O futebol possui um mercado editorial grande no Brasil e que, felizmente, após longos anos subaproveitado, vem se aquecendo. Entre as editoras exclusivamente dedicadas ao esporte, mais uma iniciativa bacana surge: a No Barbante. O projeto pretende falar apenas sobre futebol, e de uma maneira que valorize as boas histórias, com profundidade e coração. O tripé será unir jornalismo, pesquisa acadêmica e literatura, através de livros e outros tipos de publicações.

As ideias da editora No Barbante começam a sair do forno. E o primeiro livro já está disponível, intitulado “A Selva do Futebol”. O conteúdo se originou a partir de uma reportagem de fôlego, originalmente disponível no Brio, e de um texto complementar publicado aqui na Trivela. O material, adaptado e enriquecido, recheia as páginas assinadas por Raul Andreucci e Tulio Kruse.

“A Selva do Futebol” fala sobre a realidade do futebol amazonense às vésperas da inauguração da Arena da Amazônia. Também se aprofunda sobre a extração ilegal da madeira que sustenta as estruturas do mesmo estádio. O livro traz um paradoxo do futebol amazonense, com o contraponto entre o suntuoso estádio construído para a Copa do Mundo de 2014 e a realidade sufocante de clubes com sérias dificuldades para se bancar. São três capítulos principais, que contam as histórias por trás deste cenário.

“Juntando esforços e talentos, a dupla conseguiu, na prática, uma história parecida à maneira com que um dos maiores escritores do país, Nelson Rodrigues, enxergava a cobertura de um evento como o futebol: ‘Houve um tempo, no passado do homem, em que o fato tinha, sempre, um Camões, um Homero, um Dante à mão. Por outras palavras: o poeta era o repórter que dava ao fato o seu encanto específico. Hoje, nós temos tudo: jornal, rádio e tevê. O que nos falta é, justamente, a capacidade de admirar, de cobrir o acontecimento com o nosso espanto’. É isso, leitor, o que você tem em mãos. O espanto de dois jovens talentosos sobre A Selva do Futebol”, escreve em um dos prefácios André Ribeiro, autor das biografias de Telê Santana e Leônidas da Silva.

Tão bacana quanto o conteúdo do livro é o material da publicação. Todas as páginas são coloridas e há ilustrações assinadas por André Bonani. Além disso, o charme fica por conta da costura aparente na encadernação, uma referência à editora No Barbante, que confere um visual mais artesanal. O capricho é evidente.

A editora No Barbante já rodou a primeira tiragem do livro, disponível em pequenas livrarias de três cidades do país. Mas, para ampliar a impressão e ajudar na divulgação, A Selva do Futebol realiza um financiamento coletivo com vários brindes aos leitores. É possível comprar não apenas o livro, mas também ganhar adesivo, pôster, ilustração original e até um “Dicionário Ludopédico” com verbetes do futebol. A vaquinha segue em frente até 13 de agosto, com o objetivo de bater a meta de R$10 mil.

Aos interessados, este é o link disponível para comprar o livro e ajudar o financiamento coletivo.

A página oficial da editora No Barbante também disponibilizou alguns trechos do livro aos mais ávidos, que desejarem conhecer um pouco mais do conteúdo. São eles: “Obrigado por jogar”, sobre dois clubes locais, o Holanda e o Sul América; “O canteiro de obras“, sobre a construção da Arena da Amazônia; e “Tão perto, tão longe“, sobre o Rio Negro e o Nacional, bem como sobre o presidente da federação amazonense. Abaixo, também o vídeo, falando sobre A Selva do Futebol e a vaquinha: