Nada contra Filipe Luís. O catarinense possui várias virtudes. No entanto, independente disso: a lateral esquerda da Seleção parece outra com Marcelo. Vivendo talvez o melhor momento da carreira com o Real Madrid, o carioca voou em suas duas primeiras partidas sob as ordens de Tite. E, curiosamente, justo no momento que completa uma década de sua convocação, quando tinha apenas 18 anos. O tempo serviu para dar tarimba a Marcelo. Mais maduro, o merengue tem condições de se tornar um dos jogadores mais influentes sob o comando de Tite.

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A ausência de Marcelo com Dunga se deu por motivos particulares. Não foi a primeira vez que o lateral enfrentou problemas com um técnico da seleção brasileira (incluindo Felipão e Mano Menezes) e nem mesmo com o capitão do tetra. Postura, aliás, que contrasta com aquilo que representa no Real Madrid. Um dos jogadores mais antigos do atual elenco, o defensor é o vice-capitão e conta com grande influência nos vestiários madridistas. Liderança clara. Que pode ser aproveitada na Seleção, especialmente depois de Tite prometer passar uma borracha nos entraves anteriores.

E, diante do recomeço, Marcelo demonstrou enorme disposição contra Equador e Colômbia. Nesta terça, o lateral deixou a Arena da Amazônia como um dos melhores em campo. Apoiou com vigor e causou enormes problemas à defesa dos Cafeteros, principalmente no primeiro tempo. Ofereceu jogadas pelas pontas, mas também incomodou fechando pelo meio. Já no segundo tempo, especialmente depois da entrada de Juan Cuadrado, precisou ficar um pouco mais contido no campo de defesa. Conseguiu cumprir o seu papel.

Neste momento, o encaixe de Marcelo no esquema parece perfeito. Primeiro, porque conta com o entrosamento ao lado de Casemiro, seu parceiro no Bernabéu. Em uma atuação monstruosa em Manaus, sobretudo no duelo com James Rodríguez, o volante também cobriu as brechas deixadas nas costas do lateral – e que foram constantes principalmente no primeiro tempo. A dobradinha deu liberdade para que o carioca atacasse. E, no campo ofensivo, poucos têm tanta capacidade para potencializar o talento de Neymar. O apoiador é uma preocupação a mais aos adversários, que puxa a marcação e abre os espaços para o camisa 10. Com o atacante acumulando funções na articulação, as subidas do defensor ajudaram demais a dificultar a vida dos colombianos.

A presença de Marcelo, diga-se, não inibe as convocações de Filipe Luís. E o catarinense serve mesmo de complemento aos predicados do carioca, oferecendo opções distintas a Tite. Se o madridista é mais completo e apresenta inegável vocação ofensiva, o colchonero pode servir em momentos a se aumentar a consistência da linha de zaga, até pela parceria antiga com Miranda, o líder tático do sistema defensivo. Peça-útil, ainda que apareça neste momento um pouco abaixo do novo titular.

Marcelo, indiscutivelmente, figura entre os melhores laterais do mundo. E, considerando tudo o que costuma jogar pelo clube, é até tarde para alcançar tamanho protagonismo na Seleção. Antes tarde do que nunca. Com Tite, ao menos nesse primeiro momento, prevalecerá a bola do camisa 16. Bola, justo o que não falta a ele.

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