As atuações pouco convincentes no início da Premier League, as declarações intempestivas de José Mourinho e, finalmente, a derrota marcante para o Tottenham em Old Trafford: tudo pesava contra o Manchester United neste início de temporada. E por isso mesmo, os Red Devils precisavam de uma resposta o quanto antes, para tentar aliviar o clima em seus corredores. O duelo contra o Burnley em Turf Moor não costuma ser dos mais simples, mas providenciava uma oportunidade a se agarrar. Boa resposta dos mancunianos. Com uma boa atuação ofensiva, graças às combinações entre os seus atacantes, o United derrotou os anfitriões por 2 a 0. Resultado para botar o time nos trilhos durante a pausa para a Data Fifa.

Antes mesmo do jogo, um sinal do ambiente apareceu nos céus: um avião sobrevoou Turf Moor dizendo que Ed Woodward, homem-forte no departamento de futebol do Manchester United, era um especialista em fracassar. Não deixava de ser, de qualquer forma, um afago a José Mourinho com as críticas ao principal antagonista do treinador, depois de um mercado de transferências pouco movimentado aos mancunianos. E que a escalação de Marouane Fellaini pudesse incomodar alguns, os Red Devils se colocaram no ataque desde o princípio. Depois de algumas chances no início, os visitantes abriram o placar aos 27 minutos. Cruzamento perfeito de Alexis Sánchez para Romelu Lukaku emendar de cabeça. Ambos chamavam a responsabilidade, com as aproximações de Jesse Lingard e o apoio de Luke Shaw dando mais volume para ameaçar os adversários.

O Burnley parece distante de repetir o sucesso da temporada passada. Nem mesmo a solidez defensiva, uma das marcas da ótima campanha na temporada passada, consegue se reproduzir. Assim, o United encontrava espaços na defesa adversária. Lukaku poderia ter ampliado, mas parou em defesa providencial de Joe Hart. Já aos 44, o centroavante conseguiu marcar. Foi uma jogada bem trabalhada em seu início, mas que terminou com a sorte do belga. Em chute que ricocheteou na defesa, a bola sobrou limpa para que ele definisse.

Durante o segundo tempo, o Burnley tentou buscar um pouco mais o ataque, depois de uma atuação ofensivamente nula no primeiro tempo. Não representava problemas ao United, que tinha mais espaço para atacar com velocidade e continuava criando as melhores chances. Paul Pogba poderia ter anotado o terceiro em cobrança de pênalti, mas bateu mal e Joe Hart defendeu. Aos 25 minutos, um lance de descontrole rendeu a expulsão de Marcus Rashford, ao esboçar uma cabeçada em Phil Bardsley. De qualquer forma, não foi a desvantagem numérica que atrapalhou tanto assim a atuação superior dos visitantes, tomando um susto ou outro nas bolas alçadas. Lukaku ainda poderia ter completado o seu hat-trick, mas foi travado pela zaga mesmo depois de driblar Joe Hart. Ao apito final, festa e alívio, com Mourinho aplaudido pelo setor visitante das tribunas.

O Manchester United chega aos seis pontos, insuficiente para o que se cobra ao clube, mas ao menos encerrando a sequência ruim das últimas partidas. Aparece na décima colocação. E se há a cobrança por uma postura mais ofensiva do time, mesmo não tendo sido uma atuação avassaladora, a apresentação em Turf Moor satisfaz. É o que se espera do funcionamento coletivo e da contribuição de algumas estrelas. O Burnley, por sua vez, entra em alerta. Conquistou só um ponto nas quatro primeiras rodadas, além de não ter alcançado a fase de grupos na Liga Europa. Será uma campanha para colocar os pés no chão, longe do deslumbramento dos últimos meses.


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