Preso nos Estados Unidos, José Maria Marin será libertado em meio à pandemia de coronavírus. Condenado após o escândalo de corrupção na Fifa, o dirigente de 87 anos entrou com um pedido de soltura por conta dos riscos que a doença representa à sua saúde. Nesta segunda-feira, a juíza Pamela Chen (que havia determinado a pena do brasileiro) concedeu a liberdade ao ex-presidente da CBF, com redução do tempo de cárcere. Mantido na penitenciária de Allenwood, na Pensilvânia, Marin já tinha cumprido 34 dos 48 meses aos quais foi condenado. Conforme o repórter Martín Fernández, do Globo Esporte, a liberação ocorrerá nos próximos dias.

Neste domingo, os advogados de Marin enviaram o pedido emergencial à justiça. Segundo a Bloomberg, o vírus teria sido citado no documento, arquivado sob sigilo. Eles pediram que a juíza levasse em conta o histórico médico do brasileiro e sua idade avançada. Pelo menos um preso em Allenwood testou positivo para a COVID-19, o que motivou a ação imediata pela soltura do dirigente.

Em sua decisão, Chen citou a “saúde significantemente deteriorada” de Marin e o “elevado risco de graves consequências por causa do vírus”. Também foi levado em conta o bom comportamento do cartola e o fato de que já cumpriu a maior parte da condenação. Os trâmites pela libertação ainda devem levar mais alguns dias e os advogados pretendem trazer o dirigente de volta ao Brasil, segundo declararam ao Globo Esporte, onde terá os cuidados da família.

Marin está detido desde maio de 2015, quando a investigação do FBI pelo escândalo de corrupção na Fifa estourou. O ex-presidente da CBF se encontrava na Suíça, para uma reunião da entidade, quando foi preso. Após sete meses na cadeia em Zurique, o cartola seria transferido aos Estados Unidos e ficou em prisão domiciliar, até ser condenado em dezembro de 2017 por seis dos sete crimes sobre os quais era acusado – incluindo organização criminosa, fraude e lavagem de dinheiro.

Enquanto esteve à frente da CBF, Marin aceitou subornos na casa de US$6,5 milhões. Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero também foram denunciados no esquema, mas o julgamento de ambos nos EUA não aconteceu, já que as leis brasileiras não permitem a extradição de seus cidadãos. Em agosto de 2018, a justiça americana reiterou a pena de quatro anos de prisão a Marin, em conjunto à confiscação de US$3,3 milhões de seus bens e a uma multa de US$1,2 milhão. Após cumprir os primeiros meses de sua pena em uma penitenciária no Brooklyn, o ex-presidente seria transferido à Pensilvânia, a pedido de seus advogados.