Mostramos por que Diego Costa merece chance na Seleção

Atacante brasileiro é o artilheiro de La Liga, com os mesmos sete gols de Messi, e vai provando sua eficiência para manter a boa fase do Atlético de Madrid

Quando se pensava que o Atlético de Madrid sofreria com a venda de Radamel Falcao García, a equipe dá provas de que seu coletivo é bem mais forte que a melhor das individualidades. Os colchoneros venceram suas seis primeiras partidas por La Liga, algo que só havia acontecido outras duas vezes na história do clube, e dividem a liderança com o Barcelona. E, no fim das contas, que mais se beneficiou nessa história toda foi justamente Diego Costa, o antigo escudeiro de Falcao.

Basta olhar para a tabela de artilheiros de La Liga para perceber esse crescimento do atacante. O camisa 19 divide o topo da lista com Lionel Messi, ambos com sete gols – dois deles anotados nesta terça, na vitória por 2 a 1 sobre o Osasuna. Diego é apenas o terceiro brasileiro a atingir uma marca tão expressiva de tentos nas primeiras seis rodadas do Campeonato Espanhol, igualando os feitos de Waldo (Valencia, 1966/67) e Bebeto (Deportivo de La Coruña, 1995/96).

A saída de Falcao García é diretamente responsável por este papel central. Sem o colombiano, Diego Costa passou a atuar mais como referência, embora ainda continue buscando o jogo fora da área. Quem passou a vir de trás e servir como segundo atacante é David Villa, trazido como substituto do antigo goleador. Ainda que o espanhol some dois gols na Liga, a mudança de papéis é evidente. Diego está a apenas três gols de sua melhor marca em uma edição inteira do Espanhol – 10, em 2011/12 e 2012/13.

Tanta eficiência é explicada pela repetição de uma das maiores qualidades de Falcao: a precisão nos arremates. Diego Costa finalizou 17 vezes para marcar seus sete gols, em um aproveitamento de 41,2%. Messi, por exemplo, precisou de 32 chutes, quase o dobro, para chegar à mesma quantidade de gols. É óbvio que o argentino é mais participativo na definição de jogo do Barcelona, o que não diminui o poder de fogo do brasileiro. De 14 arremates do colchonero que não foram bloqueados, 11 foram na direção do gol.

A direção dos chutes de Diego e os locais de onde os gols foram marcados (Fonte: Squawka)
A direção dos chutes de Diego e os locais de onde os gols foram marcados (Fonte: Squawka)

E o papel central na conclusão do Atlético de Madrid não diminuiu a participação de Diego Costa na criação das jogadas. Foram 11 passes para finalização nas seis primeiras rodadas do Espanhol, marca inferior apenas à de Koke entre seus companheiros. O problema é que apenas um desses toques se transformou em gol. Na temporada passada, o camisa 19 foi o líder de assistências do Atleti, com 15.

Levando em conta a escassez de centroavantes brasileiros no futebol europeu, Diego Costa é hoje, com certas sobras, o melhor da posição atuando fora do país. Uma condição que garante visibilidade à Seleção. Fred é titular absoluto na equipe de Felipão, enquanto Jô caminha a passos largos para ser o reserva na Copa. Contudo, o colchonero pode muito bem ser incluído em um terceiro nível, ao lado de Alexandre Pato e Leandro Damião. Se em março, quando ganhou sua primeira convocação, Diego Costa foi questionado, atualmente ele demonstra que tem méritos para uma nova chance.