O Boca Juniors se revestiu de todas as suas místicas e de seus ídolos para conquistar, de maneira épica, o título do Campeonato Argentino no último sábado. Carlos Tevez, Diego Maradona, Juan Román Riquelme e Miguel Ángel Russo aparecem entre os grandes protagonistas da noite fulgurante em La Bombonera. No entanto, a imagem de uma mulher também representa o espírito de luta xeneize: Justina Salvio, a mãe do meia Eduardo Salvio. Há uma semana, “Tota” estava na terapia intensiva após realizar uma cirurgia cerebral. Já no sábado, ela comemorava o feito de seu filho em pleno gramado.

Tota Salvio foi um dos grandes motivos para que Eduardo assinasse com o Boca Juniors no último mês de julho. A mãe é torcedora fanática do clube e, lutando contra um câncer, influenciou bastante a transferência acertada pelos xeneizes. Quando Salvio era criança, Tota costumava levá-lo aos jogos na Bombonera. Já durante a apresentação do jogador, a senhora deu um show particular e chegou a dizer que o “River não existe”, ao ser questionada se o filho poderia defender um dia os rivais. Segundo Tota, se o Boca vencesse o superclássico da semifinal da Libertadores com seu filho em campo, ela poderia “morrer tranquila”.

Já em fevereiro, Tota Salvio deu um grande susto na família. Por conta de uma hemorragia cerebral, a senhora precisou passar por uma cirurgia de emergência e permaneceu internada na unidade de terapia intensiva do hospital. Apesar da preocupação óbvia, Salvio continuou treinando normalmente e até melhorou seu desempenho na reta final do Campeonato Argentino. Foram quatro gols e uma assistência nas quatro partidas seguintes do Boca, resultando em quatro vitórias. Tota, inclusive, fez “uma bagunça danada” na UTI durante o triunfo sobre o Godoy Cruz, em que seu filho anotou dois tentos.

Naquele momento, Tota contou que também sonhou com o Boca Juniors campeão e que, no sonho, ela entrava de joelhos no gramado da Bombonera. Pois o desejo se cumpriu. Durante o começo da semana, a paciente ganhou alta da UTI, embora permanecesse internada. Já na manhã de sábado, mesmo sem se sentir tão bem, Tota falou com o médico e ganhou permissão para visitar a Bombonera. Com um grande curativo na cabeça, a ordem era “cuidar das emoções”. Ainda assim, a senhora não pôde se segurar quando o título xeneize se consumou.

No centro do gramado da Bombonera, Tota Salvio fez o seu sonho se tornar realidade. A torcedora fanática começou a andar de joelhos em direção ao filho, que ofereceu um emotivo abraço em meio à comemoração do título. “Passe o que passe, já vi meu filho ser campeão”, declarou Tota, em meio à comoção. Obviamente, Eduardo dedicou a conquista à luta de sua mãe, em sua recuperação após a cirurgia e também contra o câncer.

“Eu ainda não me recuperei. Há uma semana estava na terapia intensiva e, no sábado, pude pular em campo. As emoções vieram todas juntas. Estou tão contente… Eu sabia disso, pressenti o título. Disse que, se o Boca fosse campeão, ia entrar de joelhos. E assim fez”, contou Tota, em entrevista ao Olé. “O médico me colocou uma proteção e assim fui. Eu só tinha que cuidar das emoções. Mas é difícil, porque sou ansiosa e quero que meu filho faça tudo à perfeição”.

Segundo Tota, enquanto estava na UTI, ela seguia conversando com o filho antes de cada partida. Na manhã dos jogos nesta reta final do Campeonato Argentino, ela mandava uma passagem da Bíblia a Eduardo. “Em alguns dias, não digo que ele vai fazer gols, porque boto pressão com isso. Sou exigente com ele”, explicou a mãe. “Quando vi Eduardo neste sábado, dei um abraço e parabenizei. Estava muito feliz. Imagine que, com tudo o que me passou, tantos golpes, eu tenha esse momento feliz”.

E, para Tota, as ambições seguem em frente: “Meu filho me cumpriu todos os sonhos. Eu avisei as pessoas no Boca: em clube que ele pisa, sai campeão. Agora ele cumpriu o sonho que faltava. Igual vamos por mais. Para os que dizem que morremos em Madri… Este ano vamos pela Libertadores”. É bom não duvidar de uma mãe, ainda mais diante de tamanho fanatismo – não só pelo sucesso do filho, mas também pelo clube que ele defende.