fechava bem e pressionava as finalizações, sem direção. Os londrinos não acertaram um chute sequer contra a meta de Karius ao longo dos 90 minutos. Mesmo com mais posse de bola na reta final da partida, os visitantes continuavam tomando sufoco na defesa.

Substituindo Mané, Daniel Sturridge anotou o quarto aos 32. Mais um contragolpe que deixou o Arsenal perdido pelo caminho. Emre Can construiu a jogada, Salah fez o cruzamento e o centroavante só teve o trabalho de escorar de cabeça. Klopp fechou um pouco mais o time, e Firmino saiu aplaudidíssimo para a entrada de James Milner. Os Gunners estavam totalmente entregues. Se os Reds forçassem um pouco mais, o quinto gol certamente sairia. Nas duas melhores oportunidades, de novo salvou Cech.

O Arsenal sai de campo sem merecer nenhum elogio, exceção feita a seu goleiro. Que o time tenha oscilado nos dois primeiros jogos da temporada, ao menos soube buscar o resultado. A derrota para o Stoke City era um aviso. E a goleada em Anfield coloca ainda mais em xeque as pretensões dos Gunners na temporada. Não é só uma questão de contratações ou de montagem do elenco. Pelo que se viu neste domingo, é de motivação e de concentração. Uma atuação tão apática deveria ser inadmissível para qualquer equipe. Diz muito sobre o que se vive em Londres.

Do outro lado, o Liverpool volta a mostrar seu ímpeto nos jogos grandes. O time de Jürgen Klopp tem muito talento e, quando se encaixa, sabe muito bem explorar as suas qualidades. Foram diversos destaques individuais, que potencializaram o coletivo, vertical nos ataques e enérgico na defesa. Com o triunfo, os Reds chegam aos sete pontos na Premier League, atrás apenas do Manchester United. E em dias nos quais se discute tanto sobre Philippe Coutinho, o elenco ressalta que vai além de seu camisa 10.


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