Diego Alves se lesionou quando vivia um dos melhores momentos da carreira. Duas semanas após a monstruosa atuação contra o Real Madrid, o goleiro sofreu uma ruptura nos ligamentos do joelho contra o Almería. Passou quase nove meses em recuperação. Neste sábado, o brasileiro finalmente teve o gosto de voltar a jogar, mas diante de uma situação bem diferente da qual largou os Ches. O time que havia se classificado à Champions League vivia a sua segunda maior sequência sem vencer no Campeonato Espanhol. Vivia, porque Diego Alves ajudou a mudar a marca negativa. O goleiro falhou, mas compensou com outros tantos milagres para garantir a virada por 2 a 1. Depois de 12 jogos, o Valencia sente de novo o prazer de um triunfo, o primeiro de Gary Neville por La Liga desde que assumiu o time.

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O técnico tomou uma decisão corajosa ao escalar Diego Alves. Por mais que a fase do Valencia seja péssima, não é culpa do goleiro que vinha sendo titular. Poderia ser pior, não fosse Jaume Doménech, apontado pela própria liga como o melhor da posição no primeiro turno. Contudo, o jovem espanhol não ficou nem no banco, com o australiano Matt Ryan (outro que permaneceu lesionado por meses) servindo de reserva. De qualquer maneira, Diego Alves fez valer a confiança e a idolatria que recebe no Mestalla, ovacionado pela torcida quando seu nome foi anunciado.

Em quatro minutos, o camisa 1 já demonstrou que seguia sem perder suas qualidades. Em um desvio à queima-roupa de Felipe Caicedo na pequena área, Diego Alves espalmou milagrosamente. Ainda assim, os meses parado cobraram o seu preço no segundo tempo. O excesso de confiança em uma bola fácil levantada na área permitiu que Óscar Duarte se antecipasse ao arqueiro e abrisse o placar para o Espanyol. Não seria nesta noite, porém, que o brasileiro deixaria o Mestalla como vilão. Muito pelo contrário.

Em um lance de sorte, Diego Alves evitou o segundo gol em uma defesa dupla, parando o arremate de Diop com o rosto. E, no ataque, via os seus companheiros compensarem. Álvaro Negredo empatou aos 26, a partir de um chute desviado. Já a virada saiu cinco minutos depois, com Sofiane Feghouli cruzando perfeitamente para Denis Cheryshev desviar de cabeça. O Espanyol, no entanto, martelava no ataque. Mas desperdiçava chances em excesso, além de ver Diego Alves se afirmar como herói pela última vez. O empate só não saiu porque o camisa 1 operou outro milagre, após desvio em cobrança de escanteio.

Por tudo o que Jaume jogou nos últimos meses, talvez não fosse a decisão mais justa sacar o jovem. Mas também seria uma falta de consideração com a história construída por Diego Alves no Valencia. Por fim, prevaleceu o ídolo, justificando a decisão. O camisa 1 ainda precisa de tempo para recuperar o ritmo de jogo, algo fundamental para um goleiro, diminuindo a vulnerabilidade demonstrada neste sábado – especialmente nas lentas saídas de gol. Só que, ao menos na agilidade sob as traves, o brasileiro continua incomparável. Sua volta reforça a confiança do Valencia, algo corroborado (coincidência ou não) reencontrando as vitórias. Diante de um rival direto na luta contra o rebaixamento, os Ches conquistaram três pontos fundamentais – subindo para 11º, com sete pontos acima do Z-3. Enquanto isso, os torcedores logo voltaram a santificar Diego Alves como um dos melhores goleiros do futebol espanhol.