A Espanha fez uma boa partida contra a Alemanha, criou muitas chances e deixou as adversárias desconfortáveis, mas isso não foi suficiente para conseguir um bom resultado. Foram as alemãs que venceram, 1 a 0, em um erro da defesa espanhola, e chegaram a duas vitórias em dois jogos. Duas vitórias sofridas, duras e sem lá muito brilho, mas dois triunfos que colocam o time na próxima fase.

Espanha amassa, Alemanha marca

Nos primeiros 15 minutos de jogo, foi incrível o quanto a Espanha dominou o jogo e também o tanto de gols que perdeu. Foram muitas chances nesse início de jogo. A Alemanha não ter tomado o gol nesse início de jogo foi quase um milagre. As espanholas erraram demais nas finalizações, uma tônica de todo o jogo, mas que foi ainda maior nos primeiros minutos. As alemãs estavam encurraladas e sentiram o calor, mas sobreviveram incólumes.

Já no final do primeiro tempo, a Alemanha conseguiu o gol em um erro da defesa. A jogada começou pela direita do ataque, lançamento na ponta direita para Svenja Huth, que cruzou para Alexandra Popp cabecear. A goleira Sandra Paños ainda defendeu, mas no rebote, Sara Daebritz foi mais esperta que Marta Torrejón e empurrou para o fundo das redes: 1 a 0.

A presença (e ausência) das camisas 10

A Alemanha não tinha em campo a sua principal jogadora, que é também a capitã do time, Dzsenifer Marozsán. A camisa 10 quebrou o dedo e perderá ao menos toda a fase de grupos, com risco de nem poder voltar a jogar nesta Copa. Sem ela, a Alemanha sentiu muita falta de uma jogadora que organizasse e centralizasse o jogo.

Na Espanha, a camisa 10 estava presente e era quem mais levava perigo com seus passes e boa participação. Jennifer Hermoso, craque do Atlético de Madrid, é alta, canhota e tem habilidade muito acima da média. Sempre que a bola caiu nos seus pés, o jogo da Espanha parecia clarear.

Segundo tempo mais travado

O segundo tempo começou melhor para a Alemanha, que deixou de ser muito controlada pela Espanha. As espanholas foram para cima e tentaram se impor com volume de jogo, criando chances e fazendo a bola passar muito pelos pés da Hermoso, sua principal jogadora. A ineficiência do time no ataque custou caro, porque a Alemanha, se defendendo melhor, dava menos espaço que no primeiro tempo, também aproveitando o placar para ter uma postura mais defensiva.

A Espanha tinha domínio da posse de bola, mas a Alemanha não pareceu desconfortável. Pelo contrário, tanto que ainda conseguiu criar algumas chances de gol, sendo uma delas uma cabeçada Alexandra Popp, livre, que a goleira Paños defendeu com tranquilidade. As alemãs tinham suas chances em ataques rápidos, mas o jogo se desenvolvia, com posse de bola, no campo de ataque espanhol.

Em uma das melhores chances do jogo foi em um ataque pelo meio que acabou em falta e poderia acabar em expulsão. Cartão amarelo para Verena Schweers, que fez falta que impediu uma chance clara de gol. A árbitra poderia ter expulsado a jogadora alemã pelo lance, mas preferiu dar apenas o cartão amarelo. Na cobrança, Marta Torrejón cobrou na barreira. Em geral, a Espanha teve poucas oportunidades.

Experiência x intensidade

A Espanha seguiu o seu jogo de muitos passes, tanto que terminou com 59% de posse de bola, com 505 passes, contra 187 das alemãs. O jogo da Espanha ficou claro nos primeiros minutos e, como a Alemanha sobreviveu à pressão inicial, se adaptou a ele. A posse de bola ficou com as espanholas, mas as alemãs tiraram os espaços e passaram a explorar a velocidade. E tiveram sucesso, porque a Espanha tinha dificuldade para entrar na área.

Ao final do jogo, em termos de número de chutes a gol, o jogo acabou equilibrado. A Alemanha chutou 15 vezes, com oito deles no alvo. A Espanha chutou uma a mais, 16, mas só acertou dois. Passou longe de ser um time eficaz nas finalizações. A Alemanha poderia ter aberto 2 a 0, teve chances para isso.

A Espanha, em sua segunda Copa do Mundo, já mostra capacidade de disputar jogos de igual para igual – ou até melhor – contra uma potência como a Alemanha. Falta, porém, experiência e saber usar o controle do jogo para ser mortal, implacável, algo que os Estados Unidos são e a Alemanha também.

Conta a favor da Espanha o fato de ter feito um jogo bom no meio-campo e ataque, ainda que não tenha sido eficiente. Precisa, porém, vencer o jogo final do grupo, contra a China, que engrossou contra a Alemanha e deve ser um jogo difícil. A Alemanha, por sua vez, joga contra a África do Sul na rodada final, com a chance de se classificar com três vitórias.

Ficha técnica

Alemanha 1×0 Espanha

Local: Stade du Hainaut, em Valenciennes
Árbitra: Maryna Striletska (Ucrânia)
Gols: Sara Dabritz aos 42’/2T (Alemanha)
Cartões amarelos:
Verena Schweers (Alemanha)

Alemanha: Almuth Schult; Kathrin Hendrich (Klara Buehl), Marina Hegering, Sara Doorsoun e Giulia Gwinn; Lena Goessling (Melanie Leupolz), Sara Daebritz e Lena Oberdorf (Lina Magull); Svenja Huth, Alexandra Popp e Verena Schweers. Técnica: Marina Voss-Tecklenburg

Espanha: Sandra Paños; Marta Torrejón, Irene Paredes, María León e Marta Corredera; Silvia Meseguer (Patri Guijarro), Jennifer Hermoso e Virginia Torrecilla; Mariona Caldentey (Lucia Garcia), Nahitaria Garcia e Alexia Putellas (Aitana Bonmati). Técnico: Jorge Vilda