Felix Magath não deve ser das pessoas mais fáceis de se conviver, e não é necessário ser nenhum grande conhecedor da espécie humana ou investigador para decidir isso. Basta se informar um pouco sobre as queixas dos atletas que já trabalharam com ele. Philipp Lahm, capitão da seleção alemã, é um exemplo. Rafinha, hoje no Bayern Munique, é outro. E o apelido carinhoso de “Saddam”, recebido no submundo da bola alemão, é a sentença definitiva. O reclamador da vez, porém, também tem um pouco de culpa no cartório.

Diego, 27 anos, surgiu como craque no futebol brasileiro, mas depois do Santos só jogou bem no Werder Bremen e no último ano, no Atlético de Madrid. É um meia que se caracteriza pela tranquilidade com a bola nos pés, mas também é conhecido por sumir em alguns momentos, brigar com companheiros e às vezes com técnicos também. Foi assim com o holandês Co Adriaanse em 2006, quando o meia atuava no Porto e forçou a barra para sair para o Werder Bremen.

A combinação dos dois tinha tudo para ser explosiva. E foi. Diego, contratado pelo Wolfsburg em 2010 quando o técnico ainda era Steve McClaren, fazia uma temporada ruim. Os Lobos, que haviam acabado de perder Edin Dzeko, namoravam firme a zona de rebaixamento. O elenco, que tinha a segunda maior folha salarial da Alemanha, estava completamente rachado. A solução encontrada pela diretoria foi chamar Magath, que tinha levado os Lobos ao inédito título alemão de 2008/09.

Dentro de campo as coisas deram certo. O Wolfsburg escapou do rebaixamento na última rodada, Magath seguiu prestigiado e com plenos poderes para mandar e desmandar dentro do clube. Diego, que havia se desentendido com o lateral Sascha Riether, se recusou a ficar no banco de reservas em uma partida e abandonou a concentração justo quando o time mais precisava de paz. O desentendimento com Magath fez com que ele tivesse que procurar um clube para atuar em 2011/12.

Sem clima para continuar na Alemanha, o meia foi emprestado para o Atlético de Madrid, onde fez uma temporada razoável e foi campeão da Liga Europa, marcando o último gol da vitória por 3 a 0. Saiu valorizado, e o Wolfsburg não teve dúvidas: botou o preço do meia lá em cima. Com a crise financeira que devasta a Espanha já há algum tempo, o Atleti não teve mais do que três mariolas para oferecer aos alemães. Tentou o empréstimo e não conseguiu, assim como o Flamengo fez, também sem sucesso.

Diego, então, se reapresentou ao Wolfsburg. Está treinando com o time. Magath, que dizia querer contar com ele no início, já mudou de ideia e disparou: “Olhe para Diego correndo. Você acha que ele está disposto a trabalhar? Eu não acho”, disse o treinador em um diálogo com um jornalista alemão. É a senha para mostrar que o futuro do meia não passa pela fria e nada aprazível cidade alemã.

Assim sendo, ele está diante de um impasse: o Wolfsburg não quer que ele fique, e ele não quer ficar. Até aí tudo bem. O problema é quando o dinheiro entra na jogada. Os Lobos não querem prejuízo, e Diego também não. O salário dele é bastante polpudo, e os outros clubes não estão disposto a pagar. O contrato dele vai até 2014.

Resta saber então qual a intenção de Diego na carreira: continuar jogando para, quem sabe, voltar a ter bons momentos, ou seguir ganhando dinheiro encostado num clube cujo técnico o odeia. Isso, é claro, se algum mecenas não estiver a fim de botar dinheiro num jogador de 27 anos que ainda busca se firmar como o grande craque que prometeu ser um dia e já não conta mais com o benefício da juventude para desculpar os próprios deslizes.