A França atravessa um momento de enorme mobilização social. Uma série de manifestações contra o governo de Emmanuel Macron ocorre no país. Os chamados “coletes amarelos” (em referência ao item obrigatório aos motoristas franceses) lideram os protestos, que tiveram início em meados de novembro, contra aumento de impostos nos combustíveis. Já nos últimos dias, a convulsão coletiva se tornou ainda maior, atingindo diferentes classes de trabalhadores e se espalhando por cidades além de Paris, tendo como principal motivação a queda do poder aquisitivo da população. Há depredações nas ruas e confrontos com a polícia, resultando em centenas de prisões. Apesar do anúncio do governo, suspendendo o aumento, manifestações e paralisações seguem programadas para o final de semana. Assim, diante da situação excepcional no país, a Ligue 1 obviamente também é afetada.

Até esta quinta-feira, cinco jogos do Campeonato Francês foram oficialmente cancelados. Os pedidos, na maioria dos casos, partiram das prefeituras e de outras autoridades que avaliam os riscos de organizar os eventos. Além do deslocamento de contingente policial específico às partidas, também há o temor que tumultos ocorram com as multidões mobilizadas rumos aos estádios. Assim, metade da rodada não irá acontecer e há a possibilidade que novos adiamentos sejam anunciados.

O Paris Saint-Germain receberia o Montpellier no Parc des Princes e, com a situação intensa em Paris, o duelo foi cancelado. O mesmo com o confronto entre Saint-Étienne e Olympique de Marseille. Angers e Toulouse foram outros a adiar seus compromissos com Bordeaux e Lyon, respectivamente. E até o Principado de Mônaco achou mais prudente não realizar a partida da vez no Estádio Louis II. O Monaco disputaria justamente o clássico da Côte d’Azur, contra o vizinho Nice.

Ainda assim, a LFP não pretende adiar a rodada como um todo. Foi o que afirmou Didier Quillot, chefe-executivo da entidade que organiza o campeonato, em entrevista ao L’Equipe: “Todas as decisões de adiamento foram realizadas a pedido dos prefeitos. Nossa linha é que os prefeitos tomam a decisão. Preferimos não adiar toda a rodada”. Aguarda-se a confirmação da liga sobre o cancelamento de um sexto jogo, após a intenção anunciada pelo Nîmes para o encontro com o Nantes.

Entre aqueles que se manifestaram sobre o ocorrido, Patrick Vieira, atual técnico do Nice, ofereceu sua solidariedade à população: “Estou desapontado por não poder disputar este jogo, mas, diante do que está acontecendo, se pode compreender. Vivemos na França, vemos o que acontece. O país atravessa momentos difíceis, nos solidarizamos com o povo francês. As coisas que acontecem no país são mais importantes que o futebol”.

No final de semana passado, a torcida do Olympique de Marseille havia oferecido seu apoio aos manifestantes. Durante o jogo contra o Stade de Reims, realizado no Estádio Vélodrome, algumas dezenas de torcedores usaram coletes amarelos. Também surgiu um bandeirão com a imagem de um colete amarelo no meio do principal grupo de ultras, que levou uma faixa anunciando que “estão com o povo”.