A franqueza que se nota em Diego Costa dentro de campo não lhe foge nas palavras. O centroavante também tem um estilo direto ao tratar diferentes assuntos, sem precisar esconder suas opiniões ou desejar agradar a todos. É o que se notou nesta sexta-feira, às vésperas do clássico contra o Atlético de Madrid. O Marca realizou uma entrevista bastante ampla com o centroavante e suas respostas saíram do protocolar. Conteúdo rico e que passa por várias ideias do sergipano. Abaixo, traduzimos parte das respostas, confira:

Volta ao Atlético

“Cholo sempre tem a importância de ser o treinador e a pessoa que é. Tenho carinho por ele como pessoa. Sempre foi uma relação muito direta. Quando me disse que desejava meu retorno… O tempo, a vida, lá não era como aqui. Aqui tenho tudo, um clube muito grande, com uma cidade boa, as pessoas são mais parecidas com a do Brasil. Cholo, quando me disse de voltar… eu sei que ele é quem manda e me fez sonhar. Tive a felicidade de poder voltar”

Relação com Simeone

“Sempre é um orgulho que Cholo diga que sou o atacante que mais se adapta a sua ideia de jogo. Isso me da confiança. Eu fui, ganhei duas Premier League, mais títulos. Já disse a ele que precisava me contratar para começar a ganhar coisas (risos). Ele sabe o que quero. E pelo grupo, que são quase todos que já estavam antes. Quando fui embora, fiquei com pena deles, por alguns companheiros que me trataram muito bem”

A passagem pelo Chelsea

“Nunca quero perder minha essência. A educação que meu pai me deu, ser bom com as pessoas. Os valores não se trocam nunca. Mudei porque estou mais velho. Fui à Inglaterra disputar outra liga, ter outra vida. Não me arrependo dessa experiência. A Premier League é impressionante. Tinha vontade de jogar. O Chelsea também é um grande. Precisava mudar. Tinha feito muito bem as coisas e queria provar algo distinto. Fui muito feliz no clube, com a torcida, tinham muito carinho por mim”

Brigas com Conte

“Foi um momento muito ruim. Não foi culpa minha. As pessoas falavam coisas, mas o tempo coloca tudo em seu lugar. Olha onde está o treinador, olha como saiu Conte. Eu sai mal do Chelsea por sua forma de agir. Cholo é um técnico direto. Quando não te quer, é claro e facilita isso. Ali foi o contrário. Fomos campeões e, depois de tudo, me mandou uma mensagem dizendo que não me queria. Tinha a opção de voltar ao Atlético. Mas quando eles me fizeram treinar com o segundo time… Tinha claro que ia ao Atlético, apesar das outras ofertas. Se não é assim, fico no Brasil com a família. Possuía dinheiro para viver toda a vida com a família. Tenho valores que não há dinheiro que compre”

Se este Atlético é mais forte que o de 2014

“É muito relativo. Tudo pode acontecer. Podem fazer análises ao final da temporada. Os que vieram têm a responsabilidade de melhorar os que estão, em um grupo que leva tempo junto. Para mudar o jogo, algo distinto dos últimos anos. Temos jogadores de muita qualidade, o clube fez um esforço de manter grandes jogadores. Contratou bem. Temos que fazer uma temporada muito boa com tudo o que temos. Nota-se em tudo no clube que o Atlético cresceu. Sua torcida era grande, agora… As pessoas vãos crescendo com o clube. Há um estádio novo, jogadores importantes, campeões do mundo. Nota-se a diferença de antes com agora. Sabemos que podemos crescer mais. Há um passo importante, como o centro de treinamentos. Irá se conseguir para dar um salto a mais de qualidade”

A permanência de Griezmann

“Eu entendi Griezmann dizer não ao Barcelona. As pessoas criticam, mas quando alguém passa muito tempo em um clube, pode pensar em outra coisa. As pessoas ao seu redor podem dizer que necessita uma mudança, como aconteceu comigo. As pessoas de fora opinam muito, mas nos guiamos pela família. Ele ficou por seu coração, tinha vontade de ficar, de estar aqui. Desde o princípio soube que queria ficar. Claro que uma oferta do Barça é importante. Messi, o clube, é normal que mexa com sua cabeça. O Atlético é um grande, ele é um líder. Ficou e nos deu a Liga Europa e logo ganhou a Supercopa, a Copa do Mundo. É um rapaz que demonstrou os sentimentos que tinha. Se é outra pessoa, tinha ido. Essa é a força que tem o clube. Ele escolheu por seu coração, por querer ficar. Sabemos que o Atlético pode competir com qualquer oferta”

A permanência de Filipe Luís

“As pessoas de fora não veem o que há dentro. Somos jogadores com prazo de validade. Filipe Luís tem uma idade. Vem um clube com uma oferta superior. Não se trata de não querer o Atlético, mas temos uma família. Chegamos a uma idade em que não haverá mais futebol. Disse a ele que pensasse o melhor para sua família. Ele é feliz no Atlético, as pessoas querem seu bem, seus filhos são daqui, sua mulher é espanhola. Não foi por essa qualidade de vida, ainda que teve dúvidas, mas se ficou é por algo. Se a essa idade me chega uma oferta alta, também pensaria duas vezes. Por minha família. Ele nos dá uma qualidade distinta. Lucas é muito bom, mas Filipe está mais acostumado e tem outro tipo de qualidade”

Postura do time

“Também queremos ser mais ofensivos, marcar mais gols. Quando ganhamos a Liga, íamos com tudo, marcamos muitos gols. Vai chegar. A equipe atrás é muito boa e nos dá tranquilidade. No ataque, falta mais conexão entre os meias e nós, atacantes. Chegará o momento e marcaremos muitos gols. Cholo sabe o que faz. Está aqui faz tempo e, se ganhou tanto, é porque está muito pronto. Ele sente as coisas, não é defensivo. Se pudesse marcar 20 gols, marcaria, mas prefere ganhar de 1 a 0 do que empatar ou perder. Sabe que falta conexão do meio com o ataque. Griezmann vinha de férias e os novos vão se acostumando. Estou certo que faremos um grande ano”

A adaptação dos jogadores no Atleti

“É normal quando alguém vai a outra equipe, que demore a se adaptar. Companheiros novos… Aqui é preciso trabalhar em equipe. O técnico pede o seu e o trabalho em equipe. Para contentar o técnico, fazem o trabalho em equipe e não o seu. Mas se estão aqui, é porque sabem fazer. Se tenta fazer só o coletivo, não será o jogador que necessitamos. Creio que por isso muitas vezes é custoso. Cholo pede muito. Se ele pudesse jogar, faria e meteria a bota. Mas ele quer que faça o que pede e também o que sabe”

A rivalidade com o Real Madrid

“O Madrid sempre te dá vontade. Eu gosto de jogar contra eles e meus companheiros também. Os jogadores do Real Madrid também gostam. Na Supercopa, tínhamos gana porque era outra final europeia, não queríamos perder, eles queriam ganhar outra. Seu técnico acabou de chegar e eles queriam começar ganhando. Eles tinham vontade de nos matar e nós tínhamos que entrar com a mentalidade de devorá-los. Sabemos que nas finais europeias sempre ganharam da gente. O Real Madrid é um timaço, com grandes jogadores, mas sempre foram jogos iguais. Nós tínhamos fome de títulos, de ganhar essa partida, e assim aconteceu”

A final da Champions de 2014

“A final de 2014 é minha pior lembrança como jogador. Estive ali, mas oito minutos. Mudaria tudo para jogar os 90. Não sei se o jogo seria outro ou não. Um dia antes, treinei. Dei um sprint para ver se estava tudo bem. Não queria jogar a final com dúvida. É uma final que necessitava dos melhores, não podia pensar só em mim. Queria ganhar e seria igual aos outros. Eu me arrependo de fazer os tratamentos mais fortes. Por isso comecei a ter mais lesões. Logo cheguei à Copa muito mal fisicamente. Mas Cholo me viu treinando, viu as arrancadas no máximo. Era normal que pusesse um jogador importante”

Relação com a Champions

“A Champions é uma obsessão. As pessoas sonham porque a final é no nosso estádio. Oxalá pudéssemos assinar um papel de não ganhar nada e sim a Champions. Há clubes que contratam para isso, que são superiores aos demais na liga nacional e se concentram nisso. Tenho, como meus companheiros, a maior vontade de ganhá-la. A gente tem que ser consciente de que vai por etapas. Temos que ganhar partidas, crescer, lutar. Vontade não vai nos faltar”

Mudança de técnico na Espanha em plena Copa

“Vamos ser honestos. Quando um técnico que trabalhou dois anos vai embora… cada um entende um grupo humano de uma maneira. Lopetegui tinha o grupo não mão, sabia as substituições, conhecia muito. Hierro chegou tendo uma personalidade muito forte para assumir, mas em apenas dois dias é complicado introduzir seus métodos. Ele se saiu bem, foi culpa nossa porque podíamos dar um pouco mais. Por qualidade e nomes, não se ganham os jogos”

Objetivos com a seleção

“Há jogadores para ganhar a Eurocopa, gente com fome. Eu tenho gana enorme de ganhar algo com a seleção. Deve ser único. A seleção tocou ao céu e chega em um momento que precisa tocar o fundo. Olha o Brasil, com os jogadores que tem. A França perdeu a Eurocopa e logo foi campeã. Não é fácil. Por muitos jogadores bons que hajam, outras equipes possuem grandes nomes. Sabemos que para ganhar precisamos nos unir, ter vontade. Desde que estou aqui, há jogadores para ganhar tudo e não se ganhou, mas sim antes”