A final da Copa Sul-Americana marca o maior momento da história do Colón. O clube que nunca conquistou um título nacional de primeira divisão na Argentina terá a chance de se consagrar além das fronteiras. E o tamanho da façanha é dimensionado por um torcedor especial. Nas arquibancadas do Mineirão, o grande símbolo dos sabaleros foi Omar Daniel Sanvido, que fez a viagem a Belo Horizonte de ônibus e comemorou seu aniversário de 78 anos em meio ao êxtase pela vitória nos pênaltis.

Neta de Omar, María Florencia ajudou a história do idoso a se espalhar pelas redes sociais. Através de uma imagem do torcedor celebrando efusivamente o gol de Pulga Rodríguez, que deu sobrevida aos santafesinos contra o Atlético Mineiro, ela explicou: “Este é meu avô. Ontem, 26 de setembro, foi seu aniversário e ele quis ir ao Brasil, para seguir o Colón, com 78 anos. Esta é sua cara de felicidade, esta é a maior alegria que o Colón deu pra ele. Nunca vou me esquecer dessa foto e de admirar meu avô”.

A torcida do Colón havia protagonizado outras grandes cenas nesta Copa Sul-Americana. Mais de 10 mil torcedores chegaram a viajar ao Uruguai e a encher um dos setores do Centenário, durante a classificação contra o River Plate de Montevidéu nas fases iniciais. Ainda assim, o esforço de Omar é emblemático. A rota de ônibus até Belo Horizonte supera os 2,5 mil quilômetros. Sem contar as paradas, são mais de 30 horas de estrada. Ainda assim, o idoso aceitou o seu desafio para viver o seu aniversário mais vibrante.

“Desde que me lembro, sou torcedor do Colón. Desde os seis ou sete anos. O Colón é um sofrimento e um sentimento, ele nos enche de orgulho e de alegria. Por mais que não tenhamos jogado tão bem, os resultados mandam”, declarou Omar, em entrevista ao Minuto Uno. “Estou muito emocionado. São 78 anos esperando isso e se deu justo no dia do meu aniversário, graças a Deus. Estou muito feliz. Agradeço aos companheiros que me acompanharam na viagem”.

“Sempre quis viajar quando o Colón chegasse a uma instância importante. No ano passado, queria ir para a Colômbia quando jogamos contra o Junior, mas era meio complicado porque precisava ir dois dias antes e isso não me convenceu. Agora eu disse que ia sim ou sim. O Colón me deu o melhor presente de aniversário”, complementou. “Estava convencido em viajar para o Brasil, pensava que se perdesse esta vez não iria poder em outra. Mas não queria perder. Esperei 78 anos e aqui estou”.

Seu Omar manteve, sobretudo, a confiança no Colón – mesmo com a difícil partida contra o Galo, na qual os santafesinos precisaram arrancar um gol no fim e vencer de virada nos pênaltis: “Tinha fé, porque em outras copas passamos nos pênaltis e estava seguro de que íamos nos classificar. Graças a Deus aconteceu. Pulga Rodríguez me encanta, tem muita qualidade para bater pênaltis”.

Omar precisou lidar até mesmo com os desmandos na entrada do Mineirão: “Eu tinha levado uma cartolina que dizia ‘El mimoson – Governador Crespo’, como me chamam no meu povoado, mas não me deixaram entrar com ele. Queria mostrar esse cartaz se me enfocassem na televisão, porque assim me veriam. Mas, no final, foi melhor”.

Em outra entrevista, ao Doble Amarilla, Omar contou que a própria esposa incentivou a viagem. Ela se dispôs a pagar o ônibus e garantiu que a comemoração de aniversário ficaria para outro dia, porque o marido não poderia perder a oportunidade.

“O Colón é tudo para mim. Tenho muita paixão. Às vezes minha esposa pergunta por que eu sofro tanto. E eu o sinto assim, fico triste quando vamos mal e fico muito contente quando vamos bem. Minha mulher sabe que, para mim, o Colón é normalmente um sofrimento, mas esse momento era importante, porque era outra situação e eu tinha que estar presente. Estou convencido que foi o presente mais lindo do mundo. Foi um dos momentos mais emocionantes que vivi. Agradeço novamente à minha família pela ajuda que me deram para poder viver esse sonho”, complementou Omar.

Ainda em sua jornada de retorno a Santa Fé quando conversou com a imprensa, Omar esperava o churrasco de comemoração (do aniversário e da classificação) com a família no final de semana. Também disse sonhar em ganhar uma camisa autografada por todo o elenco. E sabe que, uma vez mais, poderá ter uma aventura internacional com o Colón rumo a Assunção. Seria justo se o clube presenteasse seu esforço com passagens aéreas e um lugar de honra na Olla Azulgrana, na final contra o Independiente del Valle. Tornaria-se o reconhecimento a uma vida dedicada aos sabaleros.