O Napoli precisava da vitória para não correr riscos de uma eliminação precoce na Champions League. E, apesar da crise que ronda a equipe de Carlo Ancelotti, acumulando nove partidas sem vencer até então, parecia difícil que os celestes desperdiçassem a oportunidade: encaravam o eliminado Genk dentro do Estádio San Paolo. No fim, o triunfo napolitano por 4 a 0 veio com uma tranquilidade maior do que se esperava – apesar das muitas finalizações dos visitantes. O resultado teve o brilho de Arkadiusz Milik, autor de um hat-trick, mas também a infelicidade do goleiro Maarten Vandevoordt, que se tornou o mais jovem de sua posição a atuar na história moderna da competição – desde 1992/93.

Aos 17 anos, Vandevoordt ganhou a titularidade do Genk nos últimos jogos. O prodígio mantém a tradição de um clube com categorias de base excelentes, de onde saiu, entre outros, também Thibaut Courtois. No entanto, a estreia do adolescente na Champions seria desastrosa. Logo no primeiro ataque do Napoli, Kalidou Koulibaly carimbou o travessão. Já na sequência do lance, Vandevoordt se atrapalhou todo em uma bola recuada. Cercado por dois, tentou driblar e se mostrou extremamente nervoso. Não deu outra: entregou o presente nos pés de Milik, que abriu o marcador.

O Napoli atacava, mas o Genk também mostrou que poderia atrapalhar as pretensões dos italianos. Os belgas deram alguns sustos do outro lado e pecavam apenas na conclusão, sem acertar a meta de Alex Meret. Foram dois arremates venenosos que poderiam ter rendido o empate, passando perto da trave. E a máxima de que a “bola pune” surgiu a partir dos 26 minutos, quando os celestes realmente se impuseram. O segundo veio num cruzamento excelente de Giovanni Di Lorenzo para Milik concluir na área. Já aos 37, Vandevoordt saiu mal e cometeu pênalti sobre José Callejón, que Milik converteu.

O Genk não desistiu. Antes do intervalo, voltou a pressionar e Paul Onuachu quase marcou um golaço, em desvio salvador de Meret. E ainda tentava descontar no segundo tempo, embora fosse mesmo uma noite favorável ao Napoli. Os celestes permaneceram mais efetivos em seus ataques e ganhariam outra penalidade aos 27, num toque no braço de Casper de Norre. Completando 300 jogos pelo clube, Dries Mertens converteu com muito estilo, de cavadinha. Já no fim, os belgas reclamaram da má sorte definitiva. Theo Bongonda carimbou a trave, num bate-rebate dentro da área. O placar foi mais elástico que a realidade.

A vitória do Napoli não foi suficiente para que o time tomasse a liderança do Grupo E, já que o Liverpool também fez sua parte e derrotou o Red Bull Salzburg. Ao menos os celestes ganham um impulso neste momento em que patinam na Serie A. Além da participação decisiva de Milik, Allan foi outro que voltou muito bem ao meio-campo, após perder os últimos jogos por lesão. Resta saber como ficará a vida dos napolitanos a partir das oitavas de final. Com a insatisfação dos jogadores, Carlo Ancelotti está por um fio. E talvez nem esta goleada salve o emprego do treinador.

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