A estrutura nacional do futebol inglês, como existe há 100 anos, corre o risco de entrar em colapso por causa dos impactos financeiros da pandemia de coronavírus, a menos que haja auxílio do governo, afirmou um grupo de dignatários do futebol e da política em uma carta enviada ao secretários de Cultura e Esportes da administração de Boris Johnson.

A carta foi assinada pelos ex-presidentes da Federação Inglesa, Greg Dyke e Lord Triesman, o acionista do Sunderland, Charlie Methven, o comentarista Robbie Savage, o presidente da Associação de Torcedores de Futebol, Malcolm Clarke, o ex-presidente do Comitê do Departamento de Digital, Cultura, Imprensa e Esporte, Damian Collins, e vários outros deputados, segundo a BBC.

Eles argumentam que muitos clubes da Football League – entre a segunda e quarta divisão – e da National League – quinta e sexta – estão prestes a parar de jogar e entrar em falência por causa da ausência de receitas de bilheteria, essenciais para os clubes desse nível do futebol inglês e inviabilizadas pela decisão do governo de proibir torcidas em jogos de futebol pelos próximos meses.

Esse foi um risco latente no futebol inglês desde o começo da pandemia. O governo britânico acenava com um possível retorno das torcidas a partir de outubro, mas o aumento de novos casos de Covid-19 o obrigou a recuar e informar aos clubes que se preparem para jogar em estádios vazios pelos próximos meses.

Essa política pode ser afrouxada apenas ao fim do inverno, em março, o que significaria quase uma temporada inteira sem receitas de bilheteria para clubes que dependem muito delas. “Pedimos que o governo deixe claro o tipo de apoio financeiro que está preparado a dar, antes que seja tarde demais”, escreveu o grupo. “Para os clubes se sustentarem durante o inverno e continuar jogando, eles precisam ser compensados pela perda de receita de bilheteria. Ainda há tempo para agir, mas não há muito sobrando”.

De acordo com a BBC, as entidades esportivas devem entregar uma estimativa de quanto devem perder em receitas de bilheteria ao longo dos próximos seis meses até quarta-feira. O grupo citou um pacote de auxílio do governo de £ 1,5 bilhão a organizações de Arte e Cultura, em julho, e pede que o futebol inglês também seja tratado como uma atividade cultural.

“Sem planos para resgatar os clubes de futebol, muitos na Football League e outros na National League estão se preparando para parar de jogar, fechar suas categorias de base e fundações que ajudam a comunidade. Isso pode levar não apenas à falência de muitos clubes históricos, mas ao colapso da estrutura nacional de liga como a conhecemos há 100 anos”, alertou a carta.

O secretário de Cultura, Oliver Dowden, disse que espera que os clubes da Premier League cheguem a um acordo para ajudar o restante da pirâmide, mas um pacote de resgate não deve ser fechado ainda esta semana. O grupo alerta que o governo não pode simplesmente esperar que a Premier League resolva o problema por ele.

“Essa perda de receita não é resultado das ações desses clubes, mas das políticas que foram colocadas em prática pelo governo. Não pode ser responsabilidade apenas da Premier League  resolver esses problemas que surgem de políticas governamentais. O próprio governo precisa assumir a responsabilidade ou tantas cidades em apuros – muitas vezes em áreas do país que sofreram muito nas últimas décadas – perderão seu último ponto focal”, encerrou.

Treinadores como Jürgen Klopp, Frank Lampard, Chris Wilder, Sean Dyche, Brendan Rodgers e Carlo Ancelotti defenderam que os clubes da elite auxiliem os que estão passando mais dificuldades.

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